A mala de Elise era pequena, tinha poucas roupas. A tia colocou no banco de trás enquanto sentava no lugar do motorista.
- Coloque o cinto, Elise. Você já tem idade para sentar aqui na frente, mas precisa do cinto. Disse sem olhar para ela. – Vamos para o hotel que estou hospedada hoje, não espere grande coisa, na verdade é uma pocilga! Riu sozinha. – Mas para quem estava num abrigo é um palácio. Ah, estou falando com o advogado sobre a casa de vocês que está fechada, é sua herança e vamos morar lá, pelo menos uma compensação por assumir sua guarda. Falou fazendo pouco caso. - O advogado disse que o seguro do carro e de vida dos seus pais também está disponível. Como sua tutora vou administrar isso, vamos usando enquanto eu não começo a trabalhar. Tive que largar tudo por causa de você menininha, tenho que ser bem recompensada. Se bem que eu precisava sair daquela cidade, logo iam me caçar. Gargalhou. – Agora eu sumi igual fumaça!
Ela ia falando sem parar, sem se importar com o silêncio de Elise, era como se a menina não estivesse ali.
Logo chegaram em frente a um pequeno hotel. Elise olhou por fora e pensou que era bem ruim mesmo. Entraram e, encostada no balcão da recepção, encontraram uma mulher lixando as unhas. Tinha os cabelos vermelhos e um batom quase no mesmo tom. Usava um uniforme muito apertado que deixava sua barriga à mostra.
- Oi, vou subir!
- Quem é a menina? A mulher perguntou curiosa.
- É minha sobrinha, vai ficar comigo no quarto.
- O valor do quarto vai subir, são duas pessoas. Disse continuando a lixar as unhas.
- Vou ter que pagar mais por aquele lixo de quarto? Não mesmo! Começou a subir as escadas pisando firme.
- Então pegue as suas coisas e pode sair. Ah, e pague o valor que está devendo. A mulher largou a lixa no balcão e cruzou os braços.
- Que seja! Eu pago a mais essa merd@! Vem logo Elise antes que me dê mais prejuízo.
Elise olhou para a mulher na recepção e seguiu a tia rápido. Assim que a tia abriu a porta do quarto ela sentiu o cheiro de cigarro. Entraram e sobre a mesa que ficava no canto tinham várias garrafas de cerveja e um cinzeiro cheio. A menina olhava atentamente para tudo aquilo sem saber o que fazer.
- Você fala? A tia foi até ela e pegou no seu queixo erguendo para que a olhasse.
- Sim. Elise finalmente falou. – Onde eu vou dormir? Olhou para os lados vendo uma cama só.
- A cama é minha, eu sou maior. Você dorme no sofá, quando formos para a sua casa vai ter seu quarto de volta. Disse acendendo um cigarro. – Se estiver com fome tem uns salgadinhos na geladeira, pode comer. Não vou sair mais hoje, preciso descansar meus pés desse salto, é difícil parecer uma mulher distinta, mas acho que deu certo. Disse deitando na cama e ligando a televisão.
Elise sentou na beira do sofá e sentiu uma vontade enorme de chorar, mas pensou que a tia já estava irritada e ficou com medo. Deitou no sofá e virou de costas para a tia. Lembrou dos pais e chorou em silêncio pensando.
"- Mamãe, por que não passamos o Natal com nossa família? Perguntou com os olhinhos curiosos para a mãe. – Eu queria ter tios, ter uma vó e um vô, brincar com meus primos igual minha amiga da escola.
Marcela olhou para o marido sem saber o que dizer.
- Não temos família, filha! Seu pai respondeu. - Infelizmente, perdemos todos, somos só nós! Pegou Elise no colo e beijou sua testa. – Mas tive uma ideia! Olhou para a esposa. – Que tal viajar no Natal? Quer ir ver os animais naquela fazenda que fomos da outra vez?
- SIM! Amei, papai!
Ele olhou para a esposa e piscou sorrindo."
Elise teve aquela lembrança e pensou no que o pai disse, que não tinham família. Quem era a mulher que dizia ser sua tia então? Sentou rápido no sofá.
- Você não é minha tia! Ela falou alto com a mulher que estava esparramada na cama.
Maristela levantou de uma vez, ficando na frente de Elise.
- O que você está falando sua fedelha? Quem te falou isso? Eu sou sua tia sim! Irmã da sua mãe! Gritou com a sobrinha.
- Não é não, meu pai falou que perdemos nossa família, que era só a gente! Ela disse erguendo o pequeno queixo se impondo.
- Eles eram dois mentirosos, isso sim! Aprontaram e depois fugiram sem deixar rastros!
- Meu pai não era mentiroso! Ela gritou.
E em menos de um segundo a mulher deu um tapa tão forte no seu rosto que derrubou Elise no sofá.
E esse seria um dos muitos tapas que levaria dali para frente.
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Atualizado até capítulo 131
Comments
Helena
misericordiaaaaaa.me segura que vou dar umas porradas nessa megera.
2025-01-14
5
Cristiani A.L.
Vixiii...Coitadinha de Elise...Numa situação dessa era melhor ter ficado no abrigo...🤔
2025-01-14
8
Claudia
Será que a Tia dela mesmo?????♾🧿
2025-01-14
6