Cap. 14

Lucca congelou, os olhos se estreitando em direção à porta, que agora estava entreaberta apenas o suficiente para deixar passar uma faixa de luz do corredor.

_Quem está aí? Perguntou, largando Giuliana abruptamente.

Ela caiu de joelhos no chão, respirando com dificuldade, enquanto Lucca caminhava até a porta olhando para os dois lados do  corredor.

_Eu sei que tem alguém aí! Saía! Sua voz soava ameaçadora, mas o corredor parecia vazio.

Aproveitando o momento, Giuliana reuniu todas as forças que ainda tinha. Seu corpo ainda tremia, mas o instinto de sobrevivência falou mais alto. Rapidamente, ela se levantou e correu até a porta, usando todo o seu peso para empurrar Lucca para fora do quarto.

Surpreendido, ele tropeçou, os braços girando no ar enquanto perdia o equilíbrio e caía contra a parede oposta a da porta do quarto  Antes que ele pudesse reagir, Giuliana bateu a porta com força e girou a chave na fechadura. O clique seco foi como um grito de liberdade.

_Giuliana! Lucca gritava do outro lado, socando a porta com força. _Abra essa maldita porta agora!

Ela recuou, os olhos arregalados, a mão trêmula ainda segurando a chave. O som dos socos reverberava pelo quarto, mas ela sabia que a madeira maciça a manteria segura pelo menos por um tempo.

_Você não vai conseguir fugir de mim! Repetia Lucca com raiva.

Giuliana deu mais alguns passos para trás, até que suas costas encontraram a parede. Ela deslizou até o chão, abraçando os próprios joelhos, tentando acalmar a respiração descontrolada, entrecortada por soluços silenciosos enquanto as lágrimas escorriam por seu rosto, molhando o tecido rasgado do vestido.

_ Por favor, alguém me ajude... Pediu em um sussurro tentando imaginar um mundo onde pudesse ser livre, e não precisasse passar por aquela situação.

Luigi estava no andar debaixo quando escutou os gritos furiosos de Lucca ecoando pelo corredor. Ele subiu as escadas correndo, aproximou-se com cautela tentando entender o que estava acontecendo para Lucca perder o controle.

_O que está acontecendo? Perguntou Luigi, mantendo a voz baixa.

Lucca apontou para a porta trancada do quarto de Giuliana, o maxilar travado.

_ A minha futura esposa trancou a porta na minha cara! Disse com raiva tentando arrombar a porta com o corpo. _ Culpa do maldito que estava nos espionando. Luigi franziu a testa, ficando alerta.

_Espionando? Alguém da casa? Perguntou Luigi enquanto vasculhava as sombras do corredor.

_ Eu não vi quem era, mas sei que alguém estava aqui,  e ainda por cima, teve coragem de abrir a porta do quarto… não sei o que ele queria, mas acabou com a minha diversão.

Luigi olhou ao redor mais uma vez.

_Quer que eu investigue? Sugeriu Luigi pegando o celular no bolso para chamar mais homens, se necessário.

_Sim. Não quero curiosos se intrometendo meus assuntos, me espionando. Lucca ainda estava furioso, o dia nao tinha sido como ele imaginou. _E fique de olho na minha mulher. Deixe algum aqui na porta, e se ela sair do quarto, quero saber imediatamente.

_ Pode deixar.

Enquanto Luigi se afastava para cumprir as ordens de Lucca, ele permaneceu parado diante da porta, seus pensamentos fervilhando. Ele se perguntava quem ousaria se intrometer em seus assunto, e, principalmente, porque estava espionando ele e a noiva.

Seus olhos se  fixaram na porta fechada, como se pudesse ver através dela. Ele quase podia imaginar Giuliana do outro lado, encolhida, desafiando-o com aquele ato insolente.

Irritado, Lucca seguiu para o seu quarto. Sua mente estava tomada pela raiva e frustração, e cada pensamento parecia alimentar ainda mais o fogo que queimava dentro dele.

Assim que entrou no quarto, sua raiva explodiu de uma só vez, e ele começou a quebrar tudo o que via pela frente pensando em tudo que tinha dado errado nos ultimos tempos.

Primeiro, o plano meticulosamente arquitetado para matar Alessandro havia falhado. Lucca passou semanas orquestrando cada detalhe: o local, os homens, o momento exato , convencido de que, ao eliminar o primo, o caminho para ser o futuro Don estaria livre. Alessandro era uma ameaça, um rival que carregava o respeito natural que Lucca nunca conseguiu conquistar.

_ Como ele escapou aquele dia? Lucca ainda tentava entender como o primo tinha conseguido escapar, ou se ele teve alguma ajuda. Sem respostas, isso o corroía por dentro como ácido.

Lucca dizia a si mesmo que não se importava, que seria melhor que o primo estivesse presente na sua ascensão, mas a verdade era que cada respiração do Alessandro fazia ele sentir que estava cada vez mais longe do seus objetivos.

Naquela noite, Lucca também sentiu a ausência de Don Francesco no seu noivado,  uma humilhação pública que ele não esperava. Ele havia planejado o evento como uma demonstração de poder, uma oportunidade de mostrar à família e aos aliados que ele, Lucca Vitale poderia ser melhor que o primo, mais forte, mais astuto, mais digno que Alessandro. Ele esperava que o patriarca dos Vitale estivesse presente, abençoando sua união com Giuliana, reconhecendo seu potencial. Mas Don Francesco nem se deu ao trabalho de aparecer, ou explicar sua ausência. E para piorar, Alessandro, que esteve  ausente por dias, voltou à mansão justamente no dia do seu noivado, sua presença era um lembrete constante do que Lucca não conseguia alcançá-lo.

E para finalizar o dia, Giuliana havia expulsado ele do quarto daquela forma.  Ao ficar noivo dela, ele estava fazendo alianças poderosas, uma chance a mais de ganhar o respeito e o apoio necessários para derrubar Alessandro. Mas ela não colaborava com eme. A forma como o trancou do lado do lado de fora quarto era uma afronta.

_Maldita! Murmurou entre os dentes. Luca cerrou os punhos, socando a parede deixando uma marca de sangue.

Seu desejo não era apenas o de possuir Giuliana, uma mulher bonita, que despertava seus desejos maia vorazes, mas Lucca queria provar que ele podia ter tudo o que quisesse, quando quisesse, e isso comecava por ela.

Lucca estava prestes a perder o controle quando se lembrou que o quarto de visita provavelmente possuía uma chave reserva. Um sorriso se formou em seus labios, e ele foi atrás dos empregados que deveriam saber onde encontrar a tal chave.

_ Você não perde por esperar... amore mio…  Disse imaginando que logo a teria Giuliana em seus braços.

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Comments

Cátia Maria

Cátia Maria

autora não deixe que esse Luca faça algo com ela.
ela tem que se livrar dele e o escroto do pai e irmãos sofra

2025-03-04

5

adelice miranda de aguiar

adelice miranda de aguiar

autora linda vai arranjando um jeitinho de não deixar ele ir ao extremo com ela, arrume sempre algo para atrapalhar, ela é do Alessandro

2025-03-07

1

Sthela Oliveira

Sthela Oliveira

tomara que o quarto não tenha chave reserva, coitada da Giuliana, ter um pai escroto e agora um noivo lixo

2025-04-01

0

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