Cap. 6

O cansaço finalmente venceu Giuliana na final da madrugada. Ela começou a dormir sem perceber, o corpo cedendo ao esgotamento enquanto se encolhia na cama estreita.

O som da rua entrando pelas janelas, o movimento usual da vizinhança a fizeram ela acordar pela manhã.

Giuliana permitiu-se relaxar, os olhos semicerrados enquanto tentava reunir forças para o dia que começava. Mas então, ao virar a cabeça para o sofá onde Alessandro deveria estar, algo dentro dela congelou ao ver que ele não eatava lá.

Ela piscou algumas vezes, sentando-se depressa cama. Giuliana pensou que talvez ele poderia estar banheiro, ou na cozinha, pegando um copo de água. Ela se agarrou a essas possibilidades como se fossem âncoras.

Giuliana olhou para a porta do banheiro, entreaberta como ela a deixara na noite anterior, revelando apenas o azulejo frio e silencioso. A cozinha, visível do canto da sala, estava igualmente quieta, nenhum barulho, nenhum som de passos arrastados, nada.

O coração dela começou a bater mais rápido. Ela se levantou, atravessando a sala em passos firmes. Nenhum sinal dele. Nenhuma presença. Nenhum bilhete. Nenhuma explicação. Nada, Alessandro foi embora sem ela saber sequer o nome dele.

Era como se ele tivesse evaporado, como se sua presença intensa, magnética, perigosa, tivesse sido apenas um delírio passageiro provocado pela adrenalina e pelo cansaço. Não havia bilhete, nenhuma palavra rabiscada em um pedaço de papel, nenhum vestígio além da marca sutil no sofá e do vazio que ele deixara para trás.

Ele foi embora. Sem se despedir. Sem ao menos um obrigado.

E, pior do que isso, sem dar a chance de Giuliana decidir se queria ou não confiar nele. Ela fechou os olhos, irritada consigo mesma.

Um nó formou-se em sua garganta, mas Giuliana o ignorou, apertando os punhos.

_Ótimo. Isso significava que eu não preciso me preocupar com ele...

Uma sensação estranha que tomava conta dela quando ele estava perto, mas sentiu algo pior ao ver que ele não estava mais ali.

Ela caminhou até a janela e olhou para a rua movimentada, mas nenhum sinal dele.

_Covarde.

A palavra escapou antes que pudesse segurá-la.

Alessandro não era problema dela, e Giuliana não queria ser salva e ficar devendo um favor a ele, pois não sabia como ele poderia cobrar.

___________________________________________________

Alessandro não dormiu depois da conversa com Giuliana. Assim que os olhos dela começaram a pesar e o som suave de sua respiração preencheu o pequeno apartamento, ele se moveu com a precisão de quem está acostumado a agir nas sombras. A dor que sentia era um lembrete insistente do ferimento, mas Alessandro a ignorava.

O efeito da droga em seu organismo passou, Ele precisava de respostas, e ficar parado não era uma opção.

No bolso encontrou o telefone, e digitou rapidamente o número de Matteo, seu homem de confiança, o único em quem ainda apostava sua vida depois daquela noite caótica. A ligação foi breve, sussurrada.

_ Sou eu, Alessandro. Me pega em dez minutos, no posto 2, Lugar seguro. Matteo não perguntou, apenas confirmou.

Alessandro encerrou a ligação, levantando-se do sofá com cuidado. Pegou o pedaço da camisa rasgada, agora endurecida pelas manchas de sangue seco, e os curativos improvisados que Giuliana deixara ao seu alcance. Não podia deixar rastros. Não podia dar a ela mais perguntas do que já tinha. Enquanto se preparava para sair, seus olhos pousaram nela por um instante. O cabelo bagunçado contra o travesseiro, a expressão suavizada pelo sono. Algo se mexeu dentro dele, mas ele sufocou o sentimento antes que pudesse ter algum significado.

Do lado de fora, o ar frio cortava a pele, mas Alessandro não sentia. Matteo já o esperava em um sedan preto discreto com o motor ligado. Alessandro entrou sem dizer uma palavra, e o carro deslizou pelas ruas escuras, afastando-o de Giuliana e daquele breve refúgio que ele não podia se permitir manter.

