A pequena cidade tinha um ar acolhedor, com ruas movimentadas e moradores cumprimentando-se como velhos amigos. Isabela e Henrique caminharam juntos até a loja de rações, mas, assim que entraram, a veterinária foi atender um chamado de um dos funcionários do local, deixando Henrique sozinho por um momento.
Ele cruzou os braços e observou a movimentação, tentando ignorar o peso daquela conversa que ainda pairava entre eles. No entanto, sua atenção foi rapidamente desviada quando viu um homem se aproximando de Isabela.
Era um sujeito alto, cabelos castanhos bem arrumados e sorriso fácil. O tipo que sabia que chamava atenção.
— Isabela? — o homem disse animado.
Ela se virou, e um sorriso iluminou seu rosto.
— Pedro! Nossa, quanto tempo!
Henrique sentiu o corpo enrijecer.
Pedro abriu os braços em um gesto exagerado.
— Nem me fale! Não acredito que estou te vendo aqui. O que faz na cidade?
— Estou trabalhando na fazenda Monte Verde.
— Ah, então é você a veterinária nova? — Pedro sorriu ainda mais. — Agora entendo por que todos estão comentando.
Henrique sentiu uma pontada incômoda no peito. “Comentando?”, ele pensou, estreitando os olhos.
— E você? — Isabela perguntou, genuinamente interessada.
— Agora sou dono da agropecuária do meu pai. Você precisa passar lá um dia desses para tomarmos um café e colocarmos o papo em dia — Pedro sugeriu, inclinando-se levemente para mais perto dela.
Foi o suficiente para Henrique dar um passo à frente, sentindo seu sangue ferver.
— Isabela — sua voz soou mais firme do que pretendia.
Ela e Pedro se viraram ao mesmo tempo.
— Precisamos terminar as compras — Henrique disse, sem desviar os olhos do homem à sua frente.
Pedro ergueu uma sobrancelha e abriu um sorriso divertido.
— Ah, desculpe. Não sabia que você estava acompanhada.
Henrique cruzou os braços.
— Está agora.
O silêncio que se seguiu foi carregado de tensão. Pedro lançou um olhar para Isabela, como se perguntasse silenciosamente se havia algo acontecendo entre eles. Ela, por sua vez, suspirou e sorriu educadamente.
— Foi bom te ver, Pedro. Nos falamos depois.
Pedro hesitou por um momento antes de assentir.
— Claro. Até mais, Isa.
Henrique cerrou os punhos ao ouvir a forma íntima como Pedro a chamou, mas não disse nada. Apenas a acompanhou até o caixa, mantendo o olhar firme e a postura rígida.
Do lado de fora, enquanto carregavam as sacas de ração na caminhonete, Isabela finalmente quebrou o silêncio.
— Você não precisava ser tão hostil.
Henrique fechou a porta da caçamba com um pouco mais de força do que o necessário.
— Eu não fui hostil.
— Ah, claro. Só olhou para o Pedro como se quisesse socá-lo.
Henrique passou a mão pelos cabelos e soltou um suspiro pesado.
— Ele estava flertando com você.
— E daí?
Ele a encarou.
— E daí que não gostei.
O coração de Isabela acelerou.
— Henrique…
Ele se aproximou, ficando a poucos centímetros dela.
— Eu não quero que outro homem fique te olhando daquele jeito, falando com você daquele jeito.
— E por quê? — Ela ergueu o rosto, desafiadora.
Henrique hesitou por um segundo antes de deslizar a mão suavemente pela lateral do rosto dela.
— Porque eu quero você para mim.
O ar ao redor deles pareceu mais quente, mais intenso. Isabela prendeu a respiração, sentindo seu coração disparar.
Henrique não desviou o olhar, esperando uma resposta. E, naquele momento, Isabela soube que o destino deles havia acabado de mudar.
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Atualizado até capítulo 70
Comments
Eliene Lopes
esqueceram a encomenda que seu Antônio falou ?
2025-03-25
0
Mila Naiff
O amor está no ar.....
2025-03-06
0
Eliene Lopes
gracinhas
2025-03-25
0