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A noite seguinte chegou envolta em um manto de névoa, cobrindo Bangkok com um frio incomum para a cidade. O vento cortante varria as ruas, trazendo consigo um presságio invisível de algo prestes a mudar.
Pak caminhava lentamente pelo campus da Universidade Kasetsart, o som de seus passos ecoando no chão de pedra. Ele apertou a jaqueta contra o corpo, ainda sentindo um leve desconforto no braço ferido. O curativo estava limpo, sem sinais de infecção, mas a lembrança do encontro da noite passada ainda o assombrava.
Ele pegou o celular e abriu a galeria de fotos, olhando a imagem que tinha tirado do curativo logo após sair do hospital. O número de telefone que Kiet lhe dera ainda estava dobrado dentro de sua carteira.
Pak suspirou, guardando o celular.
Por que diabos estava pensando tanto naquele cara?
Ele seguiu para a cafeteria do campus, onde pretendia encontrar Nattapong "Nat", seu melhor amigo. Nat já estava lá, sentado em uma mesa no canto, girando um copo de café entre os dedos.
— Você tá com uma cara de quem viu um fantasma — Nat comentou assim que Pak se sentou.
— Acho que vi algo pior.
Nat ergueu uma sobrancelha.
— Me conta.
Pak deu um gole no café antes de começar a explicar a noite anterior. Ele omitiu a parte sobre a pele fria de Kiet e o jeito estranho dele, mas contou o essencial: o acidente, o hospital e a insistência de Kiet em ajudá-lo.
— Então o cara te deu uma carona e ficou no hospital até você ser atendido? Isso parece um pouco suspeito.
Pak riu.
— Por quê? Vai dizer que ele tem um plano maligno pra me sequestrar?
— Não sei. Só acho que caras misteriosos que aparecem do nada geralmente escondem alguma coisa.
Pak brincou:
— Talvez ele seja um psicopata
Nat riu, mas Pak sentiu um arrepio estranho ao dizer aquilo em voz alta.
Ele sabia que era brincadeira. Mas… algo dentro dele lhe dizia que Kiet era diferente de qualquer pessoa que já conhecera.
Mais tarde naquela noite, Pak saiu da cafeteria e seguiu para seu dormitório, mas algo fez com que ele parasse no meio do caminho.
Kiet estava ali.
Encostado em uma árvore próxima à biblioteca, as mãos nos bolsos do casaco escuro, a expressão tão neutra quanto sempre.
Pak hesitou antes de se aproximar.
— O que você tá fazendo aqui?
Kiet virou o rosto na direção dele, os olhos dourados refletindo a luz fraca dos postes.
— Você não ligou.
— Eu deveria ter ligado?
Kiet deu de ombros.
— Achei que poderia precisar de algo.
Pak cruzou os braços, estreitando os olhos.
— Você se preocupa demais pra alguém que nem me conhece.
Kiet ficou em silêncio por um momento, como se estivesse escolhendo suas palavras.
— Talvez eu apenas goste de garantir que o que começa bem não termine mal.
Pak franziu a testa.
— O que isso quer dizer?
— Significa que você deveria tomar mais cuidado.
A voz de Kiet era grave, calma, mas carregada de algo que Pak não conseguia identificar.
Ele estava prestes a responder quando uma pessoa aparece do nada na Escuridão.
Thanakorn "Than" Thanasarn saiu das sombras, os olhos igualmente intensos, mas cheios de um tom de provocação.
— Então esse é o rapaz que conseguiu prender sua atenção, Kiet?
Pak olhou de um para o outro, sentindo a tensão no ar.
— Quem é você?
Than sorriu de lado.
— Um amigo. Ou algo próximo disso.
Ele olhou para Kiet e então para Pak, como se estivesse analisando o que via.
— Tenha cuidado, garoto. Às vezes, algumas conexões podem ser mais perigosas do que parecem.
Pak olhou desconfiado para Than.
Kiet manteve-se imóvel, os olhos fixos em Than.
— Não se meta nisso.
Than sorriu, mas não disse mais nada. Apenas virou-se e desapareceu e subiu em sua motoe foi embora.
Pak olhou para Kiet.
— Que porra foi essa?
Kiet não respondeu de imediato. Ele apenas suspirou e olhou para a lua.
Aquela noite havia mudado algo. E Pak ainda não sabia o quê.
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Atualizado até capítulo 45
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