"O que aconteceu na boate?" Ele continuava a se perguntar, sabendo precisaria descobrir quem estava por trás da droga, quem facilitou o ataque.

Seus homens caíram um por um. O ataque tinha sido meticulosamente planejado.

_Não, não foi um acaso...

E Alessandro tinha um suspeito, Lucca, e se o primo estivesse por trás do ataque, ele ia pagar.

Mas, antes de tomar qualquer atitude, Alessandro precisava entender exatamente o que aconteceu, descobrir quem estava envolvido e como estavam os  seus homens.

_Giuliana...

A imagem dela surgiu sem permissão: os olhos desafiadores brilhando sob a luz fraca da lâmpada, a postura tensa quando recusou sua ajuda, o medo que ela tentava esconder. Ele sentiu um sorriso fraco curvar o canto dos lábios, quase contra sua vontade.

_Que mulher teimosa!

Havia algo nela que o desarmava, mesmo que por um segundo, algo que ele não sabia explicar.

Alessandro não queria se envolver Giuliana, ele não acreditava no amor. Por isso, foi embora sem explicações, sem se despedir já que ela não aceitou sua ajudo.

Mas algo lhe dizia que aquele não era o fim. Que, de alguma forma, seus caminhos voltariam a se cruzar. E, da próxima vez, ele não sairia sem uma resposta dela.

Ele suspirou ao lembrar do cheiro dela. Algo simples, mas marcante. Um perfume suave, que ele sentiu quando estava perto demais, quando o corpo dela quase tocava o seu.

E ele se lembrava da forma como Giuliana o olhou quando ele pediu para que confiasse nele.

_Ela quis acreditar...

Alessandro percebeu, mas ao mesmo tempo, sabia que Giuliana lutou contra isso com todas as forças.

Ele bufou, forçando a si mesmo a desviar os pensamentos. Giuliana não era sua prioridade naquele momento, mas saber o que tinha acontecido na boate sim.

Conforme a estrada seguia, os olhos dela continuavam o assombrando Alessandro. E uma coisa ele tinha certeza, mesmo querendo, ele não a esqueceria tão cedo.

________________________________________________

O casarão da família se erguia imponente contra a claridade do início da manhã. As paredes de pedra fria escondiam segredos e conspirações quando Alessandro voltou depois de tomar um banho e se trocar, ninguém saberia que ele estava ferido.

Alessandro saiu do carro, ignorando a dor latejante em seu corpo, e subiu os degraus de entrada com passos firmes.

Quando empurrou as portas duplas e entrou, foi recebido por um silêncio carregado.

Mas não estava sozinho.

Encostado casualmente contra o corrimão da escada, um copo de uísque na mão, Lucca o observou sua entrada com um olhar de surpresa que mal conseguiu disfarçar.

Alessandro sorriu, um sorriso carregado de veneno.

_Decepcionado? Perguntou se dirigindo ao primo.

Lucca tomou um gole do uísque, os olhos avaliando o primo como se tentasse decifrar até que ponto ele sabia de algo.

_Pelo contrário. Disse, com falsa leveza. _Fico feliz em ver que está vivo. Estávamos todos preocupados com o seu desaparecimento. A família ficaria arrasada se algo acontecesse com você.

Alessandro ignorou o jogo de palavras e deu mais alguns passos se aproximando, com os olhos cravados em Lucca.

_Alguém tentou me matar esta noite, mas falhou miseravelmente...E eu vou encontrar esse maledeto...

O sorriso de Lucca vacilou por um instante.

Alessandro se aproximou mais, seus olhos frios como gelo.

_E quando eu descobrir quem foi… Ele inclinou a cabeça levemente, com um brilho cruel nos olhos. _ Vou acabar com a vida dele da pior forma possível.

Um silêncio pesado caiu entre os dois.

Lucca forçou um sorriso.

_Feroz como sempre... Eu espero que você consiga encontrar essa pessoa o mais rápido possível, antes que ela tente novamente contra a sua vida.

