A neve continuava a cair quando deixamos o cemitério, o silêncio entre nós carregado de luto e pensamentos inacabados. A dor de perder Nathan ainda era um peso esmagador em meu peito, mas, de alguma forma, encontrar Mia tinha trazido um novo propósito, um fio de redenção ao qual eu podia me agarrar.
Quando chegamos ao prédio onde ela morava, hesitei por um momento na entrada. Não queria ser invasivo. Mas, para minha surpresa, ela abriu a porta e fez um leve gesto para que eu entrasse.
A primeira coisa que notei no pequeno apartamento foi o cheiro suave de chá misturado com algo doce. O lugar era simples, mas aconchegante, com móveis modestos e uma organização meticulosa. Mas o que realmente chamou minha atenção foram as fotos.
Havia imagens de Nathan por toda parte. Em porta-retratos na estante, presas à geladeira com pequenos ímãs, e até mesmo algumas espalhadas pela mesa de centro. Cada uma delas mostrava um pedaço da vida que eu nunca conheci.
Mia percebeu meu olhar e caminhou até a prateleira, pegando um celular e deslizando a tela até encontrar o que procurava.
— Eu queria te mostrar isso. — Sua voz saiu suave, quase hesitante. — Esse vídeo foi do último aniversário dele.
Ela me entregou o celular.
Na tela, Nathan sorria. Seu sorriso… tão familiar, tão parecido com o de Natasha. Ele estava em um restaurante, segurando um garfo com queijo derretido, rindo de algo que Mia dizia por trás da câmera.
— Ele queria muito comer fondue de queijo. Então, eu dei um jeito de levá-lo ao restaurante que ele tanto queria. Foi meu presente.
Eu assisti em silêncio, sentindo meu peito apertar. Ele parecia tão vivo naquele momento, tão cheio de sonhos… e agora, tudo o que restava eram memórias.
— Ele… — minha voz falhou por um instante. Engoli em seco antes de continuar. — Ele se parece tanto com a Natasha, sua mãe…
Suspirei, sentindo uma onda avassaladora de saudade.
Ficamos ali por um tempo, o silêncio repleto de sentimentos não ditos. Mas enquanto eu observava aquele pequeno apartamento, as condições simples em que Mia vivia, minha mente começou a trabalhar em algo maior.
Eu não pude dar a Nathan a vida que ele merecia. Mas talvez eu pudesse fazer algo por seu filho.
Respirei fundo e quebrei o silêncio:
— Mia…
Ela ergueu os olhos para mim, surpresa pelo tom sério da minha voz.
— Eu sei que tudo isso ainda é estranho para você… — continuei, escolhendo bem as palavras. — Mal nos conhecemos, e eu entendo que possa ser difícil confiar em um estranho. Mas há algo que preciso lhe dizer.
Ela permaneceu em silêncio, atenta.
— Quero que meu neto cresça ao meu lado. — Minha voz saiu firme, carregada de sinceridade. — Quero dar a ele tudo o que Nathan não teve. Segurança, conforto, estabilidade… uma família.
Ela piscou algumas vezes, processando minhas palavras.
— Estou lhe pedindo que venha morar comigo. — Completei. — Minha casa é grande. Minha mãe, a avó de Nathan, também está lá. Ela tem Alzheimer… e embora ela nem sempre se lembre de tudo, eu sei que ficaria feliz em conhecê-la.
Os olhos de Mia se arregalaram ligeiramente, e sua respiração pareceu pesar.
— Eu… — Ela hesitou, sua confusão evidente. — Eu não esperava por isso… De verdade. Eu entendo que queira fazer parte da vida do bebê, e eu jamais negaria isso. Mas… como o senhor mesmo disse, eu não o conheço. Não conheço sua família… sua história.
Ela abaixou o olhar por um momento antes de prosseguir:
— Além disso, não me sentiria confortável em simplesmente aceitar algo assim… Morar na casa de alguém sem contribuir de alguma forma. Não quero ser um peso.
Admirei sua força, sua independência. Mas isso não mudava minha decisão.
— Se esse for o problema… — apoiei os cotovelos sobre os joelhos, inclinando-me ligeiramente para ela. — Você pode trabalhar para mim.
Ela franziu a testa, surpresa.
— Trabalhar?
Assenti.
— Minha mãe precisa de uma cuidadora. Sei que talvez isso não fosse algo que você consideraria antes, mas seria uma forma de garantir que você e o bebê tenham tudo o que precisam, sem que se sinta em dívida comigo.
O silêncio pairou entre nós. Eu sabia que aquilo não era necessário. Que minha intenção era muito maior do que apenas oferecer um emprego. Mas se essa fosse a forma de fazê-la aceitar, então que fosse.
Ela engoliu em seco, visivelmente pensativa.
— Eu… posso pensar um pouco? — Sua voz saiu hesitante, como se precisasse de tempo para assimilar tudo. — Isso é muita coisa… preciso processar.
Assenti.
Levantei-me do sofá, puxando meu sobretudo e vestindo-o.
— Eu o acompanho até a porta. — Ela se levantou também, ainda parecendo confusa.
Quando chegamos à entrada, voltei-me para ela e tirei um pequeno pedaço de papel do bolso.
— Aqui está meu número e meu endereço. — Estendi o papel para ela. — Se mudar de ideia… ou simplesmente quiser conversar, não hesite em me procurar.
Ela pegou o papel, apertando-o levemente entre os dedos.
— Obrigada… — disse, sua voz suave, mas ainda incerta.
Eu apenas assenti, lançando um último olhar antes de sair.
Dirigia o Audi de volta a Zürich, a estrada coberta por neve, e meus pensamentos giravam como um furacão.
Eu perdi meu filho.
Não pude protegê-lo, não pude salvá-lo.
Mas eu não deixaria que o mesmo acontecesse com o meu neto.
Minha falha me assombraria pelo resto da vida, mas uma coisa eu jurei para mim mesmo, naquela noite fria:
— Eu não deixarei sua família desamparada, meu filho. Dessa vez, eu não falharei com você.
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Atualizado até capítulo 37
Comments
Sueli Oliveira
Poxa , quem será que fez uma maldade dessa com ele e a esposa, só pode ser alguma mulher recalcada.
2025-03-06
7
Vanessa Corrêa🦋🦋
Mia aceita Mia
Deixe esse lugar q estão quase te despejando...Aquele bruxa sem coração q falou q vai botar ela p fora...
O doutor foi um anjo encontrando ela
2025-03-07
0
⭐𝐕𝐞𝐫𝐚 𝐅𝐫𝐞𝐢𝐭𝐚𝐬💫
Aí não vou lê esse livro mais não meu psicológico não aguenta eu sou doida 😂😂 fico já levando para o pessoal
O cara poderia ter tido uma vida boa mais um demônio sequestro ele para deixar o coitado na merda
2025-03-06
1