CAPÍTULO 18

       O escritório estava mergulhado em um silêncio tenso, cortado apenas pelo leve tilintar do gelo no copo de whisky que eu girava entre os dedos.

Giulia sentou-se à minha frente, cruzando as pernas com um ar de sofisticação calculada, sua expressão transbordando uma estranha compaixão que, no fundo, me incomodava.

— Jacob… — começou ela, a voz suave, quase um sussurro. — Eu sinto muito pelo que aconteceu com o seu filho. Não consigo nem imaginar a dor que deve ter sido para você.

Ergui os olhos para encará-la.

— Você não tem ideia do que foi… — minha voz saiu baixa, mas carregada de peso. — Eu passei anos procurando pelo Nathan. Anos, Giulia. Cada pista, cada boato, cada esperança… e no fim, quando finalmente o encontrei… ele já estava morto.

Minha mandíbula se contraiu, os nós dos meus dedos esbranquiçando ao redor do copo.

— A única coisa que me restou foi um túmulo. Um maldito túmulo.

Ela suspirou, inclinando-se para frente, os olhos brilhando com algo que não consegui definir.

— Eu entendo, Jacob. Perder um filho deve ser a pior dor que alguém pode sentir. — Ela deu uma pausa, antes de perguntar. — E essa garota... Mia?!

Minha expressão aliviou ao ouvir o nome dela.

— Mia carrega dentro de si a única coisa que me resta do Nathan. Meu neto.

Giulia arqueou uma sobrancelha, um pequeno sorriso se formando em seus lábios, como se estivesse prestes a soltar uma observação venenosa.

— Além disso… — continuei, ignorando sua expressão. — Ela é uma mulher incrível. Forte. Dedicada. Minha mãe a adora.

Ela soltou um suspiro exagerado, balançando levemente a cabeça.

— Eu percebi… — murmurou, seu tom carregado de um significado oculto.

Havia algo na maneira como ela disse isso que me incomodou.

— Mas, Jacob… — Giulia pousou uma das mãos sobre a mesa, os olhos fixos em mim. — Você deveria tomar cuidado.

Meu cenho se franziu de imediato.

— Cuidado? Com o que exatamente?

Ela se inclinou ainda mais para frente, como se quisesse sussurrar um segredo sombrio.

— Você está vulnerável, Jacob. — Sua voz era quase um veneno escorrendo dos lábios. — A dor da perda pode nos cegar. Pode nos fazer confiar em pessoas erradas. E quando nos damos conta… já é tarde demais.

Meu corpo ficou tenso.

— Seja clara, Giulia. Se tem algo a dizer, diga logo.

          Ela hesitou por um instante, como se estivesse ponderando se deveria seguir em frente com o que estava prestes a dizer. Então, finalmente, soltou:

— Essa garota… essa Mia. Quem pode garantir que ela está sendo honesta com você? Que essa criança que ela carrega é mesmo seu neto?

O sangue ferveu em minhas veias. O ar ao meu redor pareceu mais pesado.

— Giulia… — Minha voz saiu grave, quase um rosnado.

Ela ergueu as mãos em um gesto de inocência forçada.

— Me escute, Jacob. Você abriu as portas da sua casa para uma desconhecida. Quem garante que ela não sabia do passado do Nathan? Que ela não tem alguma ligação com tudo o que aconteceu, com os sequestradores? E se ela for uma peça nesse jogo sujo?

           Me levantei tão rápido que a cadeira recuou bruscamente, arrastando-se pelo piso de madeira com um ruído seco.

— Já chega! — rosnei, minha voz reverberando pelo cômodo.

Giulia se encolheu levemente, surpresa pela explosão de raiva, mas tentou manter a compostura.

Apoiei as mãos na mesa, encarando-a com um olhar afiado como lâminas.

— Nunca mais fale da Mia dessa maneira. Nunca mais insinue algo assim dentro da minha casa.

Ela piscou algumas vezes, como se buscasse uma resposta rápida, mas, pela primeira vez, pareceu verdadeiramente nervosa.

— Jacob… eu só… só quero que você fique atento. Que não confie cegamente em uma mulher que mal conhece.

Cruzei os braços sobre o peito, meus olhos cravados nos dela.

— Mia não é uma mulher qualquer. Ela é uma das pessoas mais genuínas que já conheci. E, acima de tudo… eu confio nela.

O sorriso que Giulia lançou foi quase condescendente, carregado de algo que me fez querer arrancá-lo de seu rosto.

— Está bem… espero que esteja certo. — Ela se levantou com elegância, ajeitando o casaco. — Agora, se me der licença, vou passar um tempo com minha madrinha.

Observei enquanto ela saía, minha mandíbula travada, meu peito subindo e descendo pesadamente.

         Assim que a porta se fechou, soltei um suspiro longo e baixo, sentindo a raiva ainda borbulhando dentro de mim.

Caminhei até um pequeno móvel e servi-me de uma dose generosa de whisky, girando o líquido âmbar no copo antes de levá-lo aos lábios.

Minha cabeça latejava.

Eu confiava em Mia. Na verdade… eu estava me apegando a ela de um jeito que nunca imaginei que faria.

E isso… isso sim era perigoso.

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Comments

Vanessa Corrêa🦋🦋

Vanessa Corrêa🦋🦋

Cobra nojenta 🐍 Vontade de entrar na história é da umas belas bofetadas na cara dessa mulher.
Aposto q não foi ela q mandou sequestrar o Nathan p destruir o casamento da irmã. Acho q ela é louca pelo Jacob

2025-03-13

9

fanfiqueira -formada

fanfiqueira -formada

isso é nada mais nada menos que uma invejosa interesseira que décadas deve esta tentando ter a atenção dele e não conseguiu acertei?

2025-03-21

0

Selma

Selma

Sabia que esse ser desprezível iria falar mal de Mia para Jacob.
Ela vai infernizar a vida dela.

2025-03-13

1

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