O caminho de volta para a fazenda foi marcado por um silêncio denso, carregado de algo que nem Henrique nem Isabela ousavam nomear. A tensão entre eles era palpável, como se o ar estivesse eletrizado desde o momento em que ele dissera, sem rodeios, que a queria para si.
Isabela olhava pela janela da caminhonete, tentando organizar os próprios pensamentos. Henrique dirigia firme, mas sua expressão séria revelava que sua mente também estava longe dali.
Foi só quando começaram a se aproximar da fazenda que ele quebrou o silêncio.
— Sobre o que eu disse na cidade…
Ela virou o rosto para ele, esperando.
— Eu falei sério — continuou, apertando levemente o volante. — Não quero fingir que não sinto nada quando estou perto de você.
O coração dela acelerou.
— Henrique… isso é complicado.
— Por que complicamos o que já está claro?
Isabela mordeu o lábio, lutando contra a onda de sentimentos que ameaçava tomá-la por completo.
— Você ainda está lidando com muita coisa — ela disse, com cuidado.
Henrique suspirou, diminuindo a velocidade quando entraram no terreno da fazenda.
— Eu sei. Mas isso não muda o que sinto quando estou com você.
Ela desviou o olhar, incapaz de responder de imediato. Sentia o mesmo, mas uma parte dela temia se envolver demais e acabar se machucando.
Henrique parou a caminhonete em frente ao celeiro e virou-se para ela.
— Olha para mim, Isabela.
Ela obedeceu, encontrando aqueles olhos castanhos intensos, carregados de emoções.
— Eu não estou dizendo que preciso de uma resposta agora. Só quero que saiba que o que acontece entre nós é real.
Isabela sentiu um frio na barriga. Ele estava ali, vulnerável, sincero. E isso mexia com ela mais do que queria admitir.
Um chamado ao longe quebrou o momento. Antônio acenava para eles, avisando sobre uma questão com o gado.
Henrique soltou um suspiro frustrado antes de sair do carro.
— Essa conversa ainda não acabou — ele disse, lançando um último olhar para ela antes de seguir até Antônio.
Isabela ficou ali por alguns segundos, sentindo o peso de suas palavras e percebendo que, mais cedo ou mais tarde, teria que aceitar o que seu coração já sabia.
A tarde na fazenda estava tranquila, mas o peso da conversa entre Isabela e Henrique ainda pairava no ar. Ela tentou se concentrar no trabalho, mas algo dentro dela não a deixava se distrair por completo. Henrique havia sido claro, talvez até demais. Mas ela não sabia como lidar com a intensidade do que estava sentindo.
Depois de terminar as tarefas com os animais, Isabela se dirigiu até o chalé, precisando de um tempo para si mesma. A brisa fresca da tarde entrava pelas janelas abertas, mas ela não conseguia se livrar da sensação de que havia algo em jogo agora. Algo que não poderia ser ignorado por mais tempo.
No caminho para o chalé, ela encontrou Henrique no jardim da casa principal, conversando com Antônio. Ele sorriu ao vê-la e fez um gesto com a mão.
— Isabela! — chamou ele, vindo em sua direção.
Ela parou, indecisa. Henrique parecia tão natural, tão à vontade, mas ela sentia que algo havia mudado entre eles, como se o peso das palavras não ditas estivesse sempre presente.
— Você tem um minuto? — ele perguntou, mais suavemente.
Ela hesitou por um instante antes de dar um passo à frente, permitindo que ele se aproximasse.
— Claro.
— Eu sei que temos muitas coisas para resolver, mas… — ele parou, parecendo pesar as palavras antes de continuar. — Eu quero que saiba que não estou com pressa, Isabela. Eu quero que isso aconteça no nosso tempo, mas não posso ignorar o que sinto por você.
Isabela engoliu em seco, sentindo o peito apertado. Ela sabia que não poderia mais fugir de seus próprios sentimentos.
— Eu também sinto o mesmo, Henrique — disse ela, sua voz quase um sussurro. — Mas é difícil…
Henrique a observou com atenção, e ela sentiu a intensidade do olhar dele. Ele sabia que ela estava resistindo, mas não parecia disposto a deixar isso se arrastar por mais tempo.
— Eu entendo, mas a vida é curta demais para esperar. Eu já perdi tanto, Isabela. Não quero perder a chance de viver algo bom. Algo verdadeiro.
Ele deu um passo mais perto, como se tentasse mostrar, sem palavras, a vulnerabilidade que estava escondida atrás da sua fachada confiante.
— Então, o que você quer agora? — Isabela perguntou, tentando manter a compostura.
Henrique sorriu suavemente.
— Eu só quero que me dê a chance de mostrar o que posso ser para você.
Isabela sentiu o calor do sol desaparecer à medida que o céu começava a escurecer, mas, ao mesmo tempo, algo dentro dela parecia se aquecer. Ela sabia que não poderia voltar atrás. O que quer que acontecesse entre ela e Henrique, já estava em movimento.
— Eu vou pensar no que você disse — ela respondeu, mais tranquila.
Ele assentiu, sem pressioná-la, e deu um passo atrás.
— Não apresse as coisas, Isabela. Só saiba que eu estarei aqui, independente do tempo que levar.
Ela olhou para ele, sentindo algo novo surgir em seu coração, algo que ela não podia ignorar.
***Faça o download do NovelToon para desfrutar de uma experiência de leitura melhor!***
Atualizado até capítulo 70
Comments
Daisy Conceicao
eu não entendo ela,no beijo disse que não queria esquecer,e agora que ele fala que quer ficar com ela,ela se faz de difícil
2025-02-25
0
Vanusa Crispim Da Silva
Isabela parte pra cima mulher
2025-02-24
0
Anonymous
Mais capitulos
2025-02-22
1