A estrada de terra ainda estava molhada da tempestade que os havia surpreendido, e o som dos pneus deslizando na lama preenchia o silêncio carregado entre Henrique e Isabela. A caminhonete avançava lentamente pela trilha de volta à fazenda, enquanto ambos pareciam imersos em seus próprios pensamentos.
Henrique mantinha as mãos firmes no volante, mas sua mente ainda estava presa à conversa que tiveram no carro. A forma como Isabela falava com paixão sobre sua profissão, a determinação em seguir seu próprio caminho, a maneira como seus olhos brilhavam quando falava dos animais… Tudo isso havia mexido com ele mais do que gostaria de admitir.
Já Isabela não conseguia esquecer o olhar de Henrique enquanto ele contava sobre sua vida antes de voltar para a fazenda. O peso da perda ainda estava presente nos olhos dele, mas também havia uma faísca ali—algo que ela não sabia definir, mas que a fazia querer entender mais sobre aquele homem tão misterioso.
Quando finalmente chegaram à fazenda, o céu já estava limpo, revelando um manto estrelado que iluminava a noite. A chuva agora era apenas uma garoa fina, que molhava de leve o chão e trazia um frescor ao ar.
Henrique parou o carro em frente ao chalé de Isabela e desligou o motor. Por um momento, ele apenas ficou ali, as mãos apoiadas no volante, antes de virar-se para ela.
— Chegamos — ele disse, a voz mais rouca do que o normal.
Isabela assentiu e sorriu de leve.
— Obrigada pela carona… e pela companhia inesperada.
Henrique esboçou um sorriso torto.
— O inesperado às vezes é bom.
Ela abriu a porta e desceu, sentindo o cheiro da terra molhada misturado ao perfume amadeirado que Henrique sempre exalava. Ele também saiu do carro, caminhando ao lado dela até a pequena varanda de madeira do chalé.
Os passos eram lentos, como se ambos quisessem prolongar aquele momento. A luz amarelada do chalé iluminava o rosto de Isabela de um jeito suave, destacando seus traços delicados. Henrique percebeu como algumas mechas de seu cabelo ainda estavam úmidas, coladas à pele.
Ela parou na porta e virou-se para ele, abraçando a si mesma para afastar o frio.
— Acho que agora sim posso dizer boa noite.
Henrique soltou um leve riso, mas não respondeu de imediato. Ele apenas ficou ali, parado a poucos centímetros dela, os olhos escuros analisando cada detalhe de seu rosto.
Isabela sentiu seu coração acelerar. Havia algo diferente na forma como ele a olhava agora. Algo que fazia sua pele formigar.
Henrique ergueu uma das mãos lentamente e, com delicadeza, afastou uma mecha de cabelo molhado do rosto dela. Seu toque era quente contra sua pele fria, e Isabela prendeu a respiração.
— Você tem ideia do quanto me deixa intrigado, doutora? — ele murmurou, sua voz baixa e rouca, carregada de algo que fazia um arrepio percorrer a espinha dela.
Isabela umedeceu os lábios, sentindo o olhar dele descer sutilmente até sua boca.
— Não sei… você é um mistério para mim também.
Henrique soltou um suspiro profundo, como se estivesse lutando contra algo dentro de si. Mas então, em um movimento decidido, ele a puxou suavemente pela cintura, eliminando a distância entre os dois.
O beijo começou lento, como se ambos estivessem explorando o que aquilo significava. Os lábios dele eram firmes, mas gentis, movendo-se contra os dela com uma precisão que fez Isabela se perder completamente no momento.
As mãos de Henrique deslizaram até a base das costas dela, puxando-a para mais perto, enquanto os dedos de Isabela se entrelaçavam nos cabelos ainda úmidos dele. A respiração de ambos estava acelerada, e o frio da noite foi rapidamente substituído pelo calor crescente entre eles.
Henrique aprofundou o beijo, explorando-a com mais intensidade, como se estivesse tentando gravar aquele momento em sua memória. Isabela se entregou, sentindo seu corpo inteiro responder ao toque dele.
Quando finalmente se afastaram, ainda ofegantes, Henrique encostou sua testa na dela, os olhos fechados por um instante.
— Isso não estava nos meus planos — ele murmurou, o polegar acariciando suavemente a lateral do rosto dela.
Isabela abriu um sorriso de canto, ainda sentindo os lábios formigarem.
— Nem nos meus… mas não foi tão ruim assim.
Henrique riu baixinho, abrindo os olhos para encará-la.
— Definitivamente não foi.
Por alguns segundos, eles ficaram ali, apenas respirando o mesmo ar, ainda próximos o suficiente para sentir o calor um do outro.
Então, Henrique soltou um longo suspiro e deu um passo para trás, como se tentasse recuperar o controle sobre si mesmo.
— Melhor eu ir… antes que o inesperado fique ainda mais complicado.
Isabela riu de leve, cruzando os braços enquanto o observava.
— Boa noite, Henrique.
Ele sorriu de lado, os olhos ainda intensos sobre ela.
— Boa noite, Isabela.
E então ele se afastou, desaparecendo na noite, deixando-a com o coração acelerado e a certeza de que aquela noite havia mudado tudo.
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Atualizado até capítulo 70
Comments
Eliene Lopes
tô gostando muito um entrosamento tranquilo,saudável sem ofensas sutil, são lindos
2025-03-25
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Raquel Martins
Que bom que rolou um 💋
2025-03-27
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Daisy Conceicao
até que fim se beijaram
2025-02-25
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