Cap. 9

Luca encarou Alessandro que sustentou o olhar do primo sem piscar, ou demonstrar qualquer reação à provocação. Ele era um homem paciente, forjado em anos de observação e autocontrole, e se havia algo que aprendeu ao longo dos anos, era que aqueles que falavam demais geralmente estavam tentando esconder suas próprias inseguranças, como Lucca sempre fazia.

Giuliana, ao lado de Lucca, sentiu o aperto da mão dele em sua cintura se intensificar, os dedos de Lucca cravaran em sua pele com força, como se quisesse dar um aviso. Seu coração disparou, ela medo, mas Giuliana se obrigou a manter a expressão calma. Não queria que ninguém percebesse seu desconforto, especialmente Alessandro, cujos olhos pareciam capazes de ler atraves de suas expressões. Ela desviou o olhar, olhando para o lado oposto a Alessandro, fingindo interesse na decoração do salão, mas a verdade era que ela queria desesperadamente estar em qualquer outro lugar, talvez num campo aberto sob o céu, numa rua deserta sob a chuva, qualquer cenário que não fosse aquela gaiola dourada.

Mesmo Giuliana tentando disfarcar o que estava sentindo, Alessandro percebeu o seu desespero. Seu olhar aguçado, conseguia ver nuances que poderiam passar despercebidas pelos outros, mas não por ele, como o ligeiro tremor nos ombros dela, a forma como os lábios de Giuliana se apertavam quase imperceptivelmente. Havia algo errado, algo que ia além do comportamento de noiva em um evento social. Ele viu a rigidez em sua postura, o brilho inquieto em seus olhos grandes e expressivos, como os de um animal encurralado buscando uma brecha para fugir. Alessandro sabia, Giuliana não queria estar ali.

_E então, primo… Lucca interrompeu o silêncio enquanto apertava Giuliana ainda mais contra si, um gesto que parecia mais uma demonstração de posse do que afeto.  _O que você tem a dizer da minha futura esposa? Pode ser sincero, somos família.

Alessandro deixou um pequeno sorriso surgir em seus lábios, mas era um sorriso sem calor, sem humor. Apenas um reflexo da máscara de calma que usava com maestria na frente de Lucca.

_Ela é encantadora... Você realmente tem bom gosto, Lucca. Mas...  Alessandro fez uma pausa, inclinando levemente a cabeça, analisando a mulher diante dele, e seus olhos se fixavam em Giuliana.

_É curioso... Normalmente, as noivas parecem felizes ao lado de seus futuros maridos...

Os dedos de Lucca apertaram ainda mais a cintura de Giuliana, que não conseguiu conter o seu corpo que estremeceu. A pressão de Lucca era um lembrete silencioso de como ele era uma pessoa instável e violenta.

Lucca riu, um som forçado que ecoou pelo salão. A observacao certeira de Alessandro quase fez ele perder o controle.

Claro que ela está feliz. Afirmou Luca com a voz carregada de uma falsa tranquilidade. Giuliana ainda está se acostumando com a ideia de casar com um Vitale. Não é mesmo, amore mio? Ele olhou para Giuliana, e algo em seu olhar, um brilho possessivo, quase predatório,  fez um calafrio ruim percorrer a espinha dela.

Giuliana soube, naquele instante, que precisava responder. Qualquer hesitação seria um erro, um convite para que Lucca apertasse ainda mais as rédeas invisíveis que a prendiam. Engolindo o nó que se formara em sua garganta, forçou um sorriso, um sorriso frágil, mas convincente o suficiente para quem não a conhecesse bem.

_Claro… Ainda estou assimilando tudo. A voz dela soou suave, mas Alessandro percebeu a leve rigidez que transformava a resposta dela em uma mentira. Uma mentira bem contada, mas ainda assim, uma mentira.

Alessandro não disse nada, mas registrou cada detalhe, como o sutil traço de desconforto no canto da boca dela, o modo como os dedos se apertaram contra o tecido do vestido. Giuliana não estava ali por vontade própria como ele sabia. Isso estava claro como o dia.

