Elise Rodrigues Bernardi – 15 anos
Elise andava rápido pela rua em direção à sua casa, já passava das dez e meia da noite e ela não queria arriscar encontrar algum bêbado pela rua. Estava doida para tomar um banho e esticar seu corpo na cama para tentar relaxar um pouco depois da semana de provas na escola.
Avistou a porta do prédio aberta e balançou a cabeça para os lados. Nos últimos dias tinham entrado várias vezes para roubar as lâmpadas dos corredores, o síndico não estava dando conta de trocar sempre e claro que isso era cobrado nas taxas, que sempre estavam em atraso.
O prédio era velho e mal cuidado. A pintura de fora, um creme encardido, estava desgastada e com mofo em vários lugares, mas era o que podia pagar. Ela entrou e pegou as escadas que estavam num breu total.
- Que droga, levaram as lâmpadas de novo! Suspirou fundo subindo com cuidado para o terceiro e último andar. Quando abriu a porta que dava para as escadas ouviu barulhos vindo do apartamento que dividia com a tia. Chegou perto da porta e confirmou o que desconfiava, ela ainda estava acordada e com o namorado.
Não sabia se entrava e enfrentava o que tinha ali dentro ou se voltava para as escadas para esperar que o homem saísse ou os dois dormissem de tão bêbados. Lembrou da última vez que demoraram muito para terminar a farra e resolveu enfrentar, precisava muito de um banho.
Abriu a porta devagar na esperança deles não a enxergarem, mas foi em vão.
- Olha só quem chegou, onde você estava? Estamos com fome e não tem nada nessa casa! Falou com a voz molenga de tão bêbada.
- Não sei se lembra, mas eu tenho aula todos os dias! Falou alto, mas logo respirou fundo, não sabia se ela tinha misturado outra coisa além da bebida.
- Cuidado com o tom, menina! Você vive sob o meu teto, me respeite! Ela dizia enquanto o namorado não saía de cima dela. Os dois estavam no sofá se agarrando.
- Vou dormir! Ela ia saindo quando a tia gritou. – Não tem nada pra comer nessa casa, onde você está gastando o seu dinheiro?
- Estou pagando as suas contas, suas drogas e sua bebida, sua maldita! Elise pensou. Não ousava dizer isso em voz alta, na última vez que a enfrentou ficou 3 dias sem ir trabalhar por causa do hematoma no rosto. – Vou ver o que tem na geladeira para fazer alguma coisa. Suspirou desanimada.
Abriu o armário que guardava mantimentos e achou dois pacotes de macarrão instantâneo. Na geladeira alguns ovos perdidos e bebida. Uma garrafa de Vodka pela metade e muitas cervejas.
- Pronto, tá explicado o que ela fez com o dinheiro do mercado. Falou para si.
De repente sentiu a respiração do homem no seu pescoço.
- Quer uma cerveja, lindinha?
Elise deu um pulo para o lado se afastando imediatamente do namorado da tia. Da última vez que ela viu os dois perto achou que a sobrinha estava dando em cima do homem.
Foi para o fogão e preparou os dois pacotes de macarrão enquanto dava uma organizada na cozinha tirando o lixo acumulado e as garrafas vazias. De manhã teria que lavar a louça e limpar o chão que estava uma nojeira.
- Está pronto! Ela chamou os dois que vieram rápido.
- Miojo, Elise? A tia olhou com cara feia.
- Não tinha mais nada nos armários. Elise encarou a tia firme.
- Tá bom, queridinha! Ela sentou e começou a comer. – Amanhã não esquece de passar no mercado, ah, pode me dar algum dinheiro? Preciso comprar umas coisas na farmácia.
Elise sabia para que era o dinheiro, drogas. Com amargura abriu a carteira e deu vinte reais para a mulher.
- Toma, só tenho isso. Deixou em cima da mesa.
- Podia ser mais generosa, mas eu me viro com isso. Agora pode ir para o seu quarto.
Elise olhou para os dois virou as costas e foi para o quarto, entrou e trancou a porta. Deixou a mochila no chão e tirou os tênis surrados. Deitou na cama de roupa e tudo e fechou os olhos, estava muito cansada.
Lembrou que seu chefe pediu que fizesse hora extra na semana que vem, o hotel receberia vários hóspedes para uma convenção. Ela arrumou o emprego como faxineira do hotel por um milagre, era difícil o lugar que empregava menor de idade. Um dia, enquanto andava pela rua topou com uma mulher que tinha torcido o pé enquanto corria de manhã, para sua sorte era a dona do hotel. Elise a ajudou a chegar em casa, foi muito atenciosa e a mulher para ajudar a menina tão mal cuidada lhe deu o emprego. O salário ajudava a sustentar a casa e a pagar as coisas da tia. Maristela tinha virado a sua cruz.
Assim que ela teve a guarda legal de Elise, tratou de usar o dinheiro dos seguros de vida e do carro numa vida de luxo, gastando em farras, bebidas, drogas, amigos até que tudo acabou e ficaram sem nada.
A casa que ficou para Elise tinha sido vendida há tempos. Ela devia para dois traficantes e para não morrer vendeu a casa e dividiu o dinheiro entre eles.
E essa era sua vida desde que a tia a tirou daquele abrigo naquele dia. O mesmo dia que viu pela última vez seu amigo Gustavo e se sentiu segura.
Abriu os olhos e levantou da cama, pegou uma muda de roupa e saiu do quarto para o banheiro, tomou um banho quente, fez sua higiene e quando estava saindo do banheiro resolveu dar uma olhada nos dois mal acabados que estavam em casa. Foi na ponta dos pés até a sala e não encontrou nenhum deles.
- Foram comprar drogas, com certeza! Ela suspirou e voltou para o quarto trancando a porta em seguida, não queria arriscar que o nojento do namorado da tia entrasse.
Ela deitou na cama e pegou uma foto dos pais que guardava embaixo do colchão e pensou que as coisas seriam bem diferentes se eles não tivessem morrido naquele acidente. Ela viveria uma vida feliz se sentindo segura para voltar para casa e se sentir amada.
Era difícil para Elise classificar o amor na sua vida, ele não existia, ela não era merecedora. A tia falava sempre, que a vida era isso, sofrida e cruel e que amor era para os fracos e iludidos e ela era uma iludida.
Elise não tinha amigos, não se relacionava com os vizinhos pela vergonha constante, suas relações eram frias, não queria se aprofundar para não ter que explicar a vida que levava. E assim ela vivia, indo no fluxo.
Quem sabe um dia encontraria um pouco de felicidade, mas ela não acreditava mais nisso.
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Atualizado até capítulo 131
Comments
Helena
Chris,vc já começou apertando nosso coração.isso não é vida.coitada dessa menina.
2025-01-14
4
Helena
esse namorado viciado é um tormento pra Elise.qdo ela vai se livrar deles?
2025-01-14
4
Antonia L Castro
Gente que ódio dessa mulher! 😤
2025-01-16
4