12. Acordo

Mas antes que seus lábios se aproximassem, logo Lydia se desvencilhou, ajeitando a postura.

— Eu… estou bem. Obrigada.

— Eu nem perguntei se você estava bem. Disse ele.

— Idiota.

Cauê apenas sorriu de lado, sem dizer mais nada, e seguiu seu caminho, enquanto Lydia olhava para ele com ódio

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A luz do sol entrava suavemente pelas janelas do quarto de Emma. Ela abriu os olhos, sentindo-se incrivelmente bem. Havia semanas que não se sentia tão cheia de energia. Ethan e Lydia estavam sentados próximos, ambos em silêncio, observando-a atentamente, claramente esperando o pior.

— Bom dia — disse Emma, sorrindo, enquanto se espreguiçava.

Ethan e Lydia trocaram olhares incrédulos.

— Você… está bem? — perguntou Ethan, cauteloso.

— Nunca me senti melhor — respondeu Emma, sentando-se.

Lydia cruzou os braços, ainda desconfiada.

— Isso é impossível. Como pode estar assim depois de tomar aquele… sei lá o que era aquilo?

Emma sorriu levemente, balançando a cabeça.

— Talvez porque eles sabiam o que estavam fazendo.

Ethan bufou, ainda claramente incomodado.

— Ou porque você tem sorte. Isso não significa que devíamos confiar neles.

Emma olhou para os dois com seriedade.

— Não importa o que vocês acham. Vocês devem desculpas a eles, e não é um pedido é um ordem.

Lydia arregalou os olhos, incrédula.

— O quê? Desculpas? Eles podiam ter nos envenenado!

— Mas não envenenaram, não é? — retrucou Emma. — Eles nos acolheram, prepararam o remédio e me ajudaram. O mínimo que vocês podem fazer é respeitar eles.

Ethan tentou argumentar, mas o olhar firme de Emma o calou. Resmungando, ele finalmente assentiu, e Lydia revirou os olhos, mas também não contestou mais.

Pouco tempo depois, Dimas chamou Emma, Ethan e Lydia para seu escritório. O ambiente era rústico, mas organizado, com uma mesa de madeira maciça no centro e prateleiras cheias de documentos e livros sobre o cerrado. Dimas estava sentado atrás da mesa, com uma expressão séria.

— Quero saber exatamente o que vocês querem com o Ibirapê — começou ele, direto ao ponto.

Emma trocou olhares com Ethan e Lydia, que claramente hesitaram em responder. Eles estavam tentando pensar em algo que pudesse esconder a verdade, mas Emma, já desconfiada de que Dimas sabia mais do que deixava transparecer, decidiu ser honesta.

— Você já sabe, não sabe? — perguntou Emma, cruzando os braços.

Dimas manteve o olhar firme, mas não respondeu imediatamente. Emma continuou:

— Estamos aqui porque precisamos do óleo. Não é para lucro, não é para negócios. É para salvar nosso povo.

Dimas franziu o cenho, surpreso.

— Seu povo?

Emma respirou fundo e começou a explicar:

— Somos Lobos. Mas nosso clã está sendo dizimado por um parasita que infecta nosso sistema e nos impede de transformar corretamente. Descobrimos que o óleo do Ibirapê pode ser a cura

Dimas ficou em silêncio por um momento, absorvendo as informações. Ele parecia surpreso e preocupado.

— Como vocês sabem das propriedades do óleo? — perguntou ele finalmente.

— Um laboratório nos Estados Unidos estava usando o óleo. Descobrimos que ele vinha do Brasil e que suas propriedades eram diferentes de qualquer outra coisa que já vimos. Pesquisamos até rastrear sua origem aqui.

Dimas balançou a cabeça, claramente desconfortável.

— Isso explica muita coisa… O sumiço do Rubão, as invasões na fazenda… — murmurou ele, mais para si mesmo.

Emma inclinou-se ligeiramente.

— O que quer dizer?

Dimas suspirou.

— Tio Rubão foi o único que dominou completamente a técnica de extração do óleo, para remédio, o que fazemos aqui, é o básico para extrair o óleo, já para fazer remédio é bem mais complexo. Ele sabia como transformá-lo em remédio. E se alguém está usando isso indevidamente, só pode ser porque ele foi forçado a ensinar… ou porque roubaram dele.

Houve um momento de silêncio enquanto todos processavam a gravidade da situação. Dimas finalmente ergueu o olhar para Emma.

— Vou ensinar vocês a extração. Mas com uma condição: vocês não podem revelar isso para mais ninguém. O óleo é sagrado para nós. Já para fazer o remédio, vou mandar pra vocês a receita, quando já estiverem indo embora.

— Nós prometemos — disse Emma, imediatamente.

Dimas olhou para Ethan e Lydia, que assentiram, embora com relutância.

— Espero que a palavra de vocês valha alguma coisa. Porque, se não valer, tudo o que protegemos por gerações estará perdido — disse Dimas, antes de chamar Pedro, Cauê e Jucá.

No pátio da fazenda, Pedro, Cauê e Jucá estavam reunidos ao redor de uma prensa manual antiga, projetada pelo bisavô de Dimas. Eles explicaram cada passo da extração para Emma, Ethan e Lydia, que observavam atentamente.

Pedro começou:

— Primeiro, você precisa romper a casca do fruto. É aqui que muitos erram. Se você aplicar muita força, perde o óleo. Se usar pouca, não consegue extrair nada. É uma questão de equilíbrio.

Cauê demonstrou como usar a ferramenta para pressionar o fruto sem danificá-lo, enquanto Jucá explicava sobre as temperaturas ideais para aquecer o óleo sem destruir suas propriedades.

— O aquecimento precisa ser controlado — disse Jucá, mexendo na panela com óleo. — Se passar do ponto, o óleo fica inútil. Se não atingir a temperatura certa, você não extrai o suficiente.

Emma, com o olhar atento, absorvia cada detalhe. Ela sabia que essa técnica seria vital para salvar seu clã.

Enquanto isso, Ethan e Lydia trocavam olhares nervosos. Apesar da relutância inicial, ambos começaram a perceber a complexidade e a importância do que estavam aprendendo.

Dimas observava tudo de longe, ainda desconfiado, mas esperançoso de que, talvez, essa aliança improvável pudesse levar a algo positivo para todos.

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