Nik abriu os olhos, a luz branca e intensa cegando-o momentaneamente. Seu corpo estava frio, e um arrepio percorreu sua espinha ao perceber sua situação. Ele estava apenas de cueca, deitado sobre uma mesa cirúrgica metálica. As tiras apertadas em seus pulsos e tornozelo esquerdo cortavam sua circulação, e sua boca estava selada com fita adesiva, abafando qualquer tentativa de grito.
Seu peito subia e descia rapidamente, o pânico tomando conta de cada fibra de seu ser. Ele tentou se mexer, mas os cintos de couro seguravam seus braços com força contra a superfície gelada.
Respiração pesada. Coração acelerado.
Seu olhar desesperado se moveu pelo ambiente. O lugar era extremamente iluminado, as paredes e o chão brancos, mas manchados com salpicos de sangue seco. O cheiro de água sanitária misturado ao ferro do sangue o fez engasgar.
Ferramentas.
Ao seu lado, uma bancada de aço inoxidável exibia uma fileira de instrumentos cirúrgicos: bisturis, serras, alicates e pinças. Todas cobertas de sangue. Algumas gotas ainda estavam frescas, escorrendo lentamente pelo metal brilhante.
O estômago de Nik se revirou.
Onde estava Loki?
Ele virou a cabeça de um lado para o outro, mas não viu ninguém. Apenas aquele silêncio absoluto, como se estivesse isolado do mundo. Ele tentou puxar os braços novamente, mas o aperto nas tiras era implacável.
Uma pontada de desespero o atingiu. Ele não sabia como tinha chegado ali. A última coisa de que se lembrava era estar na casa de Loki, sentindo o corpo falhar depois de beber aquele maldito copo d’água. Agora estava deitado, exposto e vulnerável.
Seus olhos se encheram de lágrimas. Ele não queria morrer ali.
De repente, o som de passos ecoou. Lentos, calculados.
Nik prendeu a respiração, sentindo o suor frio escorrer por sua pele. O som vinha de trás dele. Ele não conseguia virar a cabeça o suficiente para ver.
O silêncio se prolongou por um instante, aumentando ainda mais sua angústia. Então, um barulho metálico de algo sendo arrastado fez seu coração disparar.
Alguém estava ali.
A mão invisível do medo apertou seu peito.
Ele ouviu um suspiro satisfeito, e então uma voz conhecida sussurrou, bem perto de seu ouvido:
— Ah… Finalmente acordado.
Nik congelou.
Loki.
Seu corpo inteiro tremeu. Ele sentiu o hálito quente contra sua pele, e o som de algo sendo colocado sobre a bandeja metálica ao lado dele.
— Você dormiu bastante — Loki continuou, sua voz calma, quase gentil. — Mas eu sabia que você acordaria logo. Eu queria que estivesse consciente para essa parte.
Nik apertou os olhos, tentando conter as lágrimas. Seu corpo estava preso, sua boca selada. Ele não podia implorar, não podia gritar.
Loki riu baixinho, passando um dedo gelado pelo pescoço exposto de Nik.
— Não faça essa cara, príncipe. Vai ser divertido. Para mim, pelo menos.
Nik começou a se debater, puxando os braços com força, mas o aperto nos cintos não cedeu. Seu coração batia contra suas costelas como um tambor acelerado.
Loki pegou algo da bandeja ao lado. O brilho do metal reluziu sob as luzes.
— Sabe… Eu gosto de ver o medo nos olhos das pessoas. Mas em você? — Loki sorriu, inclinando-se para que Nik pudesse vê-lo pela primeira vez. Seus olhos estavam escuros, um brilho cruel os iluminava. — Em você, isso é particularmente fascinante.
Ele ergueu a lâmina.
Nik prendeu a respiração, sua mente gritando em puro terror.
E então… O corte veio.
Nik sentiu a lâmina deslizar pela pele, um corte profundo e ardente rasgando seu braço. O sangue quente escorreu rapidamente, tingindo a mesa cirúrgica de vermelho. Ele tentou se contorcer, mas as tiras seguiam firmes, impedindo qualquer fuga. Sua respiração estava frenética, e cada batida de seu coração fazia o sangue fluir ainda mais rápido pela ferida aberta.
De repente, um estrondo ensurdecedor preencheu o ambiente. Loki, tomado por uma fúria repentina, pegou a cadeira em que estava sentado e a arremessou contra a parede. O impacto fez Nik fechar os olhos instintivamente, sua mente em alerta máximo.
