curiosidade de Pak sobre vampiro

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A cidade parecia diferente naquela noite. Ou talvez fosse apenas a forma como Pak a enxergava agora.

Depois da revelação de Kiet, o mundo que ele conhecia já não fazia tanto sentido. Vampiros existem. A frase ecoava na sua mente sem parar, e ele simplesmente não conseguia ignorar.

Ele se recostou no banco do passageiro enquanto Kiet dirigia pelas ruas vazias. Um Ferrari vermelho. Claro que ele dirigiria um carro desses.

— Você está muito quieto — Kiet comentou, os olhos fixos na estrada.

Pak soltou um riso sem humor.

— O que você quer que eu diga? “Que legal, meu colega de faculdade é um vampiro”?

— Isso já seria um bom começo.

Pak virou-se para encará-lo. Kiet parecia tranquilo, mas havia uma tensão nos ombros dele que Pak não conseguia ignorar.

— Como você… virou isso?

Kiet apertou o volante por um segundo antes de responder.

— Eu já nasci assim.

Pak piscou, surpreso.

— Então não foi uma mordida ou algo assim?

— Isso é coisa de filme.

Pak respirou fundo, processando tudo.

— E se você nasceu assim… tem mais como você?

Kiet hesitou.

— Sim.

Pak passou a língua pelos lábios, sentindo o coração bater um pouco mais forte.

— Than é um deles, né?

Kiet assentiu.

— E Pich também.

O nome fez Pak se lembrar da forma como Pich o olhou no bar, como se estivesse se divertindo às suas custas.

— Ele não parece gostar de você.

Kiet soltou um suspiro.

— Digamos que temos uma… rivalidade antiga.

Pak percebeu que não conseguiria arrancar mais nada sobre isso, pelo menos não naquela noite.

— Você bebe sangue humano?

Kiet desviou o olhar por um instante, mas respondeu:

— Não diretamente.

— O que isso significa?

Kiet freou o carro em frente ao prédio de Pak e o encarou.

— Significa que eu faço o possível para não machucar ninguém.

Pak sentiu um arrepio percorrer seu corpo.

Ele queria acreditar nele.

Mas parte dele ainda estava assustada.

Ele abriu a porta do carro e saiu, respirando o ar gelado da noite.

— Pak.

Ele se virou. Kiet ainda estava no carro, olhando para ele com uma expressão indecifrável.

— Eu nunca te machucaria.

Aquelas palavras não deveriam ter um efeito tão forte.

Mas tiveram.

Pak apenas assentiu antes de entrar no prédio.

E, mesmo enquanto subia as escadas, sentia que a presença de Kiet ainda o perseguia.

Um Novo Dia, Um Novo Desafio

Pak acordou tarde no dia seguinte. Quando finalmente chegou à faculdade, Nat e Sara já estavam na cafeteria, esperando por ele.

— Você sumiu ontem — Sara comentou, estreitando os olhos.

— Eu só… precisava pensar.

Nat riu.

— Desde quando você precisa pensar tanto assim?

Pak ignorou o comentário e pegou um café. Mas, antes que pudesse se sentar, ele sentiu um arrepio.

Olhou para o lado.

Kiet.

Ele estava na mesa do outro lado da cafeteria, os olhos dourados focados nele.

Pak engoliu em seco.

— Quem é aquele? — Sara perguntou, seguindo o olhar dele.

Nat sorriu.

— Ah, esse é o cara misterioso de ontem, né? Kiet alguma coisa?

Pak não respondeu.

Mas ele sabia que, dali em diante, evitar Kiet seria impossível.

E talvez… ele nem quisesse evitar.

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