_ Bem, a festa está interessante, vou aproveitar cada segundo... Disse Alessandro se afastando.

A noite seguiu repleta de conversas superficiais e brindes. Alessandro permaneceu no canto do salão, observando cada movimento de Lucca e Giuliana. Ele percebeu como Giuliana evitava contato visual com o primo, como mantinha as mãos sempre próximas ao corpo, como se temesse qualquer toque inesperado de Lucca. Era uma prisioneira em um vestido luxuoso que realçava sua beleza, mas que também parecia sufocá-la.

E por mais que Alessandro soubesse que não deveria se envolver, ou interferir nos assuntos de Lucca, o pensamento que teve ao vê-la, voltou a sua mente ganhando força a cada novo sinal de desconforto que ele captava. E de uma coisa Alessandro tinha certeza, não deixaria Giuliana a mercê de alguém como Lucca.

Sempre que Lucca estava distraído, Giuliana arriscava olhar na direção de Alessandro, sempre encontrando o olhar dele sobre ela. Havia algo magnético na presença dele, algo que a atraía mesmo contra sua vontade.

E toda vez que seus olhos se encontravam, Giuliana sentia o ar ficar mais pesado, seu peito apertar. Ele não desviava o olhar, não tentava disfarçar o interesse. Aquela troca silenciosa a deixava sem fôlego, e fazia seu coração bater em um ritmo descompassado que ela não conseguia controlar. Giuliana sentiu um calor subir pelo corpo, não apenas pela forma como Alessandro a olhava, mas pelo contraste entre ele e Lucca. Enquanto Lucca a segurava com força, demonstrando posse, Alessandro apenas observava, como se pudesse vê-la de verdade, não como um troféu, mas como uma pessoa. E isso a deixava inquieta, dividida entre o medo de ser vista e o desejo desesperado de ser compreendida.

A necessidade de escapar daquela situação a dominou, um peso que esmagava seus pulmões. Giuliana precisava de um momento longe dali, longe dos olhos predatórios de Lucca e das expressões enigmáticas de Alessandro.

_ O que está acontecendo? Perguntou Lucca ao perceber sua inquietação.

_Eu preciso ir ao banheiro. Disse, tentando manter a voz neutra sem demonstrar sua inquietação.

Lucca a encarou com desconfiança, e um tanto impaciente.

_Vá, mas não demore.  Disse soltando Giuliana, indicando com um gesto brusco o andar superior, onde os banheiros ficavam convenientemente longe de qualquer saída. Um controle disfarçado de permissão.

Giuliana se afastou rapidamente. Enquanto subia a escadaria de mármore, sentiu um alívio temporário, um peso sendo retirado dos ombros. Ela precisava respirar, organizar os pensamentos.

Ao virar o corredor do segundo andar em direção ao quarto que estava hospedada,  um arrepio súbito percorreu sua espinha, como se o instinto a alertasse de algo que ela ainda não podia ver. Antes que pudesse reagir, uma mão forte segurou seu braço de forma firme, mas não agressiva, puxando Giuliana para uma área mais isolada e escura.

Giuliano ergueu os olhos, pronta para grita, mas o seu grito  morreu na garganta ao se deparar com o olhar intenso de Alessandro.

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Comments

Flaviana Chaves

Flaviana Chaves

querida autora não demora muito pra colocar mais capítulos por favor mais mais mais mais mais mais mais mais mais mais mais mais mais mais mais mais mais mais mais mais já estou louca pra lê pra mais mais mais mais mais mais mais mais mais mais mais mais mais mais mais mais mais mais mais mais mais mais mais mais mais

2025-03-02

2

Érica Reis

Érica Reis

Cara nojento, quero ver ele sofrer bem muito, Ah quando o Tio dele souber de todas as armações ele tá muito ferrado por estar tramando contra o próprio sangue.

2025-03-03

2

Thaliaa Vieira

Thaliaa Vieira

Ele tem que ajudar ela a fugir!!! Ela tinha que se esconder no carro dele, até o Lucca dar falta dela e ir procurar, e o Alessandro sair levando el

2025-03-02

1

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