Música do Capítulo: Outono de Vivaldi (disponível no YouTube e na Playlist do Livro)
Dia do Concerto.
O celular vibrou no bolso do vestido de Elise, ela pegou o aparelho e visualizou a mensagem. Era de dona Helena.
- Boa sorte, querida! Estou na primeira fileira, bem à direita. Não se preocupe, vai dar tudo certo. Só feche os olhos e sinta a melodia.
Ela sorriu enquanto lia. Desligou o celular e colocou de volta no bolso.
Elise estava linda vestida para o evento. Usava um vestido preto longo com um grande decote em “V” nas costas e os cabelos castanhos compridos presos com um grande laço na mesma cor do vestido. Seus cinco alunos estavam ao seu lado na coxia, perto do palco esperando a vez de entrarem para fazerem sua apresentação.
O concerto que o conservatório da cidade promovia acontecia duas vezes ao ano, servia para que os alunos fizessem apresentações para mostrar ao público suas aptidões musicais e para que fossem vistos por olheiros das grandes companhias de música. No seu primeiro concerto Elise já foi convidada para fazer parte de uma dessas companhias, mas não aceitou por ter que se mudar e viver longe de dona Helena que na época ainda fazia tratamento contra o câncer. Mas não ficou frustrada, pelo contrário. Isso a impulsionou a dar o melhor de si a cada dia e por consequência conquistou seu espaço como professora do conservatório.
Ela sentiu uma mão gelada no seu braço.
- Professora, acho que não vou entrar. Um dos seus alunos disse baixinho e ela sorriu sabendo o que ele estava passando.
- Claro que vai, Luciano! Não se preocupe, vai se sair bem, todos nós vamos! Piscou para ele.
- E se eu errar?
- Tenho certeza de que não vai! Se abaixou perto dele e falou no seu ouvido. – Posso contar um segredo? O menino concordou com a cabeça. – Eu também estou com medo, mas vou mesmo assim porque vocês estão aqui comigo, então não se preocupe, estamos todos juntos.
O menino sorriu parecendo mais tranquilo. – Tá bom, então vou entrar!
De repente ouviram os aplausos da plateia lotada e as cortinas do palco se fecharam. Os músicos da apresentação desciam aos poucos do palco sorrindo muito, uns até suados pelo nervosismo.
- Parabéns, pessoal! Vocês foram ótimos! A organizadora do evento parabenizou e ia organizando todos para esvaziarem logo o local para dar lugar a Elise e seus alunos. – Estão prontos? Ela perguntou animada para Elise.
- Sim, estamos! Disse expirando com força. – Já posso organizar eles nos lugares?
- Claro, já podem se posicionar, daqui cinco minutos vocês começam. A mulher saiu acompanhando os últimos músicos enquanto Elise colocava as crianças em fila.
- Certo, subam com cuidado as escadas e sentem nas banquetas conforme fizemos nos ensaios, tá bom? Ela foi na frente e todos a seguiram nervosos.
Foram se sentando nas banquetas com os seus violinos em punho.
- Acho que vou vomitar! Joyce, uma das alunas com dez anos, falou fazendo Elise soltar uma gargalhada.
- Eu imagino que está nervosa, eu também estou, mas vai dar tudo certo! Piscou para a menina. – Prestem atenção em mim agora! Todos a olharam atentos. – Nós ensaiamos muito para essa apresentação, vocês sabem o que fazer. Vamos dar o nosso melhor, tudo bem? Todos sorriram nervosos. – Ah, e se ficarem com medo fechem os olhos e sintam a música, imaginem que estão tocando lá no conservatório.
Elise estava uma pilha de nervos, nunca se acostumaria a toda atenção que ficava sobre ela nesses momentos, ela precisava se violentar para ficar ali. Costumava dizer a dona Helena que era como se vestisse uma segunda pele, de uma outra Elise mais forte e com a mente limpa de tormentos. Ela respirava devagar se controlando, precisava passar segurança aos seus alunos.
A organizadora fez um sinal do lado do palco para Elise indicando que a vez deles tinha chegado. Começou a fazer uma contagem regressiva com os dedos e quando chegou no cinco Elise pediu que as crianças ficassem em pé e ela ficou de frente para o público.
As cortinas foram abertas e as luzes dos refletores bateram no rosto de Elise, deixando ela cega por um momento. Fez uma pequena reverência para o público e buscou rapidamente com os olhos por dona Helena que estava exatamente onde disse que estaria. Virou de costas para todos e ficou de frente para seus pequenos que estavam com os olhos fixos nela. Pegou o seu violino, posicionou sobre o ombro e iniciou tocando Outono, uma das melodias das quatro estações de Vivaldi.
