O sol já começou a se pôr quando Isabela terminou de organizar suas coisas no pequeno chalé que seria sua nova casa dentro da fazenda. O espaço era simples, mas aconchegante: uma cama de madeira rústica, um armário pequeno, uma mesa com cadeira e uma janela que dava para os campos. Havia até uma varanda com uma rede, perfeita para momentos de descanso após um dia de trabalho.
Ela suspirou, sentindo-se cansada da viagem, mas animada com a nova fase de sua vida. Trabalhar em uma fazenda de verdade, lidando com cavalos, gado e outros animais, era o que sempre quis. Mas havia algo que não fazia parte do plano: lidar com um patrão mal-humorado e distante.
Henrique.
Ele praticamente não falou com ela desde sua chegada. Apenas indiquei onde ficaria hospedada e sumiu dentro da casa principal. Aquele homem parecia uma tempestade ambulante, cercado por nuvens carregadas.
Mas Isabela não se deixaria intimidar.
Determinada a conhecer melhor o local onde trabalharia, ela caminhou até os estábulos. O cheiro de feno misturado ao ar puro da fazenda trouxe uma sensação familiar e reconfortante. Alguns cavalos estavam nos piquetes, outros dentro das baias. Ela se moveu devagar, observando os animais com atenção.
— São lindos, não são? — A voz grave a pegou de surpresa.
Ela se virou e viu um homem mais velho, vestido com roupas de trabalho e um chapéu de palha desgastado. Seu rosto era marcado pelo tempo, mas seus olhos tinham uma gentileza rara.
— Sim, são maravilhosos — respondeu Isabela com um sorriso.
— Você deve ser uma nova veterinária. Eu sou Antônio, administrador da fazenda.
—Isso mesmo. Isabela Martins. É um prazer conhecê-lo, Antônio.
O homem abriu sua mão com firmeza.
— Henrique me avisou que você chegaria hoje. Se precisar de qualquer coisa, estou por aqui. Trabalhei nessa fazenda desde que era do pai dele.
— Isso é incrível! Aposto que conhece cada canto desse lugar — disse ela, admirada.
— Com certeza. E posso te garantir que esse aqui — ele designado para um cavalo castanho imponente, com a crina negra e olhar intenso — é o mais teimoso que já vi. Chama-se Relâmpago.
Isabela se mudou do cavalo com cuidado, estendendo a mão para que ele sentisse seu cheiro. Relâmpago bufou, mas não se removeu.
— Parece que ele tem personalidade forte.
— Exatamente como o dono — Antônio riu, balançando a cabeça.
Antes que Isabela pudesse responder, um barulho de passos firmes ecoou pelo estábulo. Ela se virou e encontrou Henrique parado na entrada, observando a interação com uma expressão indecifrável.
— Ele não gosta de estranhos — disse Henrique, os olhos fixos nela.
— Então vamos ter que nos tornar amigos — respondeu Isabela com naturalidade.
Henrique arqueou uma sobrancelha, parecendo intrigado com a resposta dela.
— Desde que não tente forçar nada. Relâmpago precisa do tempo dele.
— Todos precisam — retrucou ela, sem desviar o olhar.
Um silêncio pesado se instalou. Antônio olhou de um para o outro com um sorriso discreto, como se soubesse que estava presenciando o início de algo interessante.
Henrique suspirou e cortes o contato visual primeiro.
— Amanhã cedo quero você aqui às seis. Temos muito trabalho.
Ele se virou e saiu, deixando Isabela sozinha com Antônio e Relâmpago.
— Bem, pelo menos ele falou mais de três frases com você. Isso já é um avanço — brincou Antônio.
Isabela riu, mas, no fundo, sentiu que aquela troca rápida de palavras tinha sido um primeiro passo para entender melhor o enigmático Henrique Vasconcellos.
E, talvez, para fazer parte da vida dele de alguma forma.
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Atualizado até capítulo 70
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