13. Eles também são lobos

No quarto, a atmosfera estava pesada. Ethan estava inquieto, andando de um lado para o outro, enquanto Lydia mexia em suas unhas com tédio aparente. Emma permanecia sentada, pensativa, observando os dois. Após a conversa com Dimas, eles estavam mais confusos do que nunca.

— Espera aí… eles sabem que somos lobos e nem ficaram assustados? — disse Ethan, parando de andar e cruzando os braços. — Isso é muito estranho.

Lydia bufou, rolando os olhos.

— Ah, eles devem estar acostumados a ver um monte de bicho por aí. Estamos no Brasil, afinal.

Emma olhou diretamente para ela, seu tom de voz firme.

— Lydia, para com isso. Essa maneira de falar sobre eles é feia. Você está sendo desrespeitosa com pessoas que nos ajudaram.

— Tudo bem, tudo bem… — respondeu Lydia, levantando as mãos em rendição, mas sua expressão ainda era cética.

Ethan franziu o cenho, pensativo.

— Ainda assim, é esquisito eles terem nos ajudado tão naturalmente. A maioria das pessoas, se soubessem o que somos, sairiam correndo ou tentariam nos matar. Eles… apenas ajudaram.

Emma suspirou, assentindo.

— Sim, é estranho. Talvez… eles também sejam Lobisomem.

Ethan paralisou por um momento, processando a ideia. Ele olhou para Emma com seriedade.

— Eu acredito que vi um lobisomem aqui. Não tenho dúvida disso. Mas essa família é tão humilde… não parece haver uma hierarquia como a nossa.

Emma inclinou a cabeça, ponderando.

— Talvez em outros lugares os lobisomens funcionem de maneira diferente. Nem toda sociedade é como a nossa, estruturada e cheia de regras.

Ethan balançou a cabeça.

— Pode ser. Esse Dimas comanda a fazenda como um patriarca, mas ele não parece um líder de clã. Parece mais… um fazendeiro comum.

Lydia revirou os olhos novamente.

— Vocês estão paranóicos. Acham mesmo que eles são metamorfos? Aqui?

Emma encarou Lydia com paciência, mas com firmeza.

— Por que não? Você acha que ser um metamorfo é um privilégio exclusivo de americanos ou europeus?

Lydia abriu a boca para responder, mas hesitou, claramente confusa.

— Eu… não tinha pensado nisso.

— Talvez possamos descobrir mais — sugeriu Emma. — Lydia, pesquise sobre os lobos daqui. Quero saber mais sobre os lobos guarás. Quem sabe eles funcionem como eles.

— Com essa internet? — retrucou Lydia, franzindo o nariz. — Vai demorar séculos.

— Apenas tente — insistiu Emma.

Lydia se levantou, pegando o Laptop e conectando-se à rede da fazenda. A conexão era incrivelmente lenta, mas, com paciência, ela começou a encontrar informações.

— Olha só isso — disse ela, após um tempo. — Os lobos guarás são diferentes dos nossos. São mais isolados, vivem sozinhos ou em pequenos grupos. Não são muito grandes, mas são incrivelmente rápidos.

— E o que isso significa? — perguntou Ethan, ainda desconfiado.

Lydia olhou para a tela, pensativa. então ema disse:

— Bom, eles são isolados para o mundo, mas aqui na fazenda agem como uma grande família. Talvez seja uma mistura do lado humano com o lado lobo. Assim como nós temos características de lobos, mas também humanas.

Ethan assentiu lentamente.

— Faz sentido. Mas precisamos confirmar isso.

Lydia fechou o laptop, cruzando os braços.

— E como você pretende fazer isso?

— Vou descobrir — respondeu Emma, levantando-se.

Emma encontrou Aruanã próxima à varanda da casa. A jovem parecia nervosa, mas tentou manter a compostura ao ver Emma se aproximar.

— Você está bem? Não passou mal de novo, né? — perguntou Aruanã, preocupada.

— Não, Eu estou bem — respondeu Emma, com um sorriso leve. — E eu só tenho que te agradecer.

Aruanã ficou em silêncio, mas seu corpo ficou tenso. Emma deu um passo à frente, encarando-a diretamente nos olhos.

— Quero andar com você. Vamos conversar.

