Cap. 11

Alessandro se aproximou mais, e o espaço entre eles tornou-se quase inexistente. Seus dedos roçaram os dela, um toque leve, quase acidental, mas que enviou um choque elétrico por seu corpo.

_Quando chegar a hora certa, eu vou te o Lucca da sua vida. E você nunca mais vai precisar olhar por cima do ombro com medo dele.

Os olhos dela se encheram de lágrimas, uma mistura de medo e alívio. E antes que pudesse pensar, antes que a lógica pudesse interferir, ela se lançou nos braços dele. Alessandro a segurou imediatamente, os braços fortes envolvendo-a com uma firmeza que a fez sentir-se, pela primeira vez em muito tempo, segura. Ele não disse nada, apenas a manteve ali, o coração dele batendo contra de Giuliana, acalmando um pouco à tempestade que se formava dentro dela.E pela primeira vez, Giuliana se permitiu acreditar que a liberdade poderia ser mais do que um sonho distante.

Ela abriu os olhos, encontrando o olhar dele, sentindo que havia alguém que poderia ser sua saída daquela prisão. Alessandro inclinou-se ainda mais, o espaço entre eles diminuindo até que ele pudesse sentir o calor da respiração dela contra seu rosto. Ele sabia que estava se aproximando demais, mas não conseguia parar, a presença dela o atraía como uma força que ele não podia combater.

_Alessandro... O nome dele escapou dos lábios de Giuliana como um sopro, carregado de emoção. E nos olhos dele, algo mudou, um brilho quente, quase possessivo, que fez o coração dela dar um salto.

Mas antes que pudessem dizer mais alguma coisa, passos ecoaram no andar de baixo. Giuliana se afastou instintivamente, o medo voltando com força total. Alessandro deu um passo atrás, mas seus olhos permaneceram fixos nela, firmes e seguros.

_Vá... e lembre-se, eu estou aqui não vou deixar ele te fazer mal.

Giuliana desceu as escadas com passos leves, como se o peso das palavras e do toque de Alessandro ainda estivessem ancorados em sua pele. Cada degrau parecia puxá-la de volta à realidade cruel, onde as paredes da mansão dos Vitale se fechavam ao seu redor, cada lustre brilhante e cada detalhe dourado pareciam mais correntes do que ornamentos.

Ao chegar ao salão principal, Giuliana forçou um sorriso no rosto para tentar esconder o turbilhão de emoções que estava dentro dela, mas seus olhos permaneciam distantes, quase vidrados, enquanto avançava pela multidão.

Seu olhar varreu o ambiente, buscando instintivamente uma saída, até que encontrou Lucca, ao lado de seu pai. Os dois homens estavam imersos em uma conversa séria, o rosto de Carlo rígido como pedra, os traços endurecidos pela frieza habitual, enquanto Lucca exibia aquele sorriso frio e calculista que fazia Giuliana se arrepiar de medo.

Ela se aproximou o suficiente para ouvir a conversa, mas sem ser notada. Escondeu-se parcialmente atrás de uma coluna, a pedra fria contra suas costas era quase reconfortante em comparação ao gelo que tomou conta de seu coração ao ouvir o que Lucca dizia.

_ A partir de agora, Giuliana ficará na mansão. Afirmou Lucca, sua voz baixa, mas firme. _Não quero que a minha futura esposa saia por aí sem minha permissão. É melhor mantê-la sob controle até o casamento.

Carlo parecia concordar com Lucca, afinal ele sabia que a filha queria fugir, ela morando com Lucca deixava de ser um problema para ele.

_Concordo, Lucca. Giuliana vai se casar com você, e agora ela será sua responsabilidade. Se você acredita que isso é a melhor para ela, tem todo o meu apoio.

As palavras do pai, caíram sobre Giuliana como uma sentença de morte. Ela sentiu o mundo ao seu redor girar, as paredes pareciam tremer, e o ar ficou pesado, dificil de respirar. Uma gota de suor frio escorreu por sua nuca, enquanto ela lutava contra a vontade de correr. 

Giuliana queria gritar, correr, arrancar aquela sensação de suas entranhas, mas sabia que qualquer movimento em falso seria sua ruína. Ela sabia que Lucca era um homem violento, mas ouvir aquilo, ouvir o próprio pai concordar com sua prisão disfarçada de casamento, foi um golpe difícil de assimilar.

Ela pressionou as costas contra a coluna, tentando impedir que o pânico transparecesse em seu rosto. Suas mãos tremiam descontroladamente, e ela fechou as fechou com força, as unhas cravando-se nas palmas até a dor aguda explodir em sua pele, um lembrete físico de que ainda tinha algum controle, por mínimo que fosse.

A conversa entre os dois homens continuou, mas ela não conseguiu mais ouvir. Os sons ao seu redor tornaram-se abafados, como se ela estivesse debaixo d'água. Ela precisava sair dali, precisava pensar. Suas pernas queriam ceder, mas Giuliana se obrigou a dar um passo, depois outro.

Ao sair da proteção da coluna, deu de cara com Lucca. O sorriso que ele exibiu foi como o de um predador satisfeito, ao encurralar sua presa.

_Ah, amore mio, estava te procurando. Ele envolveu sua cintura novamente, o toque possessivo que já conhecia bem, os dedos apertando um pouco além do necessário, como se quisesse deixar sua marca nela. _Está tudo bem?

A pergunta era carregada de intenções ocultas, uma armadilha disfarçada de gentileza. Giuliana forçou um sorriso, o mesmo que usava para mascarar o pânico.

_Sim, só precisava de um momento sozinha.  Sua voz soou mais firme do que ela esperava, e isso a encorajou.

_É compreensível. Lucca trocou um olhar com Carlo, e os dois homens pareceram compartilhar um acordo silencioso. _Agora que você voltou, venha. Quero te apresentar a algumas pessoas importantes.

Giuliana apenas o seguiu, sem forças para protestar. Enquanto ele a guiava pelo salão, ela lançou um olhar discreto na direção onde havia visto Alessandro pela última vez. Ele estava ali, em meio à multidão, mas seus olhos estavam fixos nela. Havia uma promessa silenciosa naquele olhar, um lembrete de que ela não estava completamente sozinha.

Com o coração batendo descompassado, Giuliana seguiu ao lado de Lucca, cada passo a levando mais fundo em sua própria prisão. Mas agora, diferente de antes, havia uma chama dentro dela. Uma centelha de esperança que Alessandro havia plantado. E ela sabia que, de alguma forma, precisava encontrar uma maneira de escapar.

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Comments

Celia Aparecida

Celia Aparecida

como dizem o ditado quem muito quer nada tem e sua hora vai chegar Luca pode ter certeza disso e seu tombo será tão grande que vc nem saberá de onde veio o tiro que conspirou sua queda

2025-03-04

7

Paty Helena

Paty Helena

Esse cretino desse pai junto com o Lucca não perdem por esperar ,Alexandro vai conseguir salvar a Giuliana dessa prisão em forma de noivado que estão a obrigando a viver

2025-03-04

3

Edvania Montenegro

Edvania Montenegro

Espero que ela ajude o Alessandro a descobrir que dói Lucca quem armou para ele na boate, ela poderia escutar uma conversa e até mesmo algum plano futuro para derrubar o Alessandro.

2025-03-24

0

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