Giuliana entrou no banho e deixou que a água quente do chuveiro escorresse sobre seu corpo, misturando-se com as lágrimas que não conseguia mais segurar. O calor da água ajudava a aliviar um pouco da tensão, mas o medo ainda estava lá, enraizado em seu peito. Ela esfregava a pele com força, como se pudesse apagar os toques indesejados de Lucca e a sensação sufocante de estar presa em um beco sem saída.
Quando finalmente saiu do banho, vestiu a camisa que Alessandro havia lhe dado, sentiu-se um pouco mais leve, mas ainda vulnerável. A camisa era larga, mas confortável. o As mangas longas cobriram as manchas avermelhadas em seus braços. Ela respirou fundo antes de sair do banheiro sentindo o cheiro de Alessandro impregnado na roupa, tentando reunir o máximo de força possível para enfrentar a realidade.
Ao sair do banheiro, viu Alessandro parado perto da janela, a silhueta forte delineada pela pouca luz que entrava pelas frestas das cortinas. Ele parecia atento, os olhos vasculhando a escuridão do lado de fora. Quando ele percebeu a presença de Giuliana fechou a janela rapidamente e apagou a luz, deixando o quarto envolto em penumbra. O coração de Giuliana disparou, o instinto gritando que o perigo estava mais perto do que ela queria admitir.
_Eles estão me procurando, não estão? A voz dela saiu baixa, quase um sussurro.
_Sim. Alessandro confirmou, a expressão séria enquanto se aproximava dela. _Estão revistando todos os quartos, mas se preocupe, ninguém pode entrar no meu quarto, não se atreveria. Afirmou Alessandro que acompanhava a movimentação pelos corredores pelas câmeras.
Giuliana o observava, tentando entender suas intenções, mas seu olhar não mostrava nada além de determinação e algo que ela não conseguia decifrar. Ele indicou a cama com um gesto de cabeça.
_Deite-se. Precisa descansar.
_ Mas…
Giuliana hesitou por um momento, os músculos do corpo ainda estavam tensos. Mas o cansaço e o medo eram maiores. Ela se acomodou na cama, puxando o cobertor até o pescoço, o tecido oferecendo uma sensação mínima de proteção. Seus olhos não deixavam Alessandro, que seguia em direção ao banheiro.
_Alessandro... Chamou, a voz trêmula. Giuliana não queria ficar sozinha, mas não pediria para ele ficar.
Ele parou à porta, virando-se apenas o suficiente para encará-la. Seus olhos a atravessaram, intensos e penetrantes, e por um instante ela viu um lampejo de algo quente neles, algo que fez seu coração dar um salto.
_Obrigada, Agradeceu e o peso daquelas palavras carregava mais do que apenas gratidão. Era a entrega de sua confiança, algo que ela raramente oferecia a alguém.
Alessandro sentiu os lábios se curvando em um sorriso quase imperceptível, antes de cerra a porta do banheiro.
Giuliana fechou os olhos, tentando encontrar um pouco de paz no escuro, mas seu corpo ainda reagia a cada rangido da casa, cada ruido do vento contra a janela, fazendo seu corpo se contrair sob o cobertor.
Alessandro ligou a torneira da pia, o som da água abafando seus próprios pensamentos. Ele precisava pensar em um plano, uma forma segura de tirar Giuliana dali sem levantar suspeitas. Mas, acima de tudo, precisava manter a calma, pois sabia que Lucca não desistiria facilmente dela.
Alessandro ficou no banheiro por alguns minutos, tentando organizar os pensamentos. A água escorrendo na pia era apenas um disfarce para o caos que se passava em sua mente. Ele respirou fundo, passando as mãos molhadas pelo rosto, como se o gesto pudesse lavar a raiva e a preocupação que sentia. Precisava manter a cabeça fria. Lucca era perigoso, e Giuliana estava vulnerável demais para ser deixada sozinha.
Ao voltar para o quarto, a imagem de Giuliana o atingiu como um soco. Ela havia se sentado, estava encolhida, os joelhos dobrados e os olhos perdidos em algum ponto do quarto. Mesmo na penumbra, ele podia ver o tremor sutil de seu corpo. O medo ainda estava lá, grudado nela como uma sombra.
Ele se aproximou devagar, não queria assustá-la. Quando sentou-se na beira da cama, Giuliana virou o rosto na direção dele, e o olhar dela era tão frágil que o fez sentir um aperto no peito. Sem dizer nada, ela se moveu, envolvendo os braços ao redor dele, buscando conforto. Alessandro congelou por um segundo, surpreso pela iniciativa dela, mas logo seus braços a envolveram, puxando-a para mais perto.
O coração dele batia forte, e cada soluço contido de Giuliana era como uma lâmina cortando devagar. Ele baixou o rosto, seus lábios encontrando o topo da cabeça dela. O cheiro suave e agradável de seus cabelos invadiu seus sentidos, algo que o acalmava de uma forma que ele não sabia ser possível.
_Eu estou aqui. Sussurrou com a voz saindo baixa e rouca. _Ninguém vai te machucar.
Ela não respondeu, mas seu aperto se intensificou, os dedos se agarrando à camisa dele como se temesse que ele desaparecesse. Alessandro passou a mão pelas costas dela em movimentos lentos e reconfortantes, tentando transmitir segurança, algo que a mãe fazia quando ele, ainda criança, sentia medo dos treinamentos pelos quais passava para aprender a ser forte e honrar o nome da família
Por longos minutos, eles permaneceram assim, no silêncio do quarto, apenas a respiração de ambos preenchendo o espaço. Giuliana havia despertado nele um sentimento protetor, algo raro e perigoso em seu mundo.
E, naquele abraço, ele percebeu que estava mais envolvido do que deveria.
E o calor do corpo de Alessandro e o som constante de sua respiração acabaram embalando Giuliana em um sono profundo. Exausta física e emocionalmente, ela se permitiu finalmente descansar, sentindo-se protegida nos braços dele. Alessandro manteve-se imóvel, observando-a dormir, o semblante dela suavizando aos poucos, como se o sono levasse embora um pouco do medo.
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Atualizado até capítulo 65
Comments
Kellyla Nunes
Ai, que lindo, o soldado já foi abatido e com sucesso, tô amando esse livro, parabéns autora.
2025-03-07
7
Lívia Maria Esf
Esse monstro do Lucca tem que ser paralisado. O DON tem que casar Alessandro e Giuliana imediatamente, para os vermes não terem acesso a eles e a nada.
2025-03-07
1
Patricia M
quando lucca descobrir que foi Alessandro que ajudou giuliana ele vai ficar louco de raiva kkkkkk
2025-03-30
0