O novo dia começou cedo na fazenda. O sol ainda despontava no horizonte quando Isabela saiu do chalé, já vestida para o trabalho. O cheiro da terra úmida misturava-se ao aroma do café fresco vindo da cozinha principal, e o som dos animais despertando preenchia o ar.
Caminhando em direção ao estábulo, ela notou que Henrique já estava por ali. Ele conversou com Antônio sobre o que precisaria de reparos após a tempestade da noite anterior. Seu tom era firme, mas tranquilo.
— Se não quebrarmos até amanhã, os bois podem escapar para a estrada — dizia ele, passando a mão pela barba, pensativo.
— Vou mandar os rapazes cuidarem disso agora cedo — respondeu Antônio.
Henrique concordou e então viu a presença de Isabela. Seus olhos a analisaram por um instante, mas, diferente dos outros dias, ele não desviou o olhar.
— Bom dia, doutora.
Ela sorriu de leve.
—Bom dia. Animado para mais um dia de trabalho?
— Animado talvez não seja a palavra certa — ele disse, cruzando os braços. — Mas estou aqui, então acho que isso já conta.
Isabela soltou um risoto baixo.
— Para quem não está animado, você acorda cedo demais.
Henrique deu de ombros.
— Hábito.
Eles caminharam juntos até o estábulo, onde Isabela começou a examinar alguns dos cavalos mais jovens. Ela observava cada detalhe — os olhos atentos, os cascos bem cuidados, a respiração ritmada.
Henrique a observava enquanto ela trabalhava. Havia algo fascinante na maneira como ela lidava com os animais: delicada, mas ao mesmo tempo firme e segura.
— Você parece gostar muito do que faz — ele comentou, encostando-se na cerca.
Isabela ofereceu sem tirar os olhos do cavalo que acariciava.
— Gosto mesmo. Desde criança, sabia que queria trabalhar com animais. Meu pai disse que eu vivia trazendo gatos e cachorros de rua para casa.
— E sua família? Sempre apoiou?
Ela se chamou e olhou para ele.
– Sim. Meus pais sempre cultivaram meus sonhos. Minha mãe é professora, e meu pai trabalha como engenheiro agrônomo, então o amor pela natureza sempre esteve presente em minha casa.
Henrique assentiu, pensativo.
— Deve ser bom ter esse apoio.
Isabela vê o tom diferente na voz dele.
— E você? Como era sua família antes da música?
Ele ficou em silêncio por um instante, como se não soubesse se deveria responder.
— Meu pai era um homem rígido — começou, olhando para o horizonte. — Trabalhava duro para manter a fazenda e perdeu que a música era uma perda de tempo.
— Mas você insistiu.
Henrique soltou um riso baixo, sem humor.
— Insiste. Contra a vontade dele. Saí de casa cedo para tentar uma carreira. Só voltei anos depois, quando as coisas já tinham mudado.
Isabela sentiu que havia mais naquela história do que ele estava disposto a contar. Mas, ao invés de pressioná-lo, apenas disse:
— Parece que, no fim, você encontrou seu lugar.
Henrique desviou o olhar para ela, como se tentasse entender o que aquelas palavras realmente queriam.
— Talvez.
Antes que pudesse continuar a conversa, um funcionário se mudou, avisando que um bezerro recém-nascido parecia estar com dificuldades para se alimentar.
Isabela se apressou para ajudar, e Henrique a acompanhou.
Enquanto caminhavam lado a lado, ele descobriu que fazia muito tempo desde que alguém o fazia se sentir assim: confortável, compreendido, sem precisar dizer muito.
E, pela primeira vez em anos, senti que talvez fosse possível baixar a guarda.
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Atualizado até capítulo 70
Comments
Vanusa Crispim Da Silva
👍👍👍👍👍👍👍👍
2025-02-24
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