O Último Elo do Meu Amor

O Último Elo do Meu Amor

PRÓLOGO

    O Hospital de Zürich estava um caos naquela tarde de terça-feira. Corredores lotados, médicos correndo de um lado para o outro, pacientes clamando por atenção. Mas minha mente estava distante de tudo aquilo. Minha cabeça latejava, não pela agitação ao meu redor, mas pelo peso que carregava há anos.

Sentei-me em minha sala, tentando focar nos relatórios à minha frente, mas a concentração era impossível. As lembranças voltaram, como sempre voltavam, assombrando-me com a ausência que nunca preenchi.

Nathan.

Meu filho. O menino que sumiu da minha vida como poeira ao vento. O tempo passou, mas a dor nunca diminuiu. Vinte anos se passaram, e eu ainda vivia na mesma angústia.

Foi quando ouvi a batida na porta.

— Doutor Frei, senhor Nicolau está aqui — informou minha secretária.

Meu coração acelerou. Sempre era assim quando Nicolau aparecia. Ele era o detetive particular que contratara para encontrar meu filho. Foram tantas frustrações, tantas pistas falsas… Mas, mesmo assim, toda vez que ele surgia, um fio de esperança renascia.

— Deixe-o entrar. — Exclamei.

Inspirei fundo. O ar parecia pesado, como se antecipasse o que estava por vir.

Nicolau entrou, seu semblante carregado. Isso me fez sentir um aperto no peito. Algo estava errado.

— Doutor Frei — disse ele, a voz grave, pausada.

— Sente-se, Nicolau. Espero que tenha trazido boas notícias. — Me inclinei para frente, ansioso, meu coração parecia pular do peito. — Você encontrou meu filho?

O silêncio que se seguiu foi curto, mas pareceu uma eternidade. O detetive hesitou, desviou o olhar por um instante. Meu coração apertou.

— Encontrei, doutor. — Respondeu, mas não havia emoção em sua voz.

O mundo parou.

Meu peito se encheu de um alívio quase sufocante. Depois de vinte anos… finalmente! Finalmente teria meu filho de volta.

Levantei-me num sobressalto. Meu filho estava vivo! Ele estava por aí, em algum lugar, esperando por mim!

— Onde ele está? Como ele está? Preciso vê-lo! — exclamei, a emoção transbordando.

       Mas Nicolau não sorriu. Não compartilhou da minha alegria. Pelo contrário, o olhar dele era sombrio, carregado de um peso que me fez gelar por dentro.

Ele respirou fundo, engolindo seco antes de dizer:

— Doutor Frei… tem algo que o senhor precisa saber.

O sangue sumiu do meu rosto. O que ele estava tentando dizer? Por que estava tão sério?

— O que aconteceu? — minha voz falhou, um calafrio percorrendo minha espinha, um nó se formou em minha garganta.

Nicolau me encarou com olhos tristes. E então, destruiu minha alma em uma única frase.

— Infelizmente… seu filho faleceu há três meses, senhor.

O ar foi arrancado dos meus pulmões.

O chão sumiu.

O mundo ao meu redor desmoronou.

— NÃO! — gritei, minha voz reverberando pelas paredes frias. A raiva, a dor, a frustração explodiram dentro de mim. Em um impulso descontrolado, derrubei tudo que estava sobre minha mesa. Papéis voaram, objetos caíram, mas nada se comparava à ruína dentro de mim.

Esperei vinte anos por essa notícia… e agora, ela veio tarde demais.

Meu filho estava morto. Eu o perdi para sempre.

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Comments

Renascida das cinzas

Renascida das cinzas

Eu me arrepiei toda com a notícia... zulivre de algo assim. Uma mãe, um pai, NUNCA deveriam ter uma notícia dessas... Mas, talvez, a dor de não saber por onde o filho anda, o que veste, o que come... deve ser devastador tanto quanto.
zulivre, zulivre, zulivre!!!!

2025-03-30

1

Deda Gomes

Deda Gomes

autora meu amor. essa história tá com cara de ser maravilhosa. não me decepcione.

2025-03-05

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Leoneide Alvez

Leoneide Alvez

já gostei do primeiro capítulo a história vai ser maravilhosa vc arrasa sempre

2025-03-06

0

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