Aruanã hesitou, mas acabou concordando com um leve aceno. Enquanto caminhavam pela fazenda, Emma observava cada detalhe de Aruanã. Havia algo na jovem que a intrigava profundamente, algo que parecia ser mais do que simples conexão. Após um tempo, Emma parou, segurando levemente o braço de Aruanã.

— Olhe para mim — pediu Emma, a voz baixa mas firme.

Aruanã virou-se lentamente, mas sem olhar fixo para Emma.

— Por favor Nã, olha para mim. disse ela com uma voz doce.

Aruanã olhou.

— Você sabe o que eu sou, não sabe? — perguntou Emma, diretamente.

Aruanã piscou algumas vezes, nervosa, mas não respondeu. O silêncio era mais revelador do que qualquer palavra.

Emma estreitou os olhos.

— Você também é um lobo, não é?

Aruanã ficou paralisada por um momento, seu olhar oscilando entre a surpresa e a inquietação. Mas antes que pudesse responder, desviou o olhar rapidamente, como se estivesse tentando fugir daquela verdade.

Emma continuou segurando o braço de Aruanã, a intensidade em seus olhos deixando claro que não estava disposta a recuar.

— Foi você que foi ao meu quarto à noite, como lobo, não foi? — perguntou Emma em um sussurro, sua voz baixa, mas firme.

Aruanã congelou por um momento, mas desviou o olhar rapidamente, tentando soltar o braço.

— Eu não sei do que você está falando. Você deve estar louca. — Sua voz tremia levemente, embora ela tentasse soar firme.

Emma inclinou-se ligeiramente, aproximando o rosto do de Aruanã.

— Você sente uma conexão comigo, assim como eu sinto por você. Não sente? — As palavras de Emma eram carregadas de emoção, e seus olhos fixos alternavam entre os olhos e os lábios de Aruanã, que desviava o olhar desesperadamente.

— Eu… eu não sei do que você está falando — respondeu Aruanã, tentando afastar-se. Seu corpo estava tenso, e seu coração batia como um tambor dentro do peito.

A verdade estava ali, pendurada no ar entre elas, mas Aruanã sabia que não podia deixá-la escapar. Se Emma estivesse ali por algo mais do que o óleo, por algo que pudesse colocar sua família em perigo, seria um risco revelar o que realmente era. Ela não podia tirar o foco do que realmente importava.

— Por favor, me diga a verdade — insistiu Emma, sua voz quase um sussurro agora. Seus olhos imploravam, cheios de desejos — Confie em mim.

O olhar de Emma ainda alternava entre os olhos de Aruanã e a curva de sua boca, como se procurasse alguma resposta oculta ali. Aruanã sentiu o calor subir pelo rosto e uma vontade absurda de confessar tudo, mas resistiu, afastando-se um pouco mais, seu corpo rígido com o peso do segredo.

— Eu não sinto. — murmurou Aruanã, quase inaudível, enquanto dava um passo para trás, tentando controlar as emoções que a estavam consumindo.

Emma suspirou, fechando os olhos por um momento, mas não soltou o braço dela.

— Não sente … tem certeza? — perguntou Emma, abrindo os olhos novamente, seu tom mais grave.

Aruanã tentou responder, mas as palavras não vieram. A conexão que Emma mencionava estava lá, e era impossível negar. Algo inexplicável puxava uma para a outra, como se fossem duas forças destinadas a se encontrar. Mas a revelação dessa conexão colocaria tudo o que Aruanã amava em risco.

— Eu sinto isso — continuou Emma, sua voz quase trêmula. — Não sei explicar, mas desde que te vi, algo mudou. Você também sente, eu sei que sente. Por favor…

Aruanã puxou o braço de volta com força, rompendo o contato, e deu mais um passo atrás, respirando fundo.

— Eu sinto muito — disse ela, sem olhar nos olhos de Emma. — Mas você está enganada.

Sem esperar uma resposta, ela se virou e saiu rapidamente, deixando Emma sozinha, com o coração apertado e a mente cheia de perguntas.

Enquanto Aruanã se afastava, segurando o próprio braço onde Emma a segurara, sentia o calor do toque dela ainda presente em sua pele. Cada passo que dava parecia pesar mais, enquanto as palavras de Emma ecoavam em sua mente.

"Eu sinto uma conexão com você… confie em mim."

Mas confiar poderia ser o começo de tudo que ela temia perder.

— Desculpa, Emma. — falava sozinha.

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