Os raios do sol ainda estavam tímidos ao atravessar as cortinas finas do chalé de Isabela, tingindo as paredes com uma luz suave e dourada. Ela acordou cedo, como de costume, mas ao invés de se apressar para o trabalho, sentiu a necessidade de estar sozinha, em silêncio, para processar as emoções que estavam se acumulando dentro dela. O beijo de ontem ainda ecoava em sua mente, e, mais do que isso, o tempo que passaram juntos, a maneira como Henrique a fazia sentir-se tanto protegida quanto desafiada.
Isabela se levantou da cama, sentindo a brisa fresca da manhã entrar pela janela aberta. Respirou fundo e decidiu que, ao invés de ficar pensando, ela precisava agir. Era hora de tomar uma atitude, dar um passo adiante. Ela pegou suas botas de couro e, sem olhar para trás, saiu pela porta do chalé, com os cabelos amarrados em um coque simples.
O campo estava em plena serenidade. Os primeiros raios de sol iluminavam a fazenda, refletindo nos campos de grama e nas árvores ao longe. Isabela deu um suspiro profundo enquanto caminhava pela estrada de terra batida. O som do vento entre as folhas e o canto distante de pássaros criavam uma harmonia que a acalmava e a fazia se sentir mais conectada com aquele lugar.
Quando chegou à parte do campo onde Henrique estava, ela o viu trabalhando com alguns dos animais. Ele estava de costas, abaixado ao lado de um cercado, ajustando a cerca que cercava uma área onde estavam os bois. A cena era simples, mas ao mesmo tempo, algo em sua postura transmitia confiança e autoridade, como se ele fosse parte daquela terra.
Isabela hesitou por um momento. Não queria interromper o trabalho dele, mas também sabia que, por mais que tentasse evitar, o destino os havia unido de uma maneira que ela não poderia ignorar. Ela caminhou até onde ele estava, seus passos suaves sobre a grama. Quando ele a ouviu, virou-se e a viu aproximando-se.
— Ah, Isabela... — Henrique sorriu ao vê-la, os olhos se suavizando ao reconhecê-la. — Eu não sabia que você acordava tão cedo.
Ela sorriu de volta, embora um pouco tímida.
— Eu precisava de um tempo para pensar... refletir. Acho que nunca tive tanto silêncio em um lugar como aqui. É bom.
Henrique a observou atentamente, o olhar suave, mas cheio de interesse. Ele não respondeu imediatamente, preferindo ficar em silêncio e simplesmente caminhar ao lado dela, com os dois se afastando um pouco do cercado. O vento fazia com que a franja dele se movesse levemente, e a luz dourada da manhã dava um brilho quase mágico ao seu rosto.
— Então, como estão indo as coisas com os animais? — ele perguntou, quebrando o silêncio.
Isabela sorriu ao pensar nos animais, sentindo-se grata por ter encontrado um propósito tão forte com eles.
— Bem. Eles estão se adaptando muito bem. Nunca imaginei que pudesse me sentir tão conectada a esse ambiente. Os animais, a natureza... me sinto em casa.
Henrique assentiu, com um olhar de aprovação. Ele estava atento a cada palavra dela, como se tentasse entender mais profundamente sua jornada aqui, não apenas como profissional, mas também como pessoa.
— Eu fico feliz em ouvir isso. Acho que você encontrou o que estava buscando. — Ele fez uma pausa, caminhando ao lado dela. — Eu sei que, às vezes, o que você procura não vem da maneira que você espera. Mas...
Isabela o olhou de soslaio, sentindo uma leve ansiedade.
— Mas?
Henrique deu uma risada baixa, como se fosse uma mistura de nervosismo e sinceridade.
— Mas eu também percebi que as pessoas que a gente encontra por acaso podem fazer uma diferença muito maior do que imaginamos.
Ele disse isso sem pressa, com a voz calma, como se estivesse compartilhando algo pessoal, algo que só poderia ser dito entre eles, naquele momento.
Isabela ficou em silêncio por um tempo, absorvendo o que ele dizia, mas também ponderando suas próprias emoções. Ela sentia a conexão entre os dois, crescente e firme, mas ao mesmo tempo, ainda havia uma distância, um muro invisível que a impedia de dar o próximo passo.
— Henrique, você... — ela começou a falar, mas parou, sentindo as palavras se embolarem. Ela não sabia como falar sobre o que estava sentindo.
Ele virou-se para ela com um olhar compreensivo, esperando por ela para continuar. Ele estava ali, presente, aguardando o momento certo.
— Não sei o que estou procurando, Henrique. Eu só sei que, desde que cheguei aqui, tudo mudou. E você... você faz parte dessa mudança. Eu não sei se é só o trabalho, ou se é algo mais.
Ele ficou em silêncio por um momento, antes de sorrir de uma maneira que a fez sentir um calor inexplicável em seu peito.
— Eu sei. E posso dizer que, para mim, também não foi fácil, Isabela. Você mexeu comigo de uma forma que eu não estava esperando.
Ela olhou para ele, os olhos quase brilhando pela sinceridade nas palavras dele. Era como se, finalmente, estivessem se entendendo de uma maneira muito mais profunda do que ambos haviam imaginado.
— Acho que estamos descobrindo juntos, não é? — Isabela disse, sorrindo, sentindo o peso das palavras dela ser suavizado pela leveza daquilo tudo.
Ele deu um passo mais próximo, os dois agora tão próximos que ela podia ouvir sua respiração, sentir o calor do corpo dele perto do seu.
— Sim, estamos. E, se for da sua vontade, vou estar aqui para continuar descobrindo o que isso significa.
O olhar dele era intenso, quase como se estivesse oferecendo um pedaço de sua alma, um pedaço do que ele ainda estava disposto a dar. Isabela sentiu o mundo ao redor desaparecer, como se naquele momento só houvesse os dois. Ela não sabia o que o futuro traria, mas sabia que o caminho que estava seguindo ao lado dele era um caminho que ela queria explorar.
E, sem mais palavras, ela deu um passo à frente, seus olhos fixos nos dele. Henrique sorriu, e o momento se tornou perfeito, cheio de promessas e de tudo o que ainda estava por vir.
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Atualizado até capítulo 70
Comments
Áurea Aparecida Ribeiro
Agarra ela e dá um beijo nela de tirar o fôlego.
2025-02-26
1
Vanusa Crispim Da Silva
vai só fica na conversa,ou vai beijá-la
2025-02-24
0
Daisy Conceicao
ela é muito abestalhada aff!
2025-02-25
0