Elise seguiu a mulher por poucos metros, sua casa ficava quase ao lado do prédio. A mulher parou em frente à um portão marrom que não deixava nada da casa à mostra para quem olhasse da rua. Tirou um chaveiro antigo do bolso e usou a chave maior para abrir. O portão fez um barulho horrível, parecia que fazia tempo que estava fechado.
- Preciso colocar um óleo nisso urgente! Disse sorrindo. – Entre, vamos sair logo dessa chuva.
Elise parou por um instante e olhou pelo portão, estava escuro e por causa da chuva forte ela não conseguia ver muita coisa. Num dia normal ela nunca entraria, não confiava em ninguém, mas a senhorinha não parecia ser má pessoa e ela não aguentava mais ficar ali.
Seguiu a mulher pela calçada desviando das poças d’água até uma pequena escada que dava acesso à casa. Subiram e a mulher continuou, Elise ficou parada no lugar olhando para os tênis molhados. Ouviu o barulho de uma porta sendo aberta e então as luzes foram ligadas. Olhou em volta, estava parada numa varanda, não tinha sinal da mulher. Andou para mais perto da beira da varanda caso tivesse que correr quando a mulher apareceu na porta.
- Aqui! Pegue essa toalha para secar um pouco esses cabelos. Deu a toalha nas mãos de Elise e quando tentou ajudar a tirar a mochila das suas costas ela se esquivou.
- Posso fazer isso sozinha! Elise olhou séria. – Agradeço a ajuda, eu vou para casa assim que passar a chuva.
- Desculpe, só queria ajudar com a mochila, fique à vontade. Ela sorriu envergonhada. – Seque logo seus cabelos senão vai pegar uma gripe, acho melhor tirar os tênis também, assim fica com os pés secos. Você já jantou?
Elise passava a toalha nos cabelos olhando atenta para a mulher. Se arrependeu de ser grosseira, mas ela não conseguia ter alguém tocando nela, resultado de anos apanhando da tia.
- Me desculpe, não quis ser grossa, obrigada pela toalha. Sorriu fraco.
- Não tem problema! Piscou para ela. - Eu passei a tarde na rua e ainda não jantei vou preparar alguma coisa, você me acompanha?
Elise balançou a cabeça concordando, estava morrendo de fome. A mulher saiu dali e ela ficou mais à vontade. Sentou numa cadeira que ficava em volta de uma pequena mesa e tirou os tênis, torceu as meias e deixou de lado. Abriu a mochila para conferir o estrago, mas não tinha molhado nenhum caderno, agradeceu a Deus por isso.
A mulher voltou com chinelos na mão e mais uma toalha.
- Tome, tire essa jaqueta e seque o resto do corpo, você está encharcada! Respirou fundo olhando para Elise. - O jantar está quase pronto, você deve estar com fome, é tão magrinha! Levou a mão para tocar em Elise, mas parou. – Nossa, nem me apresentei, meu nome é Helena e o seu?
- Muito prazer dona Helena, meu nome é Elise. Disse tirando a jaqueta molhada. – Eu moro aqui no prédio do lado. Passou a toalha secando os braços.
A mulher encarou Elise por alguns instantes, como se pensasse em algo.
- Quantos anos você tem? Perguntou séria.
- Tenho 16. Disse apertando os lábios, normalmente achavam que ela era mais nova por ser baixinha.
- Você tem 16 anos. Afirmou desviando o olhar pensativa. - Bom, fique aqui e termine de se secar, eu vou arrumar a mesa e podemos comer. Virou as costas e saiu deixando Elise ali sem acreditar que estava na casa de uma desconhecida àquela hora da noite.
A chuva não dava trégua e ela olhava para o quintal da casa imaginando se já poderia voltar para casa.
- Venha jantar, menina! A mulher chamou sorrindo.
Elise entrou devagar na casa, era um lugar muito aconchegante. O primeiro cômodo era uma pequena sala com algumas plantas penduradas nas paredes, um sofá grande branco que parecia bem confortável, uma poltrona do lado e uma mesinha com um abajur bastante antigo. Perto dele um livro, ela esticou os olhos para ver e sorriu com o título “Orgulho e Preconceito", um dos livros preferidos dela.
- Vai esfriar, Elise! Dona Helena apareceu no canto da sala.
Ela foi até a mulher sentindo o cheiro de comida boa e quente. Entrou no que parecia ser uma pequena sala de jantar e no meio da mesa estava uma tigela com macarrão.
- Deu para ver pela sua cara que gosta de um bom macarrão! Dona Helena riu. – Sente ali que vou te servir. Pegou um prato e colocou uma boa quantidade.
- Obrigada. Elise pegou o prato e começou a comer na mesma hora. – Está maravilhoso!
- Que bom que gostou! Eu tinha o molho pronto então saiu rapidinho! Deu uma boa garfada.
A chuva aumentou enquanto elas jantavam, a água batia nas janelas com força. Terminaram de jantar e dona Helena olhou para fora apertando os lábios.
- Está bem tarde, Elise, acho bom você avisar seus pais que está aqui.
- Eu sou órfã, moro com minha tia. Olhou para o prato vazio. – Não é como se eu tivesse que avisar que estou aqui, mas já vou indo. Levantou pegando o prato na mão.
Dona Helena olhou atentamente para Elise perdida em pensamentos.
– Onde é a pia?
- Não estou falando que tem que ir, menina. Pelo que falou sua tia não está esperando, pode passar a noite aqui. A chuva está muito forte para ir agora e tenho um quarto vazio. Acho que percebeu que não sou uma velha criminosa! Deu risada.
Elise sorriu mais animada.
- Quantos anos a senhora tem?
- Tenho 71 anos.
Dona Helena apesar de ter um semblante cansado e algumas rugas era muito bonita. Usava os cabelos bem curtos que já eram brancos e suas roupas eram simples, mas elegantes. Elise a observava atenta.
- Tudo bem, eu passo a noite aqui com a senhora se não for atrapalhar. Pensou que não tinha nada a perder, sua tia não estava nem aí mesmo.
- Que bom! Vou arrumar o quarto e procurar alguma roupa para você tomar um banho e colocamos as suas para secar na lavanderia. Enquanto eu faço isso, você pode lavar a louça?
- Claro, onde é a cozinha?
- Ali naquela porta, o detergente e a esponja estão na prateleira em cima da pia, pode deixar tudo no escorredor, eu já volto! Disse levantando e saindo em direção a um corredor.
Dona Helena entrou no quarto e abriu seu roupeiro, respirou fundo e começou a tirar algumas peças que poderiam servir em Elise. Seus pensamentos estavam longe, colocou as roupas em cima da cama e sentou do lado.
- Isso tudo não pode ser coincidência, ou pode? Falou alto.
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Atualizado até capítulo 131
Comments
Anete Silveira
Tomara que sorte da Elise comece a mudar 🥺
2025-01-16
5
Anete Silveira
Parece ser boa pessoa a dona Helena 😃
2025-01-16
5
Helena
ahhhhh que alívio.que a dona Helena seja o " anjo " na vida da Elise.
2025-01-14
4