17. Fogo em palha

A notícia sobre os lobos americanos se espalhou como fogo entre os membros da família Pari e os lobos-guarás das redondezas. Pequenos grupos se formaram na fazenda, e o clima ficou tenso. No centro de tudo, Dimas tentava manter a ordem, mas as acusações vinham de todos os lados.

— Você nos traiu, Dimas! — gritou um dos primos distantes. — Trouxe pessoas de fora para cá, arriscando nossa segurança. Há décadas vivemos discretamente, e agora isso?

— Eu não traí ninguém! — respondeu Dimas, levantando a voz. — Essas pessoas chegaram como qualquer outra negociação que já fiz. Só depois descobri que são lobos, como nós.

O burburinho aumentou. Um dos presentes levantou a mão, exigindo mais explicações.

— E o tio Rubão? — questionou, a voz carregada de suspeita. — Ele desapareceu! E agora esses estrangeiros aparecem?

Dimas respirou fundo, passando a mão no rosto cansado.

— Sim, o tio Rubão está desaparecido há algum tempo. E talvez alguém daqui tenha passado informações sobre ele e suas descobertas. Mas não fui eu! — respondeu, com firmeza.

Flora, até então calada, deu um passo à frente.

— E a madeireira? O que sabemos sobre ela? Lembra que eles vieram aqui antes deste americano, queria nosso Ibirapê, e você negou.

— Sim, é verdade, meses depois tivemos uma invasão. Disse Caíque, primo direito de Dimas.

Dimas hesitou, mas sabia que precisava ser sincero.

— Há rumores de que a madeireira contratou um laboratório clandestino para estudar os parasitas que infectam lobos. — Ele olhou para os rostos ao redor. — Esses parasitas estão sendo usados contra os lobos na América. Lobos comuns, humanos e metamorfos. Eles afetam todos, mas enquanto vermífugos comuns ajudam humanos e lobos, nós precisamos de algo mais complexo.

Um silêncio pesado tomou conta da sala. Dimas continuou:

— Esses americanos não estão mentindo. Fiz minha própria pesquisa. Há relatos de infecções graves nos Estados Unidos.

— Você está nos colocando em perigo. — disse um homem mais velho.

— Quando foi que coloquei vocês em perigo? — Dimas retrucou, a voz firme. — Tudo o que fiz foi proteger nossa família, e nossa terra. já tem 30 anos, assim, como meu pai, e meu avô os fizeram. Alguém de dentro passou informações. Precisamos descobrir quem é o traidor.

Os murmúrios cessaram. Cada um olhava para o outro, procurando respostas. Dimas aproveitou o momento:

— Vocês querem saber por que eles estão aqui? Porque precisam de ajuda. E nós precisamos entender quem está nos traindo, antes que isso destrua tudo o que construímos. — Ele fez uma pausa e concluiu: — E lembrem-se: se isso chegar aos humanos, estaremos acabados. pior isso parem de espalhar fofocas, porque sabe que isso corre mais do que fogo, em palha

Um a um, os presentes concordaram com a cabeça, percebendo a gravidade da situação. Era hora de unir forças para proteger o segredo da família Pari e impedir que a ameaça se espalhasse.

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Ethan observava tudo de longe, os olhos atentos a cada movimento e palavra na reunião acalorada que ocorria. Ele estava preparado para qualquer ataque ou reação explosiva, mas, para sua surpresa, isso não aconteceu. Em vez disso, ficou impressionado com a firmeza de Dimas Pari. Apesar da falta de uma estrutura formal de hierarquia como ele conhecia entre os lobos americanos, Dimas liderava com naturalidade e autoridade, uma espécie de Alfa supremo em sua comunidade.

A presença de Pedro Lobo, sempre em pé ao lado de Dimas, ajudava a manter a ordem. Era evidente que Pedro era alguém de alto respeito e influência, talvez até mais do que Ethan inicialmente imaginava. "Até o lobo que me atacou parecia temer Pedro", refletiu Ethan, tentando entender a dinâmica daquela família.

Enquanto isso, do lado de fora, Cauê estava visivelmente irritado. Ele não entendia por que não podia participar da reunião e, como sempre, tinha vontade de falar poucas e boas para as pessoas que criticavam seu pai.

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Do outro lado da casa, Emma estava preocupada com as acusações que Dimas estava enfrentando. Ela sabia que a situação era delicada e que Aruanã deveria estar sentindo o peso de tudo aquilo. No entanto, quando a porta do quarto se abriu, ela se surpreendeu ao ver Aruanã determinada, prestes a descer as escadas.

— Nã, não vá — disse sua mãe, segurando-a pelo braço. — Você não pode se envolver. Seu pai resolve isso.

— Eu preciso ajudar! — respondeu Aruanã, com a voz firme.

Ela se soltou com um movimento rápido, e nem Cauê nem Jucá conseguiram segurá-la a tempo. Determinada, Aruanã desviou de Ethan, que vinha em sua direção para tentar impedi-la. No entanto, antes que ela pudesse alcançar as escadas, Emma foi mais rápida e parou bem na frente dela.

— Você é rápida, Nã — disse Emma, com um sorriso suave, chamando-a pelo apelido de forma carinhosa. — Vamos, eu fico com você no seu quarto.

Aruanã hesitou por um momento, mas acabou cedendo. Elas entraram no quarto. A cada grito que vinha lá de baixo, Aruanã sentia o coração disparar. Sentada na beira da cama, ela não conseguia esconder a preocupação.

Emma percebeu e se aproximou, puxando-a para um abraço reconfortante.

— O Ethan está lá perto — disse Emma, com a voz calma. — Ele vai proteger sua família, eu garanto. E a Lydia… bom, ela pode parecer indiferente às vezes, mas com certeza ela agiria se fosse necessário.

Aos poucos, Aruanã começou a se acalmar. Quando finalmente soube que tudo havia terminado bem, ela suspirou aliviada. Virou-se para Emma e a abraçou, encostando a cabeça em seu ombro. Emma retribuiu o gesto, apertando-a com força.

As duas permaneceram assim, abraçadas, até que Aruanã, com um tom suave, murmurou:

— Dorme aqui comigo, hoje.

Emma sorriu, acariciando os cabelos de Aruanã com delicadeza.

— O que você pede é uma ordem — respondeu Emma, antes de inclinar-se para dar um beijo na ponta do nariz de Aruanã.

Deitaram-se juntas, o silêncio confortável preenchendo o quarto. Aruanã fechou os olhos, sentindo-se segura, enquanto Emma a observava, garantindo que ela descansasse.

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