CAPÍTULO 15

          É impressionante como algumas pessoas conseguem se tornar tão especiais em tão pouco tempo.

            Eu nunca imaginei que encontraria refúgio em um lugar que, meses atrás, teria me parecido completamente impossível. Mas ali estava eu, vivendo sob o mesmo teto de Jacob Frei e sua mãe, sendo cuidada, protegida… acolhida.

Dona Elina me lembrava Tim. Sua doçura, sua forma carinhosa… Eu me sentia segura perto dela. Mas era Jacob que fazia tudo parecer mais fácil.

          Ele não precisava estar tão presente. Não precisava se preocupar tanto. Mas ele fazia.

E eu… eu estava começando a perceber o quanto isso estranhamente mexia comigo.

               Naquela manhã, após o café e depois de ajudar dona Elina, Jacob e eu saímos para minha primeira aula de yoga. Ele havia insistido em me acompanhar. No fundo, mesmo que eu não quisesse admitir, isso me fez bem.

Talvez porque eu precisasse desesperadamente de algo que me fizesse esquecer a solidão.

Talvez porque, quando ele estava por perto, eu me sentia… diferente.

E isso era perigoso.

...----------------...

              Assim que entramos no pequeno estúdio, um cheiro suave de lavanda preencheu o ar. As luzes eram baixas, aconchegantes, e havia música instrumental tocando ao fundo.

Uma mulher de meia-idade nos recebeu com um sorriso caloroso.

— Mia, certo? — ela perguntou.

— Sim.

— Que bom que veio! E você é… o pai do bebê?

Jacob ficou tenso ao meu lado. Meu rosto esquentou.

Ele pigarreou, sua voz saindo grave e firme:

— Sou o avô do bebê.

A instrutora arregalou os olhos, claramente constrangida.

— Oh! Me perdoe, me desculpa…

— Não tem problema — respondi, forçando um sorriso.

Mas havia um peso no ar.

Jacob não disse mais nada. Seu silêncio era quase palpável.

             Fomos direcionados para os tatames, onde outras gestantes já estavam acomodadas com seus parceiros. E então, aquela sensação me atingiu como um soco no estômago.

Todas tinham alguém.

E eu…

Eu estava ali com o pai do homem que amei.

O pensamento me fez engolir em seco.

             A aula começou com alongamentos suaves. A instrutora nos guiou em uma posição inicial de relaxamento, e eu me movi devagar, tentando ignorar a tensão que crescia dentro de mim.

Jacob se posicionou atrás de mim, exatamente como os outros homens faziam com suas esposas. Mas ele não era meu marido.

Não era o pai do meu bebê.

E, ainda assim, quando suas mãos seguraram minha cintura para me ajudar a manter a postura, meu corpo reagiu de um jeito estranho.

O calor dele me envolveu, sua respiração lenta e controlada tocando a pele da minha nuca.

Arrepios subiram pela minha espinha.

— Está confortável assim? — ele perguntou, sua voz baixa e rouca demais, próxima demais.

Assenti, incapaz de falar.

— Respire fundo — ele instruiu.

                Tentei, mas minha respiração estava errada, entrecortada. Meus pulmões pareciam não funcionar direito com ele tão perto.

Seus dedos pressionaram levemente minha cintura, ajustando minha posição. Fechei os olhos por um segundo, tentando ignorar a onda de calor que subiu pelo meu peito.

— Isso… — ele murmurou. — Assim está melhor.

Meu coração pulou no peito.

               A posição seguinte exigia que eu me inclinasse para frente, e Jacob mais uma vez serviu de suporte. Suas mãos desceram para os meus braços, firmes, segurando-me com delicadeza.

Quando virei o rosto para ajeitar a posição… nossos olhares se encontraram.

Foi um segundo.

Longo demais.

Intenso demais.

O tempo pareceu parar quando me perdi naqueles olhos azuis, na proximidade sufocante entre nós.

Minha boca secou.

O que era isso?

              Afastei o olhar rápido, mas o impacto permaneceu, uma tensão invisível pulsando entre nós.

A aula prosseguiu, e cada novo movimento nos aproximava mais. Eu sentia cada toque de Jacob como se minha pele estivesse eletrizada. Sentia sua respiração, seu calor, o peso de sua presença atrás de mim.

E isso me assustava.

Quando a aula finalmente chegou ao fim, levantei-me depressa, ansiosa para sair dali.

Jacob se ergueu ao meu lado, me observando.

— Foi bom, não foi? — sua voz era casual, mas algo em seu olhar dizia o contrário.

Assenti rápido demais.

— Sim… foi… foi bom.

Ele estendeu a mão para me ajudar a levantar.

Eu hesitei. Mas então, aceitei.

Seus dedos envolveram os meus.

Forte. Quente.

Apertei os lábios e soltei sua mão rápido, meu coração batendo descompassado.

Algo dentro de mim estava diferente.

E eu não sabia como lidar com isso.

              Eu precisava sair dali. Precisava me afastar daquela sensação antes que fosse tarde demais.

Porque o que quer que estivesse acontecendo entre nós… não era certo.

Não podia ser.

Ele era Jacob Frei.

Meu sogro.

E, ainda assim…

Eu não conseguia ignorar o que estava sentindo.

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Comments

Selma

Selma

Mya está aflita porque não quer aceitar que pode gostar de outra pessoa.
Mais, como não se apaixonar por quem cuida e, da carinho, atenção.

2025-03-11

10

Rosa Maria

Rosa Maria

Essas preliminares, são as melhores 🥰🥰🥰🥰

2025-03-11

1

Claudia

Claudia

Mia relaxa e curta o momento, sabemos que não é fácil tudo o que está passando, mais tudo vai passar se concentra no seu bem estar e no seu baby 🥰🧿♾

2025-03-11

0

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