O silêncio durou apenas um segundo antes de ser quebrado por um grito.
— VOCÊ REALMENTE TÁ COM TESÃO?!
Loki riu, um som estridente e carregado de surpresa. Seus olhos estavam arregalados, quase insanos, enquanto olhava para Nik como se tivesse descoberto algo inacreditável.
— Você realmente é uma puta, não é?
Nik não conseguia entender o que estava acontecendo. O medo pulsava em suas veias, e sua mente girava entre a dor do corte, o frio da mesa e a voz de Loki ecoando pelo cômodo.
Foi então que Loki se inclinou sobre ele e agarrou seu pescoço com as mãos grandes e fortes.
O toque era feroz, os dedos apertando sua garganta sem piedade. O ar começou a faltar, e Nik arregalou os olhos, tentando se soltar, mas suas forças estavam desaparecendo.
— Seu... Seu... — Loki balbuciou entre dentes cerrados, seus olhos fixos em Nik, como se tentasse processar algo que não conseguia aceitar.
Nik piscou lentamente, sua visão começando a falhar. Sua cabeça latejava, sua pele formigava, e então ele revirou os olhos.
Loki franziu o cenho, seu olhar descendo para o corpo do menor. Foi quando ele viu.
A cueca de Nik estava molhada.
O silêncio foi absoluto por alguns segundos.
Então Loki arregalou os olhos e rosnou.
— Seu lunático... Você fez isso só porque eu apertei seu pescoço?!
Sua expressão se contorceu em algo que misturava nojo e raiva. Ele segurou ainda mais forte, seus dedos quase cravando na pele de Nik.
— Saiba que eu não sou gay! Eu odeio pessoas como você!
Ele apertou, apertou e apertou...
Até que Nik parou de se mexer.
Seu corpo ficou mole. Sua respiração ficou ausente.
O silêncio caiu sobre o cômodo.
Loki continuou segurando o pescoço de Nik, sua mente girando. Sua respiração estava pesada, seu coração batia descompassado.
Ele soltou um riso fraco e trêmulo.
— Que droga foi essa...?
Ele olhou para Nik, seu rosto inexpressivo, seus olhos semicerrados.
Por um momento, um pensamento frio cruzou sua mente.
Será que ele está morto?
Loki se aproximou lentamente de Nik, seus olhos analisando cada detalhe do rosto imóvel do jovem. Sua expressão era indecifrável, um misto de fascínio e repulsa. Ele hesitou por um momento antes de estender a mão e pressionar dois dedos contra o pescoço de Nik.
Batimentos fracos. Mas ainda estava vivo.
Loki soltou um suspiro pesado, quase frustrado. Ele não sabia exatamente o que esperava sentir ao tocá-lo, mas uma onda de irritação percorreu seu corpo.
Ele se afastou, começando a andar em círculos ao redor da maca, seus pés ecoando contra o chão de azulejos. Sua mente estava acelerada, e sua respiração, descompassada.
Por que ele ainda estava vivo?
Seus dedos deslizaram involuntariamente pela ferida no pescoço de Nik. O sangue ainda estava fresco, quente, e a sensação da pele cortada sob seus dedos o fez estremecer.
Loki puxou a mão de volta bruscamente, como se tivesse sido queimado. Seu olhar escureceu.
— Eu deveria matá-lo de uma vez... — murmurou, as palavras saindo entre dentes cerrados. Seu maxilar estava travado, e seus olhos ardiam em fúria.
Mas, então, um sorriso enviesado surgiu em seus lábios.
— Mas eu quero brincar com ele mais um pouco.
Ele riu baixo, um som carregado de ansiedade e algo mais profundo — algo que ele não queria nomear.
Mas e se...?
A dúvida veio como um golpe repentino.
E se fosse perigoso?
E se esse maldito vírus dos gays o pegasse?
Loki sentiu um arrepio percorrer sua espinha, e, num acesso de raiva, chutou a mesa de ferramentas ao lado da maca. O impacto fez os instrumentos cirúrgicos caírem no chão com um estrondo metálico, o barulho ecoando pelo cômodo.
— QUE NOJO DESSAS MERDAS DE GAY! — ele gritou, sua voz carregada de ódio e confusão.
Ele ofegava, seu corpo tenso, seus punhos cerrados. Seu olhar voltou para Nik, que permanecia imóvel sobre a maca.
O peito de Loki subia e descia com força, seu coração martelando dentro do peito.
Ele apertou os olhos, tentando afastar a tempestade dentro de sua mente.
