Capítulo 13

Dona Helena conferiu de novo o horário no relógio em seu pulso. Faltavam poucos minutos para dar a hora que tinha combinado de encontrar com Hugo naquele café.

Dezenove horas. Ela estava ali, mas o homem ainda não. Pegou o celular que estava em cima da mesa e olhou para ver se ele tinha mandado alguma mensagem, nada.

- Vou esperar mais dois minutos, Hugo, apareça logo! Pensou olhando para a porta do café.

Então ela viu, um homem baixo com uma jaqueta preta lisa entrando pela porta. Ele parecia mais velho desde a última vez que se viram pessoalmente. Ele a viu de longe e sorriu indo ao seu encontro.

- Que bom ver a senhora! Disse pegando na mão dela e beijando o dorso.

- Eu acho que você deve pensar em pintar os cabelos, Hugo! Ainda é jovem para ficar com a cabeça branca!

- A senhora não sabe que os grisalhos atraem mais mulheres? Piscou para ela rindo. – Não vou ficar com a cabeça branca, vou ficar grisalho!

- Ah, é? Então é uma forma de arranjar mulher? Ela riu. – Boa sorte então, amigo! Espero que arrume uma que mereça o homem bom que você é. Bateu de leve no ombro dele.

- Não se preocupe, vou testando até achar a que me mereça! Ele riu e ela revirou os olhos. – Bom, vamos ao que interessa, não vamos te deixar exposta tanto tempo.

- Podemos ir até a casa do homem?

- Aí é que está? Eu não queria levar a senhora até lá, mas ele não quis me vender. Ele falou por tabela que eu não sou digno de comprar, que não entendo a magnitude daquele instrumento. Quando disse que não era para mim ele quis que levasse o comprador até lá. E se ele reconhecer a senhora?

- Não importa, Hugo. É o violão do meu filho e eu o quero. Vamos logo, disse abrindo a bolsa e chamando o garçom para pagar o café.

- Tudo bem, podemos ir até lá. De qualquer forma eu estou de olho nos outros, acho que a sua vinda até aqui hoje não levantou suspeitas, mas todo cuidado é pouco. A senhora trouxe um chapéu ou algo assim?

- Trouxe um algo assim. Sorriu tirando um lenço da bolsa e colocando em volta do rosto e dos cabelos.

Os dois saíram da cafeteria lado a lado até o carro de Hugo que estava estacionado próximo.

- Fica muito longe daqui? Dona Helena perguntou se olhando no espelho do pára-sol.

- É pertinho, vamos combinar o que falar?

- Que eu sou uma colecionadora?

- Acho que pode ser isso, mas estou desconfiado desse cara, ele não queria vender. Ficou bravo quando eu cheguei lá e ele ficou sabendo que a mulher dele tinha colocado o anúncio na internet. Acho que ele conhecia o seu filho.

Dona Helena ficou pensativa.

- Vou ficar com o lenço e tentar não chegar tão perto, mas vamos ficar com a desculpa da colecionadora mesmo.

- E se ele reconhecer a senhora?

- Estou morta, Hugo. As pessoas não acreditam em alma penada. Sorriu fraco.

---

Hugo tocou a campainha no portão da casa do homem e logo uma mulher apareceu na porta para ver quem era. Abriu o portão e os dois entraram numa área comum na frente da casa.

- Boa noite, esperem aqui o meu marido já vem atender vocês.

Depois de uns minutos um homem de meia idade, com a barba comprida e os cabelos bem penteados para trás, apareceu com uma caixa de violão grande nas mãos.

- Boa noite, podem entrar aqui, por favor. Chamou os dois para uma pequena salinha do lado da área. Estendeu a mão para cumprimentar.

- Oi, Alessandro eu sou o Hugo, falamos no outro dia por telefone. Sorriu apertando sua mão. – Essa é a colecionadora que te falei.

- Olá, Alessandro, eu sou a Rute, quero dar uma olhada no violão, coleciono instrumentos antigos e estou atrás de um desses.

- Muito prazer. Apertou a mão dela. – Olha, sinceramente eu não queria vender, minha mulher colocou na internet sem eu saber, mas estou precisando de dinheiro. Suspirou. – Pode olhar. Abriu a caixa e na mesma hora o rosto de dona Helena se iluminou e seus olhos se encheram de lágrimas.

Abafou na mesma hora a emoção, não podia transparecer nada. Só tirou o violão da caixa para conferir se tinham as pequenas marcas e elas estavam lá, era o violão do filho.

- Vou ficar com ele, quanto quer? Disse olhando para o homem sob o olhar julgador de Hugo que já tinha um limite de preço para não levantar suspeitas.

- A senhora sabe exatamente o valor desse instrumento, né? Ele olhou sério para o rosto dela. – Esse instrumento era de um amigo meu, por isso não queria vender. Mas eu sinto que a senhora sabe o valor que ele realmente tem. Faça uma oferta.

- Eu dou cem mil por ele. Hugo olhou desacreditado para ela, tinha pensado em oferecer no máximo 10 mil.

- Eu sabia que a senhora não era uma pessoa comum, ele olhou profundamente para ela. – Eu aceito a oferta, pode levar. Fechou a caixa. – Não vou precisar fazer um discurso para que cuide dele. Sorriu fraco – Também não vou fazer perguntas, ele era meu amigo e eu sabia como a vida dele funcionava.

- Eu vou fazer a transferência para você agora, me passa o número da conta. Hugo chegou perto com seu celular e fez o pagamento na hora. – Tudo certo?

- Tudo certo. O homem confirmou.

- É, eu queria te pedir, por favor, que não comente que estivemos aqui se alguém perguntar. Hugo falou escolhendo as palavras.

- Não se preocupe, nunca estiveram aqui. Ele cruzou os braços em frente ao corpo e ficou olhando para dona Helena, que virou de costas e acompanhou Hugo até o carro.

---

Dona Helena foi no banco de trás com o violão nas mãos. Observava o instrumento com muito carinho. Algumas lágrimas escorreram sem ela perceber, Hugo observava tudo em silêncio.

Ele pegou o caminho da rodoviária, deixaria ela ali para pegar o próximo ônibus para casa.

- Chegamos. A senhora está bem?

- Sim, estou conseguindo resolver tudo. Leve ele para o depósito junto com as outras coisas.

- Pode deixar. Agora precisa ir e não converse com ninguém, anda muito falante nos últimos anos. Ele deu um sorriso largo para ela.

- Estou feliz.

- Eu também estou apesar de tudo. Espero pelo dia que tudo isso vai terminar. Respirou fundo olhando pelo retrovisor.

- Eu também espero.

Ela esticou a mão para ele que a pegou dando um beijo no dorso e saiu do carro.

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Comments

Anonymous

Anonymous

Eu ainda acho que Dna Helena é vó da Elise e aquela tia mocréia tem algo com esta bagunça toda

2025-02-24

0

Roseli Santos

Roseli Santos

agora burguei será que o filho dela é o pai da Elise

2025-01-19

2

Cecilia De Fatima Rodrigues

Cecilia De Fatima Rodrigues

eu acho que ela é avó da Elise

2025-01-23

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