Minutos antes da volta de Lucca ao quarto onde estava Giuliana, Alessandro que havia entrado silenciosamente no quarto através da janela, movendo-se no telhado com a agilidade de quem já conhecia cada imperfeição da mansão, cada tijolo solto e cada ponto de apoio, pensava no que fazer. Por um instante, ele pensou em enfretar Lucca naquele exato momento, mas pensou na sua tentativa de assassinato, queria descobrir toda a verdade antes de enfrentá-lo.
Ao olhar para Giuliana, ele pode sentir o seu estado de pavor, e isso o atingiu de forma inesperada. Precisava protegê-la, e se ela visse Lucca naquele momento, ela não ficaria bem.
_ Precisamos sair daqui… Disse Alessandro sabendo que Lucca voltaria a qualquer instante.
Alessandro caminhou até a janela estendendo a mão para Giuliana, um convite que não admitia recusa, mas que ainda assim, carregava uma gentileza sutil. Giuliana hesitou por um segundo, o corpo trêmulo como uma folha no vento, mas algo em Alessandro prometia segurança e a fez confiar. Ela segurou sua mão, e o toque quente dele contra sua pele gelada foi como um bálsamo em meio ao seu desespero.
Alessandro a guiou pelo caminho secreto no telhado, com os passos precisos e seguros de quem conhecia cada curva, cada ponto cego da mansão dos Vitale. O ar frio da noite cortava suas peles, e Alessandro manteve Giuliana próxima ao seu corpo enquanto atravessavam as telhas inclinadas. Giuliana seguia seus movimentos, o coração disparado, o corpo ainda trêmulo, mas o medo começava a ceder lugar a uma frágil esperança de que poderia fugir de Lucca..
Quando chegaram ao quarto de Alessandro, no outro extremo da mansão, ele trancou a porta. Seus ombros relaxaram, enquanto se virava para Giuliana, e ele pôde realmente olhá-la. O vestido que Giuliana usava, estava rasgado revelando parte do seu corpo e da pele marcada por arranhões e hematomas vermelhos, provas visíveis da crueldade de Lucca. Seus cabelos caíam em mechas desordenadas, emoldurando um rosto que, mesmo exausto e assustado, carregava uma beleza que o fez prender a respiração por um instante. Seu maxilar se contraiu, os olhos brilhavam com raiva que ele engoliu em silêncio, praguejando mentalmente, cada palavrão carregado de ódio por Lucca e por tudo que ele representava, mas também por si mesmo, por não ter agido antes e evitado que Giuliana passasse por momentos de terror nas mãos dele.
Giuliana, encolhida no canto do quarto, parecia uma sombra de si mesma. Os olhos grandes e assustados percorriam o ambiente, analisando as paredes de pedra, a cama coberta por uma colcha escura, e uma escrivaninha repleta de papéis. Ela buscava qualquer sinal de perigo, como um animal acuado. Alessandro suavizou a expressão ao perceber o quanto ela estava quebrada, o quanto cada som parecia fazê-la estremecer. Ele deu um passo para trás, mantendo a distância, tentando não assustá-la mais do que ela já estava.
_Você está segura aqui… disse com a voz baixa, quase um sussurro, carregada de uma convicção que ele esperava que ela acreditasse. _Ninguém vai a entrar no meu quarto sem minha permissão, e eu prometi que vou dar um jeito de tirá-la desta casa. Mas primeiro, você precisa se acalmar.
Giuliana concordou com a cabeça, um movimento quase imperceptível, mas seu corpo permanecia rígido, os ombros curvados como se esperasse que o chão se abrisse sob seus pés a qualquer momento. Alessandro observou-a por mais um segundo, notando como a luz suave da luminária no canto do quarto desenhava sombras delicadas em seu rosto, realçando os traços que ele, sem querer, já havia memorizado na primeira vez que ser viram. A arco das sobrancelhas, o contorno dos lábios, a curva do pescoço. Havia algo nela que o atraía como um ímã, algo que ia além da piedade ou da simples vontade de protegê-la ou retribuir o fato dela ter salvado sua vida. Era admiração e um desejo que ele nunca havia sentido por outra mulher, mas que queimava em seu peito enquanto a via ali, tão vulnerável e, ainda assim, tão viva.
Alessandro foi até o closet, pegando uma camisa branca, e voltou-se para ela, aproximando-se com cuidado, entregando a peça de roupa.
_Tome um banho. Vai te ajudar a se sentir melhor. Disse, indicando o banheiro com um aceno de cabeça. _Use essa camisa. Ficará mais confortável.
Giuliana hesitou, os dedos trêmulos segurando o tecido da camisa. Alessandro permaneceu parado, dando espaço a ela, respeitando seu tempo.
_Ninguém vai te machucar aqui. Eu prometo. — reforçou Alessandro, sério e ao mesmo tempo acolhedor.
Ela finalmente se moveu, com passos curtos e inseguros em direção ao banheiro, a camisa agarrada contra o peito como um escudo. Ao fechar a porta atrás de si, permitiu-se respirar, uma respiração profunda e trêmula que parecia o primeiro sinal de vida após um longo período de sufocamento. Alessandro ficou do lado de fora, o olhar fixo na porta fechada, os braços cruzados sobre o peito enquanto tentava organizar os pensamentos.
Sua mente já trabalhava em estratégias, avaliando todas as saídas possíveis da mansão, considerando seus aliados e se devia confrontar Lucca diretamente. Ele conhecia os pontos fracos da propriedade, os horários dos soldados, os caminhos que poderiam levá-los para fora sem serem vistos. Mas, no fundo, além da vontade de protegê-la, havia algo mais, uma necessidade quase visceral de mantê-la longe de Lucca, de todos os perigos que a cercavam, e talvez, trazê-la para mais perto de si. Alessandro não era homem de se deixar levar por sentimentos, nunca tinha se apaixonado, mas Giuliana mexia com ele de uma forma que ele não podia ignorar. Cada vez que olhava para ela, sentia raiva por ver que ela tinha sido machucada, e a atração que sentia, crescia como uma fogueira que queimava ardentemente. Ele sabia que a protegeria com a própria vida, mas o que o assustava era perceber que, talvez, quisesse mais do que apenas salvá-la, queria conhecê-la, entendê-la, e, quem sabe, fazer parte do mundo que ela carregava dentro de si.
Seus pensamentos foram cortados quando escutou um ruído no corredor. Ao olhar pelas câmaras, Alessandro viu os homens de Lucca vasculharem todos os cômodos da casa, e eles estavam cada vez mais próximos do seu quarto.
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Atualizado até capítulo 65
Comments
Flaviana Chaves
querida autora não demora muito pra colocar mais capítulos por favor mais mais mais mais mais mais mais mais mais mais mais mais mais mais mais mais mais mais mais mais já estou louca pra lê pra mais mais mais mais mais mais mais mais mais mais mais mais mais mais mais mais mais mais mais mais mais mais mais mais mais
2025-03-06
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Érica Reis
Tira ela dessa mansão por favor, esconde ela em um lugar seguro, com ela desaparecida o louco vai ficar desestabilizado e desesperado pra encontrar ela chegando na fazer besteira tenho certeza disso... ela. se acha esperto demais, mas é um louco
2025-03-06
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Kellyla Nunes
Autora, já quero ver os mafiosos em ação, de preferência arrancando o couro do Luca ainda vivo, tirando todos os seus dedos com alicates e pode furar os dois olhos desse infeliz, não sei em que momento me tornei uma malvadona.
2025-03-06
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