Elise soltou com educação a mão da mulher que a olhava com admiração.
- Que bom que gostou, dona Najla.
- Você é enfermeira? Dona Najla perguntou olhando a roupa rosa que Elise usava.
- Sim, sou enfermeira aqui na ala pediátrica, mas hoje fizemos uma homenagem para aquela menininha, a Luiza. Ela está indo embora hoje, finalizou o tratamento. Disse com um sorriso grande no rosto. – A senhora é parente de alguém aqui?
- Não, eu vim para iniciar meu tratamento. Tenho um câncer de mama. Sorriu fraco. – Na verdade, sou recidiva, meu câncer voltou depois de dois anos de remissão.
- Eu sinto muito. Aconteceu isso com minha avó há alguns anos, mas ela venceu de novo. Falou séria. - Seja positiva, dona Najla e escolha não sofrer! Minha avó sempre diz isso. Desculpe dar esses conselhos, nem conheço a senhora, mas eu senti que tinha que falar.
- Obrigada, querida. Que bom que sua avó se recuperou, eu tenho muita fé que vou vencer também. E pode deixar que vou seguir os conselhos dela, obrigada por compartilhar! Gostei muito de você!
Elise ficou olhando constrangida com a atenção da mulher que era muito simpática.
- Eu estava passeando no corredor quando ouvi a melodia e quis saber quem estava tocando, ainda bem que fiz isso. Estou abismada com seu talento, eu sou uma grande admiradora de música clássica.
- A música faz parte de mim. Elise falou olhando para o instrumento com amor. - Me perdoe, mas tenho que ir, preciso guardar isso e voltar ao trabalho. Apontou o violino. – Foi um prazer conhecer a senhora, espero que dê tudo certo com o tratamento.
- O prazer foi meu, Elise! Bom trabalho!
---
Elise se afastou rápido, deu uma olhada em volta para ver se Luiza já tinha ido e viu a menininha indo para o elevador com seus pais. Correu até eles.
- Não esqueça de me visitar no conservatório, tá bom? Ela disse dando um beijo na bochecha da menina. – Precisamos começar logo as suas aulas.
- Não vejo a hora de tocar como você, Elise! Devolveu o beijo. – Vou ficar com saudades!
- Eu também, mas agora vamos nos ver fora daqui nada de hospitais a partir de agora.
- Nada de hospitais! A mãe de Luiza falou sorrindo. – Obrigada por tudo, Elise! Eu a levo no conservatório na semana que vem.
- Até semana que vem então! Disse acenando enquanto a família entrava e as portas do elevador se fechavam.
Elise continuou andando pelo corredor em direção à sala dos funcionários, entrou e foi direto para o armário. Colocou a caixa do violino e fechou com cuidado, quando se virou deu de cara com o Dr. Guilherme entrando na sala.
- Oi, doutor! O que está fazendo aqui? Disse respirando fundo sem paciência.
- Vim dar os parabéns! Estava perfeita como sempre, Elise!
- Obrigada, a Luiza gostou, isso que importa! Sorriu lembrando do rosto da menininha.
- Quando vai me dar uma chance, Elise? Ele perguntou se aproximando devagar.
- Eu já conversei com o senhor sobre isso, doutor.
- Pare de me chamar de senhor, Elise. Somos amigos.
Elise olhou surpresa para ele.
- Amigos? Desde quando?
- Desde que você sabe que estou interessado em você, só tenho as melhores intenções, me dê uma chance! Ele disse com um olhar esperançoso.
- Certo. Nós já conversamos mais de uma vez sobre isso, mas vou repetir, eu não tenho planos de ter alguém na minha vida. É simples de entender. Você precisa seguir em frente, tem várias mulheres interessadas em você, aqui no hospital mesmo.
- Mas nenhuma é você! Ele pegou nas mãos dela que soltou na mesma hora.
- Acho que não temos mais nada para conversar aqui sozinhos, preciso voltar ao trabalho.
- Tá bom, mas quero que fique claro que não vou desistir. Quando estiver pronta vou estar aqui, linda! Se aproximou falando a última palavra perto do ouvido de Elise. Virou de costas e saiu da sala.
