O som do despertador ecológicoou no pequeno chalé, trazendo Isabela de volta à realidade. Ainda sonolenta, ela se espreguiçou e olhou o horário no celular. 5h30.
Henrique não estava brincando quando disse que começaram cedo.
Vestindo uma calça jeans confortável, botas e uma camisa xadrez de mangas arregaçadas, ela prendeu o cabelo em um rabo de cavalo e saiu rumo aos estábulos. O sol ainda estava nascendo, pintando o céu em tons de laranja e rosa, enquanto a brisa fresca da manhã trazia o cheiro de terra molhada e feno.
Quando chegou ao estábulo, encontrou Antônio escovando um dos cavalos.
— Bom dia, Antônio! — cumprimentou com animação.
— Bom dia, doutora Isabela! Você está pronto para o primeiro dia?
— Sempre! O que temos para hoje?
Antes que Antônio pudesse responder, Henrique apareceu. Trajava jeans surrados, botas de couro e uma camisa preta com os primeiros botões abertos. Mesmo sem se esforçar, ele parecia a definição de um astro de cinema. Mas o olhar sério e distante o faria parecer intocável.
— precisamos verificar alguns cavalos que chegaram há poucos dias. Quero saber se estão em boas condições. Depois, temos que cuidar de alguns bezerros — disse, sem rodeios.
— Entendido — respondeu Isabela, mantendo uma postura profissional.
Henrique apenas concordou e saiu do estábulo sem esperar por ela.
— Ele é sempre assim? — sussurrou para Antônio, que soltou uma risada baixa.
— Com todo mundo, exceto com Relâmpago.
Isabela chamou e som Henrique até a área onde os novos cavalos estavam. Enquanto verificava um deles, notou que Henrique a observava de perto.
— O que foi? — Disse, sem tirar os olhos do animal.
— Você trabalha bem com os cavalos. Tem experiência com fazendas?
— Passei boa parte da infância em uma. Meu avô tinha uma pequena propriedade e me ensinou a amar os animais. Foi por isso que escolhi ser veterinária.
Henrique concordou, parecendo satisfeito com a resposta, mas logo desviou o olhar.
— Esse aqui parece saudável, mas quero observá-lo por mais alguns dias — disse Isabela, voltando ao trabalho.
Henrique não respondeu de imediato. Apenas ficou em silêncio por um momento, como se estivesse perdido em pensamentos.
— Tudo bem. Confie no seu julgamento.
Isabela extrai os olhos para ele, surpresa. Foi a primeira vez que Henrique demonstrou confiança em alguém desde que ela chegou.
— Obrigada. Desde criança, sempre gostei de animais. Meus pais dizem que antes mesmo de aprender a andar, eu já tentava brincar com os cachorros do ambiente.
Henrique soltou um riso baixo, quase imperceptível.
— Imagine a cena.
Ela percebeu que ele estava um pouco mais relaxado, então decidiu continuar a conversa.
— E você? Sempre quis ser cantor?
Henrique ficou em silêncio por um instante, como se refletisse antes de responder.
— Não. Quando eu era criança, queria ser peão de rodeio.
Isabela arregalou os olhos, surpresa.
— Sério?
Ele concordou, um pequeno sorriso brincando em seus lábios.
— Meu pai me leva para os rodeios quando eu era pequeno. Achei incrível a coragem daqueles caras. Mas, quando comecei a tocar violão e percebi que levava jeito, as coisas mudaram.
— Bom, o mundo da música ganhou muito com essa sua escolha — disse Isabela, sincera.
Henrique desviou o olhar, seu sorriso desapareceu.
— Nem tanto.
Ela sentiu o peso da melancolia em sua voz e percebeu que, mais uma vez, tinha tocado em um assunto delicado.
Antes que eu pudesse pensar em algo para dizer, Antônio apareceu, chamando Henrique para resolver um problema na cerca do pasto.
— Terminamos por aqui? — disse Henrique.
Isabela concorda.
— Sim, os cavalos estão em ótima forma. Com um bom plano de exercícios, podemos voltar a treinar logo.
Henrique acabou de chegar com a cabeça antes de se afastar.
Ela o observou por um instante, percebendo como ele parecia carregar o peso do mundo nos ombros.
Algo dentro dela dizia que Henrique Vasconcellos era como um cavalo selvagem que precisava de tempo e paciência para confiar novamente.
E, sem perceber, Isabela estava disposta a tentar.
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Atualizado até capítulo 70
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