A caminhonete avançava pela estrada de terra, levantando uma fina poeira ao seu redor. O rádio tocava uma melodia sertaneja suave, mas o silêncio entre Henrique e Isabela fazia com que a música parecesse apenas um ruído de fundo.
Henrique dirigia com uma mão no volante e a outra apoiada na janela aberta. O vento bagunçava seus cabelos e ele mantinha os olhos fixos na estrada à frente, mas sua mente estava em outro lugar. O beijo da noite passada ainda o assombrava. Não só pelo desejo que despertou, mas pelo turbilhão de emoções que trouxe consigo.
Isabela, sentada ao seu lado, o observava de canto de olho. Ela notava a forma como os dedos dele apertavam o volante com um pouco mais de força do que o necessário, o modo como desviava o olhar sempre que seus olhares se cruzavam.
Ela não era ingênua. Sabia que Henrique estava lutando contra seus próprios sentimentos.
— Você está estranho — ela quebrou o silêncio, sua voz baixa, mas firme.
Henrique piscou, parecendo sair de seus pensamentos.
— O quê?
— Desde que saímos, você não disse quase nada. Está arrependido?
Ele franziu a testa e soltou um suspiro pesado.
— Não — respondeu, sincero. — Mas...
— Mas o quê?
Henrique abriu a boca para falar algo, mas mudou de ideia e passou a mão pelos cabelos, frustrado.
— Eu só não sei o que fazer com isso — confessou.
Isabela permaneceu em silêncio por alguns segundos. Ela queria entender o que ele sentia, mas também precisava saber onde estava pisando.
— E o que exatamente é “isso”, Henrique?
Ele desviou o olhar da estrada rapidamente para encará-la, e por um instante, ela sentiu como se ele estivesse prestes a dizer algo importante. Mas então ele desviou os olhos de novo, apertando os lábios.
— Eu não sei.
Isabela sentiu um aperto no peito.
— Eu sei que não quero fingir que nada aconteceu — disse, sua voz saindo mais suave do que esperava.
Henrique assentiu devagar, absorvendo as palavras dela.
— Mas também não quero ser só um momento passageiro para você — ela completou.
Ele apertou ainda mais o volante.
— Você não é.
O silêncio voltou a se instalar entre eles, carregado de algo indefinido, mas intenso.
Alguns minutos depois, a cidade começou a surgir no horizonte. Era pequena, com ruas de paralelepípedo e casas simples, mas acolhedoras. No centro, algumas lojinhas dividiam espaço com um mercado e uma praça onde moradores conversavam animadamente.
Henrique estacionou a caminhonete em frente à loja de rações e desligou o motor. Mas, antes de sair, virou-se para Isabela.
— Eu não te vejo como algo passageiro.
A confissão fez o coração dela disparar.
— Então me mostra isso, pois ficar calado é estranho de mais pra mim e só faz com que eu sinta que o que aconteceu foi errado — respondeu, sua voz um sussurro carregado de expectativa.
Henrique segurou o olhar dela por um longo instante antes de finalmente abrir a porta e sair.
E naquele momento, Isabela teve certeza de que algo estava prestes a mudar entre eles.
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Atualizado até capítulo 70
Comments
Vanusa Crispim Da Silva
tomar uma atitude homem /Slight/
2025-02-24
1
Daisy Conceicao
ele ainda está preso a falecida dele
2025-02-25
0