Elise se afastou rápido se sentindo incomodada com a aproximação dele.
- Droga, quando esse cara vai largar do meu pé? Falou balançando a cabeça para os lados. – Isso está indo longe demais.
Saiu da sala logo depois indo para o posto de enfermagem, precisava separar e conferir as medicações dos pacientes sob sua responsabilidade durante a tarde.
---
Elise entrou em casa com a cabeça baixa, seus pensamentos estavam longe. Sentou no sofá e tirou as sapatilhas colocando de lado, deitou de barriga para cima e fitou o teto séria.
- O que aconteceu, menina? Dona Helena entrou na sala.
- Estou cansada. Respondeu sem emoção.
- Não é só isso! Aconteceu mais alguma coisa hoje? Insistiu sentando na poltrona de frente para ela.
Elise virou a cabeça suspirando.
- Estou cansada do Dr. Guilherme! Ele não para de me cercar, as pessoas já estão comentando! Respondeu irritada. – Acredita que hoje ele entrou na nossa sala sem bater? Ficamos os dois lá sozinhos, imagina o que não devem ter falado! Bufou.
- Mas ele tentou alguma coisa?
- Não, ele nunca forçou nada, mas veio com o papo de sempre, quer uma chance e blá blá blá! Falei para ele achar outra, mas disse que não vai desistir, estou de saco cheio!
- Por que não dá uma chance a ele? Dona Helena sorriu.
- Sério isso? Sabe que não dá! Ela sentou no sofá apoiando a cabeça no encosto.
- Já falamos sobre isso, Elise! Precisa se abrir, dar uma chance para você, querida! Você tem direito de amar alguém, de ser amada!
- Não dá, vó! Não consigo, já falei! Levantou andando de um lado para o outro. – Eu não consigo. Falou com os olhos cheios de lágrimas.
- Já passou da hora de você ir para a terapia, Elise. Estou falando sério. Se não for por você, vá por mim. Você me prometeu isso e ainda não cumpriu.
Elise olhou para ela suspirando.
- Tá eu prometi, eu vou cumprir em algum momento, me dê mais tempo, por favor.
- E assim vai protelando a sua melhora! Tudo bem, eu espero mais um pouco. Mas o que vai fazer com o médico?
- Acho que vou pedir para sair da pediatria.
- O quê? Mas você ama aquele lugar, Elise! Disse confusa.
- Mas amo mais a minha paz, e o Guilherme não vai desistir vó! Ele é um cara muito legal, um ótimo pediatra, bonito, mas não dá para mim e vou ter que ser mal educada com ele em algum momento e não quero isso. Já decidi, vou pedir para sair da pediatria amanhã mesmo! Disse firme.
- Se você acha que isso é o melhor, faça querida!
- É o que eu vou fazer! Agora vamos comer alguma coisa que tô morrendo de fome, dona Helena!
- Ah, não esqueça que você precisa definir se vai participar do concerto, Elise. Já que está tomando decisões resolva isso logo! Agora vem, fiz macarrão. Disse dando um risinho escondido.
- Adivinhou que eu precisava hoje? Andou mais rápido abraçando a outra por trás. Ela se virou de frente.
- Tá vendo, minha querida? É assim que precisa fazer com as outras pessoas, se permita, Elise! Por favor?
Ela soltou dona Helena e passou por ela sem falar nada, sentou na cadeira e se serviu.
- Isso não é uma opção para mim. Pensou.
***Faça o download do NovelToon para desfrutar de uma experiência de leitura melhor!***
Atualizado até capítulo 131
Comments
Rut Arving
Na verdade mesmo fazendo tratamento para se libertar dos traumas,sempre resta alguma coisa bem escondidinho no fundinho da alma, da mente do coração!
2025-03-30
1
Rosilene Oliveira
Elise precisa fazer o tratamento com a psicóloga,se não vai acabar magoando as pessoas
2025-03-31
1
Claudia
Elise se permita ser feliz já se passaram tanto tempo🧿♾
2025-01-15
2