CAPÍTULO 12

Um mês.

         Fazia um mês desde que Mia havia vindo morar em minha casa, e, para minha surpresa, ela parecia bem adaptada. Além de ser uma companhia agradável para minha mãe, trazia uma leveza inesperada para um ambiente antes pesado pela ausência de Nathan.

        Ainda assim, as lembranças do meu filho me perseguiam todos os dias. Perder Nathan duas vezes, primeiro para o sequestro, depois para a morte, era um peso difícil de carregar. Mas, de alguma forma, eu estava aprendendo a viver com isso.

         Naquela manhã, eu estava no hospital, exausto de mais uma noite inteira de trabalho. Meu consultório estava silencioso, apenas os sons distantes dos corredores preenchiam o espaço. Analisava alguns prontuários, tentando manter o foco, quando uma batida suave na porta interrompeu meus pensamentos.

— Entre. — minha voz saiu mais rouca do que eu gostaria.

A porta se abriu, e meu olhar se ergueu automaticamente. O cansaço deu lugar à surpresa.

— Mia? — Meu tom carregava um misto de espanto e satisfação. Um sorriso genuíno surgiu antes que eu pudesse evitá-lo.

Ela entrou com um olhar tímido e um pequeno sorriso nos lábios, segurando uma sacola nas mãos.

— Bom dia, Senhor Jacob. Eu estava vindo para minha consulta de rotina e pensei em trazer um café da manhã para o senhor. Fiz eu mesma.

          Se havia algo que aquela garota conseguia fazer com maestria, além de conquistar minha mãe, era me surpreender.

Cruzei os braços, fingindo um ar severo.

— Já te disse para não me chamar mais de “senhor” — fingi repreendê-la, mas logo deixei escapar um sorriso. — E você adivinhou... Estou faminto.

             Ela riu baixinho, colocando os potes sobre a mesa. O cheiro doce do bolo de cenoura preencheu o consultório, e meu estômago roncou em resposta.

— Sente-se — ordenei, indicando a cadeira à minha frente.

Mia hesitou por um momento antes de obedecer.

— Espero não estar atrapalhando o senh… quer dizer, você, sem o “senhor” — corrigiu-se, um leve rubor surgindo em seu rosto.

— Você nunca me atrapalha, Mia. — Peguei um dos potes e abri, inalando o aroma reconfortante. — Aliás, estou quase de saída.

Meus olhos foram atraídos para sua barriga, que começava a ganhar um leve contorno arredondado.

— E essa princesinha? Como ela está hoje?

Os olhos de Mia brilharam, e um sorriso se desenhou em seus lábios.

— Agitada. — Mas, por um breve momento, seu sorriso vacilou. A dor de uma lembrança a atravessou como uma sombra fugaz. Ela provavelmente havia pensado em Nathan.

           Abaixei o olhar para o bolo e dei a primeira mordida. O sabor rico e macio se espalhou pela minha boca.

— Nossa… Isso está maravilhoso. — Olhei para ela com admiração. — Você tem mãos talentosas, Mia.

Ela sorriu, um pouco tímida.

— Fico feliz que tenha gostado.

Pouco depois, ela se levantou.

— Bom, preciso ir para minha consulta.

Assenti, engolindo a última mordida do bolo.

— Está bem. Se precisar de algo, estarei por aqui.

Mia sorriu antes de sair, deixando para trás o aroma de bolo e uma sensação estranha no peito.

Comi o restante do que ela trouxe, sentindo o carinho presente em cada detalhe.

Depois disso, me forcei a finalizar o trabalho. Em meia hora, eu sairia do hospital.

Fazia um mês desde que minha vida mudou.

          Um mês desde que eu deixei para trás a solidão e o desespero.

           Ainda doía. A ausência de Tim era uma ferida aberta, e eu sabia que levaria tempo, talvez uma vida inteira, para cicatrizar. Mas eu estava aprendendo a viver com essa dor, a seguir em frente por ele e, principalmente, por nossa filha.

Minha pequena Sophie, o nome que escolhi.

      Jacob... Ele era um homem admirável. Dedicado, íntegro, honesto. Mesmo carregando seus próprios fardos, ele me resgatou do fundo do poço quando eu mais precisei.

Nem se eu fizesse todos os bolos do mundo conseguiria retribuir o que ele tem feito por mim.

Ele era um anjo na minha vida.

             Agora, estava no consultório da minha obstetra, esperando ansiosamente pelo ultrassom.

A doutora sorriu ao terminar a avaliação.

— Sua pequena Sophie está com um ótimo peso, Mia. Está tomando todas as vitaminas que recomendei?

Assenti rapidamente.

— Sim, doutora. E também estou cuidando da alimentação direitinho.

Ela sorriu, satisfeita.

— Isso é ótimo. Continue assim. Você está indo muito bem.

             Passei a mão sobre minha barriga com carinho. Saber que minha filha estava saudável era um alívio imenso.

A médica olhou para mim com atenção.

— Mia, eu recomendo que comece a fazer algumas atividades físicas leves. Além de te manter ativa, ajudará no preparo para o parto.

Levantei o olhar.

— O que você sugere, doutora?

Ela anotou algo em um papel antes de me entregar.

— Yoga para gestantes. Vou te indicar uma amiga que trabalha com isso, é uma excelente profissional. Entre em contato com ela, tenho certeza de que vai gostar.

Peguei o papel, observando o número anotado.

— Obrigada, doutora.

Ela sorriu gentilmente.

— Até a próxima consulta, Mia.

Saí do consultório sentindo o coração mais leve.

Eu estava no caminho certo.

Agora, só precisava continuar.

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Comments

Onilda Furlan

Onilda Furlan

Mia vai dar pra filha tudo que foi negado ao pai dela Natan

2025-04-01

0

Leoneide Alvez

Leoneide Alvez

vai ser difícil pra eles qndo o amor surgir

2025-03-10

0

Rosa Maria

Rosa Maria

já tou curtindo o casal 🥰🥰

2025-03-10

0

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