— Por que eu fui atrás dele...?
O pensamento martelava em sua cabeça como uma maldição.
Ele não sabia a resposta.
E isso o deixava ainda mais furioso.
Loki pegou a faca do chão com firmeza, seus dedos apertando o cabo de metal frio. Sua respiração estava pesada, seu coração martelava dentro do peito. Ele se aproximou da maca onde Nik ainda estava desacordado, os cortes e marcas em sua pele expostos sob a luz forte.
Ele ergueu a lâmina, pronto para terminar aquilo de uma vez.
Mas então…
Seus olhos pousaram no rosto de Nik.
A expressão adormecida, os lábios rosados e entreabertos, a respiração lenta.
Loki engoliu em seco.
Ele sentiu um arrepio percorrer seu corpo, algo quente e desconhecido se espalhando por suas veias.
Seus olhos desceram lentamente.
O pescoço fino, delicado, vulnerável. Tão fácil de apertar...
Mais abaixo, a clavícula, os ombros magros.
E então... os mamilos rosados de Nik, a pele pálida contrastando com a tonalidade suave.
Loki sentiu um nó na garganta.
O que diabos estava acontecendo com ele?
Seu corpo inteiro tremeu quando percebeu a resposta.
O desejo.
Aquele maldito desejo que não deveria estar ali.
Ele deu um passo para trás, sua mente gritando em confusão.
Seus olhos arregalaram ao olhar para baixo... e perceber o estado em que estava.
O ar ficou preso em sua garganta.
A faca caiu de sua mão, o barulho do metal ecoando no cômodo silencioso.
Sem pensar, sem raciocinar, sem querer enfrentar o que aquilo significava...
Loki virou-se e correu.
Subiu as escadas rapidamente, suas mãos trêmulas agarrando a alavanca da porta no teto. Com um empurrão forte, ele saiu daquele lugar sufocante, seu coração disparado, sua mente um caos absoluto.
Ele precisava sair dali.
Precisava esquecer o que tinha acabado de sentir.
Loki ligou a TV, tentando ocupar sua mente com qualquer coisa que afastasse o que havia sentido momentos atrás. Escolheu um filme para maiores de 18 anos, repleto de mulheres provocantes e corpos expostos.
Ele se forçou a sentir algo, a se concentrar nelas, nos movimentos, no desejo que deveria surgir naturalmente.
Mas, conforme os minutos passavam, algo estava errado.
Aquilo não funcionava.
O desejo sumiu. Ficou mole.
Loki olhou para si mesmo, frustrado. Um misto de raiva e confusão o tomou.
— O que aquele garoto fez comigo? — murmurou entre dentes, sua expressão se contorcendo em desgosto.
Ele apertou os punhos, sentindo a fúria crescer dentro de si.
— Deve ser esse maldito vírus!
A ideia o deixou ainda mais irritado. Ele se levantou, sem nem se preocupar em vestir algo. Seu corpo nu brilhava sob a luz fraca da sala, os músculos tensionados pelo ódio crescente.
Ele marchou de volta ao porão.
Precisava consertar isso. Precisava acabar com Nik.
Descendo as escadas rapidamente, Loki abriu a porta com força. Seus olhos imediatamente encontraram Nik, acordado.
O garoto levantou o olhar para ele e, no segundo seguinte, virou o rosto, corando levemente.
"Ele não é só alto... também é muito grande."
O pensamento surgiu na mente de Nik contra sua vontade, e ele odiou a si mesmo por isso.
Loki, no entanto, estava longe de perceber qualquer coisa sutil. Ele estava furioso.
— Seu maldito... o que você fez comigo?! — gritou, sua voz carregada de raiva e frustração.
Nik manteve o rosto virado, tentando ignorá-lo, mas Loki não queria ser ignorado.
Ele olhou ao redor e avistou um pedaço de ferro no chão.
Sem hesitar, o pegou e caminhou até a maca, o objeto pesado em sua mão.
— Seu... — ele rosnou, levantando o ferro.
Antes que Nik pudesse reagir, Loki desceu o golpe com força contra sua perna.
O barulho de algo possivelmente quebrando ecoou pelo porão, seguido pelo grito abafado de Nik, ainda com a boca selada pela fita.
Loki respirava pesado, seus olhos brilhando com uma mistura de ódio e algo mais profundo... algo que ele não queria admitir.
Mas Nik sentiu.
E isso o fez temer ainda mais.
CONTINUA....
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Atualizado até capítulo 20
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