Alessandro sustentou o olhar do primo por mais alguns segundos antes de se virar e seguir em direção ao andar de cima. Mas, antes de sumir no corredor, lançou um último olhar sobre o ombro.

_Eu vou envontrar...

Lucca permaneceu ali, imóvel, com o copo de uísque na mão. Mas quando Alessandro desapareceu, seus dedos apertaram o vidro com força, sabendo que a quela não seria uma batalha fácil.

_Então que começasse o jogo.

Lucca girava o copo de uísque nas mãos, os olhos fixos no líquido enquanto sua mente trabalhava rápido.

Atacar Alessandro diretamente não funcionaria. Ele era forte, esperto e perigoso. Mas todo rei tinha um ponto fraco. E Lucca encontraria o dele.

Ele se levantou, caminhando em direção ao escritório privativo no andar inferior da mansão. Um homem já o esperava ali, sentado na poltrona de couro.

Luigi, um dos capos de confiança da família, sempre leal à liderança,  mas também um homem que sabia reconhecer uma oportunidade quando via uma, e que tinha ajudado Lucca a drogar Alessandro e seus homens na boate.

Lucca fechou a porta atrás de si e se serviu de mais um uísque antes de se virar para ele.

_Alessandro não pode assumir a família...

 Luigi cruzou os braços, observando Lucca com cautela.

_Pensei que fosse matá-lo na noite passada. Comentou Luigi vendo Lucca ficar sério.

_Não… Disse tentando conter a irritação por não ter conseguido matar Alessandro. _ Nao vou mata-lo até que ele me veja assumir a família, até que eu seja o Don.

Lucca, vaidoso, sorriu  saboreando  a ideia, imaginando a queda de Alessandro, vendo ele ser reduzido a nada diante dele.

_O que exatamente você pretende fazer?

_ Precisamos minar a confiança que o Alessandro tem nos seus homens. Ele quer descobrir quem tentou matá-lo? Ótimo. Vamos garantir que ele suspeite das pessoas erradas.

_Como?

Lucca tomou um gole do uísque antes de continuar.

_Ainda preciso encontrar um bode expiatório, mas por agora eu quero que espalhe um boato. Algo sutil, mas forte o suficiente gerar dúvidas sobre a capacidade de liderar do meu primo. Quero que diga que Alessandro não é tão competente quanto parece. Que ele foi atacado e quase morto enquanto se divertia na boate… e que talvez um dos seus homens tenha facilitado o ataque, por estar insatisfeito com a liderança dele.

Luigi permaneceu em silêncio por um momento, analisando o peso das palavras.

_ Assim, quando esse boate se espalhar e ganhar varias versões, Alessandro vai começar duvidar dos seus homens, e um líder que não confia em ninguém não consegue comandar. Ele começará a cometer erros… e com isso, Don Francesco, começará a se perguntar se fez a escolha certa, e então será a minha chance...

Luigi assentiu lentamente, percebendo o quão perigoso esse jogo poderia se tornar.

_Se se isso não funcionar, o Alessandro pode descobrir o que está acontecendo, e te destruir antes que você consiga derrubá-lo.

Lucca deu um soco na mesa e inclinou-se para frente irritado.

_ Desse vez eu não vou perder, vou tirar o Alessandro da minha vida para sempre. Afirmou Lucca com raiva.

Mais populares

Comments

luciane souza

luciane souza

É o que você quer mais não vai ter porque o tiro sairá pela culatra e a hora que ele re pegar já era nojento 😡😡😡😡😡

2025-03-01

3

Edvania Montenegro

Edvania Montenegro

Se o. Lucca já tem raiva do Alessandro, imaginem quando ele se envolver com Giovana e ele descobrir, vai morrer do coração.

2025-03-24

0

Jeneci Nunes

Jeneci Nunes

a inveja é uma doença que corrói a alma 😔

2025-03-01

3

Ver todos

Baixar agora

Gostou dessa história? Baixe o APP para manter seu histórico de leitura
Baixar agora

Benefícios

Novos usuários que baixam o APP podem ler 10 capítulos gratuitamente

Receber
NovelToon
Um passo para um novo mundo!
Para mais, baixe o APP de MangaToon!