Giuliana deixou o apartamento onde estava morando com passos apressados, a mochila jogada sobre um ombro tentando esconder o rosto sob o boné que usava. Apressada, ela seguiu para a casa de Alice que estava a ajudando desde que fugiu da casa do pai.
Ao chegar, bateu na porta várias vezes tomada pela ansiedade. Alice abriu quase imediatamente, e Giuliana a abraçou, sendo puxada pela amiga para dentro, contando que o pai havia a encontrado.
_ Pode ficar o tempo que precisar aqui. Disse Alice.
_ Preciso de outro trabalho, acho que meu pai já sabe que estou trabalhando naquele bar.
_ Vou ver o que consigo para você. Disse Alice tentando ajudá-la. _ Tenho uns contatos no café da rua de trás. Talvez precisem de alguém. Vou resolver isso antes de ir para o trabalho.
Alice saiu mais cedo de casa para passar no café, deixando Giuliana sozinha no seu apartamento. Ela tentou relaxar, afundando no sofá puído e fechando os olhos, mas a quietude só trouxe Alessandro de volta à sua mente. A imagem dele no sofá, o jeito como ele a encarava com aqueles olhos intensos, a forma como ele desapareceu sem deixar rastros. Ela se perguntava porque ele a afetou tanto? Antes que pudesse se perder em seus pensamentos, um estrondo violento cortou o ar. A porta da frente foi arrombada com um chute seco, a madeira estilhaçando-se contra a parede.
Antes que pudesse reagir, mãos fortes dos irmãos a agarraram com brutalidade.
_Não... eu nao quero ir! Giuliana lutou, mas os irmãos eram mais fortes, e a seguraram com facilidade.
_Para de espernear, Giuliana. Disse o mais velho, Marco, com um tom de impaciência. _Quanto mais você lutar, mais vai sofrer.
_Você achou mesmo que poderia fugir? Acrescentou Paolo, apertando o braço dela. _Papai sempre soube onde voce estava.
_Vocês não podem fazer isso! Gritou, tentando se soltar. _Eu não sou propriedade de vocês! Gritava desesperada.
_Não, mas é a solução para os nossos problemas. Marco respondeu, empurrando-a para fora do apartamento.
A viagem de volta para casa foi um borrão. Quando chegaram, Giuliana foi arrastada diretamente para a sala principal onde seu pai já a esperava, sentado em sua poltrona de couro, com um copo de bebida na mão.
Ele nem se deu ao trabalho de fingir estar furioso. Parecia satisfeito.
_Você achou mesmo que poderia me desobedecer? Ele girou o copo entre os dedos, encarando-a. _Que poderia fugir do seu destino? Que aquele homem ia te proteger? Onde ele está agora? Perguntou debochando dela.
Giuliana manteve o queixo erguido, apesar da raiva e do medo queimando dentro dela.
_Eu não vou me casar com Lucca.
A risada baixa e fria do pai dela ecoou pela sala.
_Ah, minha filha… Você já vai. Ele a encarou com desdém, levantando-se lentamente da poltrona. _ A sua festa de noivado e na próxima semana, seu noiva ja até enviou o vestido e as joias que deve usar.. Você vai sorrir, vai se comportar como uma dama, e vai aceitar Lucca como seu futuro marido. Vai servi-lo da melhor forma possível. O tom de Carlo era de quem dava uma ordem inquestionável, como se ela fosse um objeto a ser moldado à vontade dele.
Giuliana sentiu um gosto amargo na boca.
_Nunca. Disse com os punhos cerrados ao lado do corpo._ Eu vou fazer um escândalo...
Marco deu um passo à frente, agarrando o cabelo dela e puxando para trás com força, arrancando um grito abafado dela.
_Não é uma escolha. Disse ele, o hálito quente contra o ouvido dela. _Lucca quer esse casamento, e se você não colaborar, todos nós vamos pagar o preço.”
O ar ficou pesado, sufocante.
_A culpa não é minha. Gritou Giuliana.
_Isso não importa! Gritou Carlo. _Lucca já mandou preparar a festa. E você estará lá, e vai se comportar. como deve, claro você ainda quiser ver a sua mãe viva.
_ Mãe… A palavra escapou dos lábios de Giuliana em um sussurro, um arrepio de desespero subindo por sua espinha. O pai sabia exatamente o que ela sentia pela mãe que estava desaparecida há mais de três anos. A mãe era o seu ponto fraco, que o pai usaria como uma arma. Giuliana precisava saber se a mãe estava bem, precisava encontrá-la, e por isso cederia até que pudesse encontrar a mãe e escapar, mesmo sem saber como.
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Alguns dias se passaram, a mansão dos Vitale estava iluminada como um palácio. Os corredores repletos de empregados correndo de uma lado para o outro para deixar tudo impecável para a grande noite. Giuliana sentia-se como uma prisioneira.
Lucca tinha mandado buscá-la mais cedo, e ela se arrumava em um dos quartos de visita. O vestido estava justo demais. O tecido caro pesava em sua pele como correntes disfarçadas de elegancia. Ela se olhou no espelho de corpo inteiro, o cabelo preso em um penteado elaborado que ela não gostava. Seu coração martelando no peito. Não podia acreditar que estava prestes a ser exibida como um troféu numa festa de noivado que jamais quis.
A porta se abriu com força, e Lucca entrou sem aviso, seu olhar escuro e predatório deslizando sobre ela como um caçador analisando sua presa, e o desejo ficou evidente em seus olhos.
_Você está linda, mia cara. A noiva que eu mereço, a mulher mais bonita que eu já vi.
Giuliana cerrou os punhos.
_Você não passa de um monstro. Nunca vou aceitar esse casamento.
Lucca riu, aproximando-se lentamente.
_Aceitando ou não, você será minha! Disse que forma ameaçadora.
Ela recuou instintivamente, mas ele segurou seu queixo com firmeza, obrigando-a a encará-lo.
_E quando estivermos casados... continuou, o olhar brilhando com uma crueldade que fez o estômago dela revirar. _ Eu farei o que quiser com você, vou te fazer minha de todas as formas possiveis. Você vai pedir para eu parar, mas eu não vou… dia a após dia até você me dar um filho, e outro e outro.
O sangue de Giuliana gelou. A crueldade na voz dele não deixava dúvidas de que ele cumpriria cada palavra.
Ela tentou se soltar, empurrando contra o peito dele, mas ele apertou ainda mais, os dedos deixando marcas em sua pele.
_Seja uma boa menina hoje à noite. Sorria, pois eu paguei muito caro por você.
Quando Lucca finalmente a soltou e saiu do quarto, Giuliana segurou a saia do vestido com força, os olhos ardendo com lágrimas que ela se recusava a deixar cair. O medo tentava dominá-la, mas ela o empurrou para o fundo de sua alma, precisava ser forte pela mãe. Ela não choraria. Não daria a ele esse prazer. Ela sabia que precisava encontrar uma saída para fugir daquele casamento e encontrar a mãe.
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Atualizado até capítulo 67
Comments
Thaliaa Vieira
Se teu pai te achou nesse cúbico, tu acha mesmo que ele não te encontra aí? ainda põem a vida dela em risco
2025-03-01
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Andreia Cristina
q pai e irmãos são esses Lucca é um verdadeiro monstro ninguém vai ajudar essa menina será que foi a amiga q falou onde ela estava pro pai
2025-03-05
0
Kellyla Nunes
Amo livros sobre mafiosos, mas, sempre fico agoniada com o desenrolar da história, torcendo para o Alessandro olhar ela.
2025-03-04
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