Após carregarem os sacos de ração na caminhonete, Henrique e Isabela decidiram passar em uma pequena venda no centro da cidade para comprar algumas coisas para a fazenda. O lugar era simples, com prateleiras de madeira recheadas de produtos caseiros, como queijos, doces e compotas. O aroma de café recém-passado se misturava ao cheiro de pão assado, criando um ambiente acolhedor.
Assim que entraram, foram recebidos por Dona Cida, a simpática dona do estabelecimento.
— Henrique Monteiro! — exclamou ela, arregalando os olhos. — Meu Deus do céu, achei que nunca mais ia te ver por aqui!
Henrique sorriu de lado.
— Pois é, Dona Cida, resolvi sair um pouco da toca.
A senhora enxugou as mãos no avental e se aproximou, olhando de relance para Isabela antes de voltar a encarar Henrique com curiosidade.
— Então quer dizer que agora você anda bem acompanhado?
Isabela sentiu as bochechas esquentarem, mas antes que pudesse responder, Henrique foi mais rápido.
— Essa é a doutora Isabela, veterinária nova da fazenda.
— Ah, muito prazer, querida! — Dona Cida apertou a mão dela com entusiasmo. — Então é você que tá cuidando dos bichos lá do Henrique?
— Sim, senhora. Eles são minha paixão — Isabela respondeu com um sorriso simpático.
Dona Cida assentiu, satisfeita, e então deu um tapinha no braço de Henrique.
— Mas olha, você apareceu bem na hora certa!
— Por quê? — ele perguntou, pegando um pote de doce de leite da prateleira.
— Porque esse fim de semana vai ter o Festival da Colheita! Você sabe, música ao vivo, comida boa e muita gente animada. Você não pode perder!
Henrique arqueou as sobrancelhas.
— Festival da Colheita? Achei que tinham parado com isso há uns anos.
— Paramos, mas esse ano resolvemos trazer de volta. E vou te dizer uma coisa, menino... A cidade inteira sente falta de te ver cantando.
Ele riu baixo, balançando a cabeça.
— Não sei se estou pronto para isso, Dona Cida.
Ela cruzou os braços e o olhou com firmeza.
— Ah, pronto nada! Você nasceu para cantar. Olha, se não quiser subir no palco, tudo bem, mas pelo menos vá ao festival.
Henrique hesitou, olhando para Isabela, que o observava com interesse.
— Eu adoraria conhecer o festival — ela comentou.
Dona Cida sorriu, percebendo a deixa.
— Tá vendo? Leva a moça pra conhecer a festa. Tenho certeza que vocês vão se divertir.
Henrique suspirou, mas o canto de sua boca se ergueu em um meio sorriso.
— Tudo bem, Dona Cida. Vamos ao festival.
A senhora bateu palmas, satisfeita.
— Isso que é resposta! E olha, Henrique, se por acaso der vontade de cantar uma música... O palco sempre vai estar aberto pra você.
Ele não respondeu, mas o olhar distante denunciava que aquela ideia tinha mexido com ele mais do que gostaria de admitir.
Enquanto saíam da venda e voltavam para a caminhonete, Isabela olhou para ele de soslaio.
— Você está pensando em cantar?
Henrique abriu um pequeno sorriso.
— Não sei. Mas uma coisa de cada vez, né? Primeiro, vamos ao festival.
Isabela sorriu, sentindo que aquela noite prometia mais do que apenas uma simples festa.
Talvez, sem perceber, Henrique estivesse dando mais um passo para reencontrar a parte de si que ficou para trás.
***Faça o download do NovelToon para desfrutar de uma experiência de leitura melhor!***
Atualizado até capítulo 70
Comments