Fechou os olhos e deixou a melodia fluir pelo corpo levando embora o nervosismo que sentia. Abriu os olhos e sorriu no momento que as crianças começaram a acompanhá-la.
Os cinco tocaram lindamente, todos fecharam os olhinhos se deixando guiar pela música. Nesse momento Elise pensou no peso que suas palavras tinham para aquelas crianças e tinha certeza de que levariam para a vida muitas dessas palavras. Quando terminaram, fizeram a reverência para o público e receberam aplausos acalorados da plateia que ficou de pé.
As cortinas fecharam e Luciano correu para abraçar Elise que ficou rígida. Queria abraçar forte o menino, mas naquele momento ainda não conseguia.
- Deu certo, Elise! Eu fechei os olhos e imaginei que estava no conservatório, o medo sumiu. Ele deu risada e ela devolveu um sorriso.
- Parabéns, crianças! Vocês foram ótimos, estou muito orgulhosa de vocês!
A organizadora chamou para que saíssem do palco para a próxima apresentação.
Assim que Elise apareceu no salão do Teatro viu de longe dona Helena acompanhada de Dona Najla, que estava bem abatida por causa da quimioterapia, Seu Khalid e Raja. Foi até eles em passos rápidos.
- Estou orgulhosa, querida! Parabéns! Dona Helena abraçou Elise empolgada.
- Meus parabéns, Elise! Seu Khalid apertou a mão de Elise e entregou um pequeno buquê de flores. – Você é um talento, menina! A Najla não estava exagerando.
- Muito obrigada, Seu Khalid!
- Elise! Eu amei, parabéns! Que lindos os seus alunos, são uns fofos! Raja sorria sem parar. – Preciso te fazer um convite!
- Calma, Raja! Deixa eu abraçar a Elise primeiro. Dona Najla interrompeu a filha. – Está pronta? Pediu permissão olhando nos olhos de Elise.
- Sim. Fechou os olhos quando dona Najla a abraçou e tentou fazer o exercício de respiração que a senhora havia ensinado para esses momentos.
Ela soltou Elise logo depois. - Tudo bem?
- Sim, obrigada dona Najla! Sorriu sincera.
- É sempre um prazer te ver tocar, Elise e te ver com seus alunos foi um bônus, dá para ver o quanto você se esforça por eles e como eles gostam de você.
- Obrigada!
- Posso fazer o convite agora? Raja estava ao lado das duas.
- Vá em frente, filha! Said gostou da ideia?
- Sim, tudo certo! Elise, eu e o Said gostaríamos muito que você tocasse no nosso casamento, você aceita?
- Eu? Vocês têm certeza? Ela disse surpresa.
- Tenho certeza absoluta, já estava pensando nisso e te ver hoje à noite só me deu a confirmação que é isso que queremos.
Elise olhou para dona Helena que sorriu incentivando.
- Eu aceito, vai ser uma honra tocar para vocês dois num momento tão especial!
- Ah, obrigada! Raja agarrou Elise num abraço, mas soltou rápido lembrando da dificuldade que ela tinha. – Desculpe, estou muito animada! Deu risada.
- Bom, vamos para casa? Seu Khalid convidou. – Najla precisa descansar, não é meu amor?
- Sim, preciso. Ela concordou sorrindo.
- Obrigada por terem vindo! Vocês são pessoas muito especiais. Elise agradeceu olhando para os três se despedindo.
Ela e dona Helena estavam saindo pela porta lateral do teatro em direção ao estacionamento quando Elise viu de longe uma imagem que a fez congelar no lugar.
- O que foi, querida? Dona Helena parou um pouco mais a frente. – Elise! Chamou mais alto tirando a moça transe. Se aproximou dela e mexeu em seu braço.
- Não é nada! Pensei ter visto uma pessoa, mas não era! Elise virou e começou a andar. – Estou com fome, que tal pedir uma pizza?
- Por mim tudo bem! Dona Helena concordou rápido.
As duas seguiram pelo estacionamento com Elise olhando discretamente para trás algumas vezes. A pessoa que ela achou ter visto no salão era Maristela, mas quando procurou melhor a pessoa não estava mais lá.
- Não pode ser ela, o que estaria fazendo aqui? Minha mente deve estar tentando me pregar uma peça pelo stress do dia. Ela pensava enquanto dirigia para casa.
Ligou o rádio conectando a playlist com as músicas que tocaram no concerto para relaxar a mente e expulsar Maristela da sua cabeça.
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Atualizado até capítulo 131
Comments
Helena
xooooooo.que essa fantasma horrorosa não volte pra atormentar Elise.
2025-01-19
1
Antonia L Castro
Só oq falta aquela cobra aparecer!
2025-01-26
1
Helena
que amizade linda a Elize com a família de dona Najla.
2025-01-19
2