Pedro Lobo carregou Emma até o quarto, colocando-a com cuidado sobre a cama que havia sido preparada para ela. Seu rosto mantinha a seriedade, mas ele não fazia perguntas; apenas ajeitou os lençóis e saiu do cômodo em silêncio. Ethan entrou logo em seguida, fechando a porta atrás de si com um leve estrondo, os olhos arregalados de preocupação ao ver Emma tão fraca.
— Isso é sério… — murmurou ele, se aproximando da cama. Emma respirava com dificuldade, o rosto pálido e o suor escorrendo por sua testa. — Isso é o parasita, não é? — perguntou ele diretamente, com a voz tensa.
Emma, ainda sem forças, apenas assentiu com a cabeça, confirmando o que ele temia. Ethan passou a mão pelos cabelos, em um gesto de puro desespero.
— Minha nossa!!… O que fazemos agora? — Ele começou a andar de um lado para o outro, claramente agitado. — Não tem como fazer um antídoto aqui, tem? Precisa ser enviado… precisa ir para o laboratório nos Estados Unidos!
Emma tentou falar, mas estava fraca demais para responder. Ethan parou de andar e encarou Lydia, que acabara de entrar no quarto, preocupada com os gritos dele.
— Isso não vai funcionar! Estamos sozinhos aqui! — disse Ethan, quase gritando. Lydia levantou as mãos, tentando acalmá-lo.
— Ethan, respire. Precisamos pensar com clareza. Não vai ajudar em nada você entrar em pânico assim — disse ela, com o tom mais calmo que conseguiu reunir.
Mas Ethan não ouviu. Ele soltou um suspiro frustrado e saiu do quarto, batendo a porta com força, enquanto Lydia revirava os olhos e o seguia.
Ethan estava encostado na grade de madeira, olhando para o horizonte com os punhos cerrados. Lydia o encontrou ali e cruzou os braços, parando a alguns passos de distância.
— O que está acontecendo com você? — perguntou ela, sua voz carregada de irritação.
Ethan balançou a cabeça, sem tirar os olhos do campo à frente.
— Você viu como ela está? Não dá para simplesmente ignorar isso. Emma está piorando, e nós estamos presos aqui sem nada — respondeu ele, com um tom quase desesperado.
Lydia respirou fundo, aproximando-se um pouco mais.
— Não é só isso, né Ethan? Lembre-se do motivo pelo qual estamos aqui. Esqueca o que sente por ela, e mantenha o foco, só assim vamos achar uma solução.
Ethan virou-se para encará-la, claramente incomodado.
— Você está louca. Não é isso! Ela é a nossa líder, é nossa missão protegê-la.
Lydia ergueu uma sobrancelha, cruzando os braços.
— Não vamo proteger ela com suas neuras, e lembra-se Ethan. Você sabe tão bem quanto eu que Emma é prometida ao Alfa europeu, Jean-Pierre Pondé. Ela tem um futuro traçado, e esse futuro não inclui você.
Ethan apertou os punhos, tentando conter sua raiva.
— Você não entende nada, Lydia. Eu me preocupo com ela como todos do nosso clã. só quero salvar nossa alcatéia.
Lydia deu de ombros, suspirando.
— Ok. Mas se você continuar assim, vai acabar se destruindo no processo. Pense nisso.
Sem esperar uma resposta, ela se virou e voltou para dentro da casa, deixando Ethan sozinho na varanda.
Emma abriu os olhos devagar, sua respiração um pouco mais estável, mas ainda fraca. Ao seu lado, Aruanã segurava um pequeno fruto de Ibirapê. A jovem parecia hesitante, mas decidida.
— Não se preocupe. Isso vai ajudar — disse Aruanã, com uma voz calma.
Com movimentos ágeis, ela mordeu o fruto, rompendo a casca dura, e começou a extrair o óleo diretamente. Colocando o líquido na palma da mão, ela inclinou-se e deixou que algumas gotas caíssem na boca de Emma.
Ethan entrou no quarto nesse momento, observando a cena com uma expressão de surpresa.
— O que você está fazendo? — perguntou ele, aproximando-se rapidamente.
Aruanã se virou, visivelmente desconfortável com o tom de Ethan.
— Ela estava muito fraca. O óleo do Ibirapê pode ajudar. Não é um remédio, mas pode dar um pouco de energia — explicou Aruanã, mantendo o olhar baixo.
Ethan cruzou os braços, desconfiado.
— Como você sabe que isso funciona? Você tratou o óleo? Ele não deveria precisar de um processo para ser útil?
Aruanã balançou a cabeça.
— Eu não sei ao certo. Só fiz o que sempre fazemos. Quando alguém está fraco, o óleo ajuda… mesmo que não esteja tratado.
Ethan olhou para Emma, que parecia um pouco melhor, mas ainda visivelmente abalada. Ele apertou bem as mãos, sem saber se confiava naquilo ou não.
— Isso é estranho. Muito estranho. Você não tinha nenhum frasco de óleo? Isso veio direto do fruto? — perguntou ele, insistindo.
— Sim, direto do fruto. Eu só… fiz o que minha mãe sempre faz. Não questionei o porquê — respondeu Aruanã, parecendo um pouco irritada com o interrogatório.
Ethan respirou fundo, observando Emma por mais alguns segundos.
— Certo… talvez tenha funcionado. Mas não quero que faça novamente, não sabemos o que ela tem, pode ser perigoso.
Emma abriu os olhos com dificuldade e sussurrou:
— Estou… melhor. por favor falem mais baixo.
Ethan assentiu, parecendo ainda mais frustrado.
— Descanso por enquanto.
Enquanto Aruanã saía do quarto, Ethan ficou ao lado de Emma, observando-a com preocupação. Ele sabia que o tempo estava contra eles, e algo no comportamento de Aruanã e na eficácia do óleo do Ibirapê continuava mexendo com sua intuição.
— Isso está errado. Algo aqui não faz sentido… Essa família, é muito estranha.
— Você ligou para o Marcus? Será que o laboratório conseguiu a receita do antídoto?
— Não, ainda estão tentando, podemos fazer aqui e replicar, com esse óleo, ele te ajudou.
— Mas acho que só aliviou, precisamos da receita.
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Atualizado até capítulo 26
Comments
Ana Faneco
essa história promete já amando 😍 continuaaaaaa
2024-12-17
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