Elise Rodrigues Bernardi – 16 anos
- Ei, menina! Uma mulher chamou Elise falando baixo quase sussurrando. – Venha para perto da gente, vamos fingir que você é nossa filha! Fez sinal para que ela viesse rápido.
Era tarde da noite e Elise estava sentada no chão escorada no mesmo muro que o casal, mas distante deles. Olhou para a mulher achando que ela estava louca, mas se aproximou mesmo assim. Parecia absurdo, mas se sentia mais protegida perto de pessoas totalmente estranhas do que na sua casa.
- Obrigada. Respondeu baixinho sentando perto do casal de catadores de lixo.
- Nunca vimos aqueles caras por aqui! A mulher disse apontando para três homens que pareciam procurar alguma coisa por ali, olhavam para os lados observando as casas e o prédio onde Elise morava. - Pode ser perigoso você ficar sozinha.
Ela concordou com a cabeça olhando para a mulher e depois observou os homens, eles tinham visto ela e seus pais de mentira embaixo da marquise, mas não se aproximaram.
- Você está ficando mais tempo ultimamente aqui na rua, menina. O que aconteceu? O homem perguntou para Elise olhando atentamente.
Ela passava tanto tempo do lado de fora do prédio depois que voltava da escola que já era conhecida dos moradores que ficavam por ali nas ruas do bairro que morava. Esperava todos os dias para voltar para casa. A situação da sua tia ultrapassou todos os limites. Ela estava se prostituindo e usando o apartamento das duas para isso. Voltou a dever para um traficante e estava trabalhando para ele vendendo seu corpo em troca do pagamento da dívida e de drogas.
Elise só entrava em casa depois que os homens saíam. Tinha que ficar de olho para não entrar enquanto estivessem lá. Muitos dias acabou dormindo na rua porque eles amanheciam no apartamento.
- Não aconteceu nada, só que preciso esperar para entrar em casa. Obrigada por me deixarem ficar aqui com vocês. Disse e virou a cabeça para o lado onde os homens estranhos estavam.
O casal se olhou desconfiando do que ela tinha dito, na verdade eles conheciam a fama de Maristela e logo a mulher juntou as peças.
- Você sabe que pode denunciá-la se quiser. A mulher disse séria. – Você é menor de idade e...
- Não se preocupem, eu sei me cuidar. Elise sorriu fraco cortando o que a mulher falava.
Viram de longe os homens indo embora na mesma hora que um cliente conhecido da tia saía do prédio. Elise levantou rápido e colocou a mochila nas costas.
- Muito obrigada pela ajuda. Sorriu fraco para o casal e correu para casa.
...
Aquela semana estava sendo bastante difícil para Elise. Teve que dormir em frente ao prédio durante dois dias. Os clientes não saíam do apartamento e em um dos dias a tia deu um tapa nela quando respondeu o porquê não tinha dormido em casa.
- Se você não estivesse se vendendo aqui dentro da minha casa eu estaria no meu quarto dormindo! Ela gritou enfrentando a tia como há muito tempo não fazia. O tapa certeiro veio no mesmo instante, ela sentiu queimar o lado do rosto.
- Não fale assim comigo sua vadiazinha! A tia a segurou pelos ombros chacoalhando. – Aqui é minha casa e eu faço o que bem entendo! Estou trabalhando, pagando aqueles merd@s! Você diz que trabalha tanto, mas não vejo a cor do dinheiro, se me desse eu não tinha ficado devendo, a culpa disso tudo é sua!
Elise olhou para ela desacreditada.
- Eu culpada? Eu? É você quem bebe igual a um gambá, se enche de drogas, dorme com pelo menos dois caras diferentes por dia e eu sou a culpada? De repente, Elise se sentiu confiante e não baixou a cabeça para a tia.
Maristela foi para cima da sobrinha e a pegou pelos cabelos compridos com força. O puxão foi tão forte que Elise gritou. Ela foi arrastando a menina até a porta do apartamento e a jogou no chão do corredor.
- Hoje você vai dormir aí fora para aprender a não me desrespeitar sua inútil! Virou e trancou a porta.
- Tia, me deixe entrar preciso tomar um banho e dormir! Elise bateu na porta chorando, mas a tia não abriu.
Suspirou limpando as lágrimas silenciosas e sentou apoiando as costas na porta, teria que dormir ali mesmo. Achou bom que já era tarde, assim nenhum vizinho iria vê-la. Todos sabiam o que acontecia na sua casa, mas ninguém se metia. Na verdade, o prédio todo era um pardieiro, então ninguém se preocupava, mesmo assim Elise tinha vergonha da sua situação, não via a hora de fazer dezoito anos e sumir.
...
Era sexta-feira à noite. Elise estava com o corpo dolorido por ter dormido sentada na porta de casa, só queria um banho quente e deitar na cama. Teria que estar no hotel mais cedo que o normal no outro dia, precisava descansar, mas estava sentada do outro lado da rua encostada num muro, esperando para entrar em casa.
Começou a chover e todos que estavam por ali correram para baixo de uma marquise próxima. Elise acabou ficando de fora, na chuva.
- Meu Deus, eu não aguento mais isso! Estava desolada. – Se puder mandar um raio na minha cabeça eu agradeço. Suspirou.
Andou na chuva em direção ao prédio e sentou do lado das lixeiras que ficavam sob um telhado minúsculo. Metade do seu corpo magro ficou protegido, abraçou as pernas e descansou a cabeça sobre os joelhos. Tentava pensar em alguma coisa agradável para passar o tempo quando ouviu passos em sua direção. Ergueu a cabeça preocupada.
- Menina! O que está fazendo aí nessa chuva? Uma senhora apareceu e falou espantada.
- Estou esperando para entrar em casa. Elise deu um sorriso fraco.
- Não pode ficar aí, venha! Virou de uma vez sem dar chance dela recusar o convite.
Exausta e encharcada pela chuva, Elise acompanhou a mulher.
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Atualizado até capítulo 131
Comments
Helena
essa Maristela,maldita viciada.vadia é você.muito sofrimento pra Elise
2025-01-14
4
Lu e a Estante de Sonhos
Ordinária, narcisista!!! Eu passaria a sustentar o casal morador de rua ao invés da tia vagabunda, ordinária e narcisista!!😒😤😓
2025-03-31
1
Antonia L Castro
Aí que dó dessa menina! 😞
2025-01-16
4