Giuliana ainda estava no mesmo lugar corpo colado a parede como se pudesse se fundir a ela e desaparecer. Seu peito subia e descia sem que ela conseguisse se acalmar. Suas mãos tremiam violentamente, os dedos frios e úmidos de suor agarrando-se às bordas rasgadas do vestido, e o coração batia forte em seus ouvidos como um tambor descontrolado, abafando todos os outros sons. Cada segundo que passava parecia se estender em uma eternidade.
Ela ainda podia ouvir os ecos dos socos de Lucca, mesmo que o som tivesse cessado, e a ameaça dele pairava no ar como um veneno invisível.
Foi então que um som suave, quase imperceptível, cortou o silêncio, vindo da janela do outro lado do quarto. Um leve roçar, como o sussurro de folhas secas contra o vidro. Giuliana se encolheu instintivamente, o corpo enrijecendo enquanto seus olhos se arregalavam, dilatados pelo medo, buscando a origem do barulho na penumbra.
A cortina pesada e longa, balançava levemente, o tecido ondulando com uma brisa fria que entrava por uma fresta entreaberta na janela. O ar gelado roçava sua pele exposta, arrepiando os braços nus e enviando um calafrio por sua espinha.
Giuliana vou uma silhueta escura se movendo do lado de fora, uma sombra alta e indefinida. A luz fraca da lua desenhava apenas os contornos, tornando a figura ainda mais ameaçadora.
Giuliana prendeu a respiração, o ar travando em sua garganta enquanto o pânico apertava seu peito como uma garra. Incapaz de desviar o olhar, sua mente disparou e milhares de cenários aterrorizantes se formaram, e ela se perguntava se era Lucca, ou alguém enviado por ele, talvez um dos seus capangas, com ordens para arrombar o quarto, e Lucca terminar o que tinha começado. Seus joelhos fraquejaram, as pernas ameaçando ceder sob o peso do terror, mas ela se manteve firme, apoiando-se na parede com uma das mãos, os dedos deslizando contra a superfície fria em busca de equilíbrio. Cada fibra de seu ser gritava para correr, para encontrar uma saída, mas ela estava encurralada
O medo a enraizou no lugar, os músculos travados, mas, em meio à escuridão de seus pensamentos, uma pequena fagulha de esperança surgiu. E se fosse Alessandro? O nome dele ecoou em sua mente como uma prece silenciosa.
A janela se abriu mais, o rangido das dobradiças cortando o silêncio como uma faca. A silhueta deslizou, e os pés tocando o chão de madeira sem emitir som, como se a gravidade não o afetasse. A escuridão do quarto, quebrada apenas pelo brilho fraco da lua que entrava pela janela, tornava difícil distinguir quem era. A silhueta avançou alguns passos, o contorno de ombros largos e a linha firme de uma mandíbula começando a se definir à medida que se aproximava dela.
_Giuliana? A voz profunda e familiar rompeu o silêncio, grave como um trovão distante, mas carregada de uma suavidade que fez o coração dela dar um salto.
_Alessandro? Giuliana sussurrou sentindo um alívio que tomar conta do seu corpo. Era ele, Alessandro, como uma resposta às suas súplicas silenciosas.
Ele avançou rapidamente, atravessando o quarto em poucas passadas preocupado com ela.
Ele ainda vestia a camisa que estava da festa, agora com as mangas dobradas até os cotovelos.
_O que aconteceu? Você está bem? Perguntou Alessandro, enquanto seus olhos percorreram o rosto dela, detendo-se na bochecha avermelhada onde o tapa de Lucca deixara sua marca, e então desceram para os rasgos no vestido. A expressão dele mudou, os punhos cerrando-se ao lado do corpo como se estivesse se contendo para não explodir, e por dentro ele se culpava por ter demorado a intervir.
Giuliana correu para ele sem pensar, e envolveu-o em um abraço apertado, os braços trêmulos cercando sua cintura. Seu rosto afundou no peito dele, e ela sentiu o calor do corpo dele corpo contra o dela, um contraste gritante com o frio estava sentindo
_Ele... Ele tentou... As palavras saíram entrecortadas, fragmentadas por soluços que ela não conseguia mais conter. O peso dos últimos dias, a violência de Lucca, o abandono do pai, a falta da mãe, tudo desabou sobre ela, e as lágrimas escaparam livremente molhando a camisa de Alessandro.
Ele a segurou com firmeza, os braços fortes envolvendo-a como um escudo. Suas mãos, surpreendentemente gentis, deslizaram para as costas dela, uma delas subindo até os cabelos para acariciá-los com suavidade.
_Shhiii... Eu estou aqui agora. Ninguém vai te machucar. Afirmou Alessandro com vontade de acabar com Lucca.
Alessandro inclinou a cabeça ligeiramente, o queixo roçando o topo da cabeça dela enquanto continuava a acariciar seus cabelos, os dedos desfazendo os nós com cuidado. Ele a deixou chorar, a deixou liberar o medo e a tensão que a dominavam, seu corpo servindo como abrigo enquanto os soluços dela sacudiam seus ombros frágeis. O cheiro dele, preenchia os sentidos dela, afastando o odor acre de álcool e violência que Lucca deixara em sua memória. Giuliana não sabia como ele havia chegado até ali, como ele escalou as paredes da mansão até chegar ao quarto pelas sombras da noite, mas, naquele momento, nada disso importava. A única coisa que fazia sentido era o calor dos braços dele, a batida firme de seu coração contra o ouvido dela, e a sensação de segurança que ele oferecia.
Ela ergueu o rosto lentamente, os olhos se tanto chorar encontraram os dele. Por um instante, o mundo lá fora, Lucca, a mansão, a prisão em que ela vivia, desapareceu, e havia apenas os dois. Giuliana apertou os braços ao redor dele com mais força, como se temesse que ele pudesse evaporar.
_Não me deixe aqui. Sussurrou baixinho.
A mão dele parou em seus cabelos, e ele inclinou o rosto para encará-la de perto.
_Nunca. Respondeu decidido a não deixar Lucca se aproximar dela, mesmo que isso criasse uma guerra interna na família Vitale.
***Faça o download do NovelToon para desfrutar de uma experiência de leitura melhor!***
Atualizado até capítulo 65
Comments
Flaviana Chaves
querida autora não demora muito pra colocar mais capítulos por favor mais mais mais mais mais mais mais mais mais mais mais mais mais mais mais mais mais mais mais mais mais mais mais mais mais mais mais mais mais mais mais mais mais mais mais mais mais mais já estou louca pra lê pra mais mais mais mais mais mais mais mais mais mais mais mais mais mais mais mais mais mais mais mais mais mais mais mais mais mais mais mais mais mais mais mais mais mais mais mais mais 3mil
2025-03-04
2
Celia Aparecida
esse Luca é um tremendo de um escroto isso homem asqueroso que só sabe querer obter as coisas de forma suja isso para mim não é um mafioso e sim um projeto de malandro isso sim que se acha superior a todos e que nunca será subjugado nunca é pensa que está acima de tudo e de todos
2025-03-04
3
Charlotte Peson
Muito bem joga a bomba e corre!!!aí só volta na Quarta feira 🥷🏻!
2025-03-04
3