Alessandro finalmente se moveu, o corpo ainda rígido por causa da dor. Seus olhos, agora mais afiados do que nunca, cravaram-se em Giuliana, que ainda estava de pé perto da mesa onde deixou a faca. Por um momento, Giuliana pareceu surpresa, como se o confronto com o pai tivesse feito ela esquecer temporariamente da presença dele.
_Quem é aquele homem?
_Você escutou tudo, não escutou? A tensão no rosto dela era visível
_Sim.
Ela passou a mão pelos cabelos, frustrada.
_Ótimo. Agora eu tenho mais um problema para lidar. Eu preciso sair daqui… sussurrou sabendo que o pai provavelmente voltaria com os irmãos e a levaria a força para casa.
_Bem, se precisar de ajuda...
O olhar de Giuliana se voltou para Alessandro.
_Isso não tem nada a ver com você.
_Agora tem...
Ela sentiu um arrepio ao ouvir a certeza na voz dele.
_Eu não preciso da sua ajuda. Disse em um tom firme, mas menos convincente do que ela gostaria.
Alessandro se aproximou um passo, o esforço visível na maneira como segurava a lateral do corpo, mas a dor não diminuía a autoridade em sua postura.
_Isso não é sobre precisar. É sobre o que eu quero fazer.
Giuliana sentiu o peito apertar. A última coisa que precisava era da interferência de um estranho. Ainda mais um estranho como ele.
Alessandro voltou a se sentar no sofá, o corpo ainda enfraquecido, mas a presença dele dominava o ambiente como se fosse o dono do lugar. Seus olhos a seguiam com uma calma predatória, estudando-a como se pudesse ler cada pensamento que ela tentava esconder. Giuliana cruzou os braços outra vez, tentando manter a fachada de controle.
_Por que você ainda está aqui?
O canto da boca dele se ergueu em um meio sorriso.
_Você não disse para eu ir embora...
Ela suspirou, irritada.
_Não preciso dizer. Está implícito.
Ele inclinou a cabeça, o cabelo escuro caindo sobre a testa enquanto a observava com um olhar que parecia enxergar além das palavras.
_Se eu for embora, quem cuidará de você?
Giuliana riu, sem humor.
_Cuidar de mim? E desde quando eu pedi isso? E no caso, eu que estou cuidando de você.
Alessandro se levantou, mesmo com a dor ainda visível nos movimentos. Desta vez, ele se aproximou mais, o calor de seu corpo invadindo o espaço dela, perto o suficiente para que Giuliana sentisse o cheiro do perfume ele usava.
_Desde que descobri que o seu pai está disposto a te vender para um homem que você detesta, decidi que vou ajudar você.
Giuliana estremeceu, mas manteve o queixo erguido.
_Eu resolvo meus problemas sozinha… Respondeu pois não queria dever nada a ninguém.
_Giuliana… bonito nome. Ele sorriu, mas os olhos estavam escuros, intensos. _Você não faz ideia de como o mundo realmente funciona, não é?
Ela estreitou os olhos.
_E o que exatamente você acha que sabe sobre mim?
Ele ergueu uma sobrancelha, os olhos cravados nos dela.
_Eu posso dizer que você é orgulhosa corajosa. Que prefere morrer a pedir ajuda a quem não confia..
_ E eu sei que você é um homem arrogante, convencido e que deve estar acostumado a ter tudo o que quer
Alessandro sorriu de verdade desta vez.
_Voce não é uma boa advinha.
Giuliana piscou, surpresa. Por um segundo, ficou sem resposta. Mas então, sentiu a raiva crescer dentro de si.
_Você está na minha casa, sangrando no meu sofá, metendo-se nos meus problemas.
Ele inclinou-se um pouco mais, a voz saindo como um sussurro grave.
_Eu só quero te ajudar
Giuliana sentiu o ar preso nos pulmões, ele parecia tão sério.
Ela ergueu o queixo, mantendo a expressão firme sem saber o que dizer.
O olhar dele desceu para os lábios dela por um breve instante antes de se afastar, deixando Giuliana com o coração disparado e a respiração irregular.
Giuliana teve certeza que ele era perigoso. Mas, naquele momento, o perigo parecia tentador.
A noite avançava devagar, mas Giuliana ainda sentia o corpo tenso desde a última conversa com Alessandro. Ele havia se afastado, mas não muito.
Estava ali, sentado no sofá, os olhos observando cada movimento dela. Como se estivesse esperando algo.
Ela fingiu ignorá-lo enquanto pegava um pano limpo e uma bacia com água morna. Caminhou até onde ele estava e ajoelhou-se ao lado do sofá.
_Preciso limpar seu ferimento isso antes que ele infeccione. Disse evitando olhar para ele.
Alessandro observava Giuliana com um brilho curioso nos olhos, mas não disse nada. Apenas permitiu que ela levantasse sua camisa manchada de sangue, expondo o ferimento.
Ela mordeu o lábio. O corte não era profundo, mas a pele ao redor estava vermelha.
_Vai arder um pouco. Avisou.
_Já passei por coisas piores... Respondeu fazendo ela olhar rapidamente para ele.
Giuliana segurou o pano firme e o pressionou contra a ferida, limpando com cuidado. Ela sentiu os músculos de Alessandro se contraírem sob seus dedos, mas ele não reclamou.
_Seu pai te vendeu para um homem que você odeia...
Giuliana parou, o pano ainda preso entre os dedos.
_O que você quer que eu faça? Perguntou, a voz carregada de ironia. _ Que chore? Que implore para alguém me salvar?
Alessandro segurou o pulso dela. Não forte, mas firme o suficiente para que ela sentisse o calor da pele dele contra a sua.
Giuliana sentiu um frio na barriga, a forma que ele olhava parecia desvendar todo os seu segredos, mas ela não queria que ele a enxergasse tão bem.
Ela puxou o braço, mas Alessandro não soltou de imediato.
_Confie em mim.
Duas palavras simples, mas que pareceram explodir dentro dela.
_Eu nem sei quem você é.
Os olhos dele estavam cravados nos dela, intensos e desafiadores.
Ela abriu a boca para dizer mais alguma coisa , mas nada saiu, ela não sabia o que dizer.
Ele finalmente soltou o pulso dela, mas o toque permaneceu como um fantasma em sua pele. Giuliana engoliu em seco, o coração disparado enquanto tentava processar o que estava acontecendo.
E pela primeira vez sentiu medo. Não dele, mas do que das sensações que ele provocava nela. Porque, no fundo, uma parte dela queria confiar nele.
A as palavras dele ecoavam na cabeça dela: "Confie em mim". Como se fosse tão simples. Como se ela não tivesse passado a vida inteira aprendendo que confiar nos outros só trazia decepção.
Giuliana foi para o quarto e começou a juntar as suas coisas em uma mochila. Assim que ele fosse embora, ela também sairia daquela casa antes que o pai voltasse. Giuliana fechou os olhos com força, tentando afastar a lembrança da voz dele, da forma como a olhava, como se realmente enxergasse o que havia por trás da fachada forte que ela tentava mostrar.
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Atualizado até capítulo 65
Comments
Edvania Montenegro
Meu Deus que aflição, daqui a pouco ok pai volta e eles. estão ainda na casa.
2025-03-24
0
Claudia
Será que ela vai confiar nele 🤔🤔🧿♾
2025-03-01
1
Sthela Oliveira
ela precisa aceitar a ajuda do Alessandro
2025-03-30
0