A Sedução do Mal

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A noite estava estranhamente quente, abafada como se a cidade estivesse segurando a respiração.

Pak sentia algo no ar, um peso invisível que o deixava inquieto.

Desde a conversa com Kiet no estacionamento, algo entre eles tinha mudado.

Havia mais olhares demorados.

Mais silêncios cheios de significado.

Mais proximidade.

E isso não passou despercebido por ninguém.

Muito menos por Pich.

Foi Sara quem lhe entregou o convite.

— O que é isso? — Pak perguntou, pegando o pequeno envelope preto com letras prateadas.

Ela sorriu de um jeito travesso.

— Uma festa exclusiva. Coisa de gente rica e misteriosa.

Pak arqueou uma sobrancelha.

— Gente rica e misteriosa?

— Sim. Vampiros — ela sussurrou, divertida.

Pak ficou tenso na hora.

— Como assim?

— Ah, Pak, todo mundo sabe que eles existem. Só fingimos que não sabemos. — Ela piscou para ele. — Você vem, não vem?

Pak olhou de novo para o convite.

A festa era de Pich.

O nome dele estava ali, destacado.

E isso só significava uma coisa:

Aquilo era uma provocação.

Ele não deveria ir.

Sabia que não deveria.

Mas foi mesmo assim.

O lugar era uma mansão antiga, cercada por colunas de mármore e banhada por luzes vermelhas.

Pak sentiu um arrepio ao entrar.

O ar cheirava a vinho, incenso… e algo mais.

O salão estava cheio, mas não era uma festa comum.

Os convidados pareciam… diferentes.

Elegantes, sim. Mas também intensos demais, observadores demais.

Vampiros.

Pak sentiu os olhos nele no momento em que entrou.

E, entre todos, um olhar se destacou.

Pich.

Ele estava sentado em um sofá de couro preto, vestido impecavelmente, segurando uma taça de vinho.

Quando viu Pak, seu sorriso se alargou.

— Que surpresa agradável.

Pak engoliu em seco, mas manteve a postura.

— Achei que você já esperava que eu viesse.

Pich riu, balançando a taça.

— Você é interessante, Pak. Não foge do perigo.

Pak cruzou os braços.

— Isso aqui é um perigo?

Pich se levantou lentamente, seus movimentos fluidos, predatórios.

— Tudo depende da sua definição de perigo.

Os olhos de Pich brilharam de um jeito errado.

Pak percebeu tarde demais que ele estava muito perto.

— Kiet tem sorte… — Pich murmurou, olhando para ele de cima a baixo. — Você é irresistível.

Pak sentiu um arrepio.

Antes que pudesse responder, uma mão agarrou seu braço, puxando-o para trás.

Kiet.

Ele estava ali, os olhos ardendo em fúria.

Pak nunca o tinha visto tão… possuído pelo ciúme.

— Tire as mãos dele — Kiet rosnou, a voz carregada de ameaça.

Pich apenas riu.

— Mas eu nem fiz nada… ainda.

Pak sentiu a tensão no ar, densa como eletricidade antes de uma tempestade.

E foi então que percebeu:

Aquilo não era só uma disputa.

Era um jogo perigoso.

E ele estava bem no meio dele.

A música na mansão era intensa, um som grave que vibrava no chão.

Pessoas dançavam sob as luzes vermelhas, corpos se movendo de forma quase hipnótica.

Pich pegou um copo de cristal e ofereceu a Pak.

— Um brinde à sua coragem — disse, o olhar brincando com o dele.

Pak hesitou antes de aceitar a taça. O líquido escuro lá dentro não era vinho… ou, pelo menos, não era só vinho.

— Você tem um jeito perigoso de receber convidados — Pak disse, girando o líquido na taça.

— Só quero que você conheça o nosso mundo melhor. — Pich sorriu. — Ou você prefere ser sempre a presa?

A provocação estava clara.

Pak não gostava de ser tratado como vítima.

Ele ergueu a taça e bebeu um gole. O gosto era forte, metálico… um arrepio percorreu sua espinha.

Pich sorriu, satisfeito.

— Eu sabia que você era especial.

Antes que Pak pudesse responder, Kiet estava ao seu lado novamente.

— Chega.

A voz dele era baixa, mas cheia de autoridade.

Pich arqueou uma sobrancelha.

— Ah, Kiet, não seja tão controlador. Pak é livre para escolher…

— Não quando a escolha é entre um jogo sujo ou sair ileso. — Kiet pegou o copo da mão de Pak e o colocou de lado. — Vamos.

Mas Pich não recuou.

Ele deslizou os dedos pelo braço de Pak, levemente, só o suficiente para provocar.

Kiet viu.

E isso foi o suficiente.

Em um movimento rápido, Kiet agarrou o colarinho da camisa de Pich e o empurrou contra a parede.

A sala ficou em silêncio.

Os outros vampiros observaram com interesse.

Ninguém interferiu.

Pak sentiu seu coração acelerar.

— Se encostar nele de novo, eu juro que—

— O quê, Kiet? — Pich sorriu, os olhos faiscando. — Vai perder o controle? Vai mostrar para todo mundo o quanto ele afeta você?

Kiet rosnou baixinho.

Pak colocou a mão em seu ombro, tentando acalmá-lo.

— Kiet, vamos sair daqui.

Os olhos dourados brilharam, a mandíbula tensa.

Finalmente, ele soltou Pich e deu um passo para trás.

Pich ajeitou o colarinho com um sorriso.

— Até breve, Pak.

Kiet pegou a mão de Pak e o puxou para fora da mansão.

No caminho de volta para o carro, Pak ainda sentia a adrenalina pulsando.

Ele olhou para Kiet, que estava tenso, com as mãos no volante, mas sem ligar o motor.

— Você não precisava ter feito aquilo — Pak disse, quebrando o silêncio.

Kiet respirou fundo.

— Eu precisava, sim.

Pak tocou a mão dele, sentindo a frieza da pele.

— Eu não sou tão frágil quanto você pensa.

Kiet finalmente olhou para ele, os olhos carregados de emoção.

— Eu não penso que você é frágil. Eu só não quero te perder.

Pak sentiu seu coração disparar.

E então, antes que pudesse dizer qualquer coisa, Kiet se inclinou e o beijou.

Dessa vez, não havia hesitação.

Havia desejo.

Havia medo.

Mas, acima de tudo, havia algo mais forte que ambos não podiam mais negar.

Aquela noite poderia ter sido um aviso.

Mas, para Pak, foi uma confirmação:

Ele estava completamente envolvido nesse mundo.

E não havia mais volta.

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