Assim que desliguei o telefone, meu coração martelava no peito. A voz de Mia… tão frágil, tão hesitante, mas também carregada de uma força silenciosa que eu já começava a reconhecer. Só Deus sabia o que essa jovem estava enfrentando, quanta dor ela já havia suportado.
Mas agora, ela não precisaria mais suportar sozinha.
Ela e o bebê estavam sob minha proteção.
Dirigi de Zürich a Genebra sem hesitar, ignorando o cansaço e o peso das horas avançadas da madrugada. A tempestade de neve castigava as ruas, tornando a viagem ainda mais perigosa, mas nada me faria recuar.
Quando finalmente estacionei diante do prédio onde Mia morava, o vento cortante açoitou meu rosto no instante em que saí do carro.
Eu subi os degraus rapidamente e bati à porta.
Demorou alguns segundos até que ela se abrisse.
E então, lá estava ela.
Mia.
Seus olhos estavam vermelhos, as olheiras profundas denunciavam o cansaço. Seu rosto pálido, sua silhueta magra e frágil envolta em um casaco desgastado. Mas, acima de tudo, havia algo nela que me atingiu como um soco no peito: a expressão de alguém que já havia perdido tanto que aprendera a não esperar mais nada da vida.
Aquela garota era forte. Mas ninguém consegue ser forte o tempo todo.
— Vamos? — Minha voz saiu firme, mas sem pressa.
Ela hesitou por um segundo. Seus dedos seguravam a alça da mala com força, como se aquela bagagem fosse tudo o que restava de sua vida.
— Deixe-me pegar isso para você — acrescentei, pegando as malas de suas mãos sem lhe dar escolha. — Apenas entre no carro, Mia. Não precisa se esforçar mais.
Ela assentiu em silêncio. Mas, antes de dar o primeiro passo, olhou uma última vez para o apartamento.
Eu sabia o que aquele olhar significava.
Ela estava deixando para trás não apenas um lugar, mas tudo o que conhecia.
E isso exigia mais coragem do que qualquer um poderia imaginar.
Depois de um longo momento, Mia respirou fundo e virou-se, entrando no carro sem dizer nada.
Guardei as malas no porta-malas, sentindo o peso de algo maior do que apenas roupas e pertences. Havia anos de sofrimento dentro daquelas pequenas bagagens.
Entrei no carro e fechei a porta, soltando um suspiro enquanto ligava o motor.
— Você está se sentindo bem? Consegue viajar agora? — perguntei, lançando um olhar atento para ela.
Mia apenas assentiu, mas seus olhos traíam a exaustão e o peso de tudo o que estava acontecendo. Ela estava segurando as emoções com força, mas nem os mais fortes conseguem manter as muralhas erguidas para sempre.
Dirigi, deixando aquela cidade para trás.
O silêncio no carro era pesado, mas não desconfortável. De vez em quando, eu a observava pelo canto do olho, vendo suas pálpebras lutarem contra o sono.
E, poucos minutos depois, ela finalmente cedeu.
O cansaço venceu.
Ela dormiu.
Meu coração apertou. Quantas noites sem dormir ela já teria enfrentado? Quantas vezes passou frio, fome, medo?
Apertei o volante com mais força. Isso acabou agora.
Chegamos à minha casa algumas horas depois. O portão eletrônico se abriu assim que o porteiro me reconheceu. A enorme propriedade se estendia à nossa frente, cercada por árvores cobertas de neve, iluminada apenas pelas luzes suaves da entrada.
Estacionei o carro e desliguei o motor.
Mia começou a despertar lentamente, piscando algumas vezes, desorientada.
— Chegamos — murmurei, minha voz mais suave agora.
Ela esfregou os olhos e olhou pela janela, e foi nesse momento que vi a surpresa em seu rosto.
Seus lábios se entreabriram, seus olhos se arregalaram levemente.
— Isso… isso é sua casa? — Sua voz saiu hesitante.
— Sim. — Desci do carro e contornei o veículo, abrindo a porta para ela. — Venha.
Ela saiu devagar, puxando o casaco ao redor do corpo enquanto olhava ao redor, ainda sem palavras.
A grande mansão de arquitetura clássica, com colunas imponentes e janelas enormes, parecia um contraste brutal com tudo o que ela viveu até agora.
Ela estava perplexa.
— Vamos entrar, está frio — disse, oferecendo minha mão.
Ela hesitou antes de aceitar, sua mão gelada e pequena na minha.
Fiz um gesto para os empregados, que rapidamente pegaram suas malas e levaram para dentro.
Mia observava tudo em silêncio, claramente desconfortável com a movimentação.
— Seu quarto já está pronto — informei, guiando-a pela casa. — Se houver algo que não goste, posso providenciar algo melhor.
Ela me olhou, surpresa.
— Não… não precisa. — Sua voz saiu baixa, mas sincera. — Eu gostei. De verdade.
Senti um peso sair de meus ombros.
— Fico feliz em saber. — Fiz uma pausa antes de continuar. — Agora descanse, Mia. Amanhã, quero apresentá-la à minha mãe.
Ela assentiu, parecendo absorver tudo ainda.
— Descanse bem — acrescentei, prestes a me virar para sair.
Mas então, senti algo inesperado.
A mão dela segurou meu braço.
Fiquei surpreso pelo gesto.
Ela não olhou diretamente para mim, mas sua voz veio baixa, quase hesitante.
— Senhor Jacob… obrigada.
Fechei os olhos por um breve segundo, sentindo aquelas palavras se alojarem fundo no meu peito.
— Obrigada por estar me ajudando. De verdade.
Por um momento, não soube o que responder. Eu não era um homem de muitas palavras quando se tratava de sentimentos, mas naquele instante, eu sabia que precisava deixá-la saber.
— Não precisa me agradecer, Mia. — Minha voz saiu firme, mas carregada de intensidade. — É meu dever. Você e esse bebê são minha responsabilidade agora.
Ela mordeu o lábio, emocionada, mas não disse mais nada.
Apenas assentiu.
Soltei um longo suspiro e afaguei de leve seu ombro.
— Agora vá descansar. É importante para o seu bebê. Amanhã, vou levá-la a uma amiga obstetra. Quero ter certeza de que você receberá todos os cuidados necessários.
Ela hesitou, mas depois assentiu novamente.
Deixei-a ali, observando-a por um último momento antes de sair do quarto.
Mas naquela noite, deitado em minha cama, o sono não veio.
Olhei para o teto, perdido em pensamentos.
Aquela jovem e meu neto haviam trazido algo que eu não sentia há anos.
Um motivo.
Eu os protegeria.
Eu prometi a Nathan.
E eu cumpriria.
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Atualizado até capítulo 37
Comments
Selma
Jacob encontrou nela e, no bebê um motivo para não desistir.
2025-03-07
6
Rosa Maria
VC é maravilhosa autora,suas histórias são lindas e bem escritas.Parabens 🥰❤️
2025-03-07
0
Mclaudia Oliveira
Eles merecem ser feliz 🙌🙏
2025-03-07
1