O vento frio brincava com meus cabelos enquanto eu empurrava suavemente a cadeira de rodas de dona Elina pelo jardim da propriedade Frei. O sol da tarde iluminava a grama, e o ar estava impregnado com o cheiro fresco das folhas recém-caídas.
Ainda sentia as lembranças daquela manhã me assombrando, o olhar de Jacob, seu toque, a proximidade sufocante… Fechei os olhos por um segundo, tentando afastar aqueles pensamentos antes que se tornassem perigosos demais.
Respirei fundo, focando na mulher ao meu lado.
— O céu está lindo hoje, não acha? — comentei, minha voz suave, mas carregada de significados ocultos.
Dona Elina sorriu, seus olhos cansados brilhando com ternura.
— Sim, minha querida, está maravilhoso. Mas falta alguém para completar essa tarde… — Ela olhou ao redor, franzindo o cenho. — Onde está meu Nathan? Ele adoraria brincar um pouco aqui conosco.
Senti o impacto do nome dele como um soco no estômago.
Engoli em seco e me abaixei à altura de sua cadeira, segurando suas mãos enrugadas com delicadeza.
— O Nathan brincou tanto hoje mais cedo que acabou ficando exausto — menti, forçando um sorriso tranquilizador.
Os olhos dela se suavizaram, e por um momento temi que ela notasse a mentira em meu rosto. Mas então, antes que pudesse insistir, uma voz desconhecida nos interrompeu.
— Minha querida madrinha…
Virei-me para encarar a mulher loira que se aproximava com passos calculados. Ela parecia ter cerca de quarenta anos, seus olhos avaliando a cena com um brilho indecifrável.
Dona Elina piscou algumas vezes, tentando reconhecê-la.
— É… Natasha? — perguntou, a voz trêmula de dúvida.
A mulher hesitou por um segundo antes de responder.
— Não, madrinha, sou eu… Giulia, a irmã da Natasha.
A expressão de dona Elina suavizou, e um pequeno sorriso surgiu em seus lábios.
— Oh, querida, você está tão diferente…
Giulia sorriu, mas havia algo em seu olhar que me deixou alerta.
Então, como se só agora notasse minha presença, ela virou-se para mim, os olhos levemente estreitados.
— E você… Quem é?
Antes que eu pudesse responder, dona Elina, em sua habitual doçura, adiantou-se.
— É minha querida nora.
Meu coração disparou ao ver Giulia franzir o cenho em confusão.
— Nora? — Sua voz carregava um tom de reprovação quase velado.
Senti meu corpo ficar rígido.
— N-não… Eu apenas cuido da senhora Elina — corrigi, apressadamente.
Giulia relaxou de imediato, soltando um suspiro que me pareceu… aliviado?
— Ahhh… — Seus olhos deslizaram sobre mim, dos pés à cabeça, avaliando-me com um misto de desdém e curiosidade. — Claro que não poderia ser… Jacob sempre foi muito... seletivo.
O modo como ela disse aquilo, a forma como seu olhar me perfurou… incomodou-me profundamente.
Antes que eu pudesse dizer algo, uma voz grave interrompeu a tensão.
— Está tudo bem por aqui?
Jacob.
Assim que ele se aproximou, vi Giulia se virar para ele, o rosto iluminando-se em um sorriso ensaiado.
— Jacob! Que coincidência maravilhosa encontrá-lo em casa.
Ele cruzou os braços, o olhar impassível.
— Não sabia que tinha voltado da Noruega, Giulia.
A mulher suspirou, dramática.
— Quis fazer uma surpresa. — Ela tocou levemente o próprio cabelo, ajeitando uma mecha. — E, claro, ver minha querida madrinha.
Ela então olhou para dona Elina com uma expressão ligeiramente afetada.
— Mas… é impressão minha ou ela está diferente?
Jacob esboçou um meio sorriso.
— Sim. Está melhor, graças a Mia.
Senti meu rosto esquentar quando ele mencionou meu nome daquele jeito.
Giulia me olhou novamente, desta vez com um olhar que quase mascarava sua antipatia, mas não completamente.
— Mia tem sido essencial para ela — Jacob continuou. — Além disso… ela era noiva do Nathan e está esperando um filho dele.
Os olhos de Giulia brilharam por um instante antes de assumirem uma expressão cuidadosamente neutra.
— Eu soube que você o encontrou… e sobre o que aconteceu. — Sua voz ganhou um tom calculadamente triste. — Fiquei arrasada com a notícia da sua morte. Esse foi um dos motivos para eu voltar.
Ela me olhou de soslaio, e mesmo que seu rosto mantivesse uma expressão neutra, eu senti.
O desprezo.
A superioridade velada.
Ela podia disfarçar na frente de Jacob, mas não diante dos meus olhos.
— Jacob, o que acha de conversarmos no seu escritório? Temos muito para colocar em dia.
Jacob assentiu, lançando um último olhar para mim antes de seguir com ela para dentro da casa.
Fiquei ali, observando-os desaparecerem pela porta, enquanto uma sensação estranha apertava meu peito.
Eu não sabia exatamente o que era… mas não gostava.
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Atualizado até capítulo 37
Comments
Ely Ana Canto
tai quem sequestrou o Nathan por ciúmes da irmã, ele deve gostar do marido da irmã, se não foi ela que deu alguma coisa pra irmã pra provicar a doença 😡😡😡😡😡😡
2025-03-26
2
Luiza Oliveira
Será que não foi ela que sumiu com sobrinha, sei lá só acho. Agora mais capítulos por favorzinho 😘
2025-03-12
2
Selma
Acredito que essa Giulia vai infernizar Mia. Vai falar mal dela para Jacob.
2025-03-12
1