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Pak não conseguia dormir.
Desde o encontro com Kiet na noite anterior, sua mente não parava. O beijo. O sangue. O jeito como Kiet desapareceu no meio da escuridão.
Era um sonho ou um pesadelo?
Ele ainda sentia os lábios do vampiro nos seus. Ainda podia sentir o arrepio que percorreu sua pele ao ser segurado por ele.
Mas acima de tudo, Pak lembrava do olhar de Kiet ao perceber que havia o machucado. Era medo. Não dele, mas de si mesmo.
E, de alguma forma, isso fazia Pak querer encontrá-lo novamente.
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Uma Presença na Noite
Pak revirou-se na cama, suspirando. O relógio na parede marcava 02h37.
Ele fechou os olhos e tentou afastar os pensamentos.
Foi então que sentiu.
Algo estava diferente.
Era aquela mesma sensação da noite passada. Uma presença invisível, mas forte o suficiente para fazer seus sentidos ficarem alertas.
Com um arrepio na nuca, Pak se sentou devagar na cama. Seu quarto estava escuro, iluminado apenas pelas luzes da cidade entrando pela janela.
E então, ele o viu.
Kiet estava ali, parado na sacada, sua silhueta recortada contra o céu noturno.
Pak prendeu a respiração.
— Você gosta de entrar sem ser convidado, não é?
A voz saiu baixa, mas firme.
Kiet não respondeu de imediato. Apenas deu um passo para frente, deixando que a luz da lua iluminasse seu rosto.
Havia algo diferente nele. Parecia tenso, inquieto.
— Eu não deveria estar aqui — ele murmurou, o olhar fixo em Pak. — Mas não consegui ficar longe.
Pak sentiu um aperto no peito.
— Você sempre diz isso… e ainda assim, volta.
Kiet desviou o olhar, como se estivesse lutando contra algo dentro de si.
— Não é seguro para você.
— Você não me machucou de propósito, Kiet.
Os olhos dourados se voltaram para ele, intensos.
— Mas eu poderia ter machucado mais.
Pak se levantou da cama, caminhando devagar até a sacada. Ele parou a poucos centímetros de Kiet, estudando seu rosto.
— Eu não tenho medo de você.
— Deveria ter.
O vento frio passou entre eles, mas Pak não recuou.
Ao invés disso, levantou a mão e tocou o rosto de Kiet.
O vampiro ficou tenso sob seu toque. Sua pele era fria, mas o calor que Pak sentiu ao tocá-lo foi arrebatador.
— Você não é um monstro — Pak sussurrou.
Kiet fechou os olhos, inclinando levemente o rosto contra a palma de Pak.
Por um breve instante, ele se permitiu.
Mas então, sua expressão mudou.
De repente, Kiet segurou o pulso de Pak, seus olhos agora mais escuros, famintos.
— Você realmente não entende o perigo, não é?
O coração de Pak disparou. Não de medo. Mas de expectativa.
Ele sabia que Kiet estava lutando contra algo muito mais profundo.
E queria que ele parasse de lutar.
— Então me faça entender.
As palavras saíram antes que ele pudesse se conter.
Kiet abriu os olhos, sua expressão indecifrável.
E então, antes que Pak pudesse reagir, o vampiro o puxou para um beijo.
Dessa vez, não havia hesitação.
Era cru, intenso, desesperado.
Kiet segurava Pak com firmeza, suas mãos na cintura dele, puxando-o contra seu corpo. Os lábios frios encontraram os dele com urgência, e Pak se entregou sem resistência.
O mundo desapareceu.
Tudo o que existia era aquele momento.
A forma como Kiet o segurava, como se estivesse tentando se ancorar na realidade. O jeito que sua respiração estava entrecortada. O leve tremor em suas mãos.
E então, Kiet parou.
Lentamente, ele se afastou, mantendo os olhos fechados por um instante antes de encarar Pak.
— Eu não posso — ele sussurrou, sua voz carregada de culpa.
Pak ainda tentava recuperar o fôlego.
— Kiet…
O vampiro deu um passo para trás.
— Eu preciso ir.
Pak segurou o braço dele, impedindo-o de desaparecer outra vez.
— Não fuja de novo.
Kiet hesitou. Por um momento, parecia que ele ficaria.
Mas então, sua expressão se fechou, e em um instante, ele desapareceu na escuridão.
Deixando Pak sozinho, mais confuso do que nunca.
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Atualizado até capítulo 45
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