Aruanã seguia seu caminho, tentando ignorar as palavras de Emma que ainda ecoavam em sua mente. Ela apertava o braço que Emma segurara, como se aquele toque pudesse queimar, mas não conseguia afastar o turbilhão de emoções que sentia. De repente, o silêncio do campo foi rompido por um farfalhar entre as árvores.
Ela parou, o coração acelerado. Diante dela, um lobo-guará emergiu das sombras. Mas não era um animal comum. Ela sabia, antes mesmo de sentir o cheiro. Era Sinval.
Seus olhos se encontraram, e ele deu um passo à frente, mas Aruanã manteve-se firme.
— O que você quer, Sinval? — perguntou ela, sem esconder o desprezo na voz.
O lobo-guará não respondeu, apenas rosnou baixo, como se tentasse chamá-la. Ele caminhava ao lado dela, seus olhos fixos, insistentes, mas Aruanã desviava o olhar e continuava andando, determinada a não dar atenção.
Enquanto isso, Lydia, que procurava Emma pelos campos, avistou a cena. Ela havia recebido uma ligação urgente de Marcus e, preocupada, saiu à procura de Emma. Mas o que viu no horizonte a deixou alarmada: o lobo-guará era muito maior do que os das fotos que ela havia pesquisado. Não restavam dúvidas — era um metamorfo.
Lydia não hesitou. Com um movimento fluido, deixou sua forma humana para trás e se transformou em um lobo cinzento, seus músculos tensionados e seus olhos brilhando com determinação. Em um instante, lançou-se contra Sinval, que não teve tempo de reagir.
O impacto foi brutal. Lydia rosnava ferozmente enquanto derrubava Sinval no chão. O lobo-guará tentou se defender, mas foi surpreendido pela força e agilidade da loba cinzenta. Os dois rolavam pelo chão, mordendo e arranhando, enquanto o som da luta ecoava pelo campo.
Aruanã gritou, tentando intervir:
— Lydia, pare! Ele não está me atacando!
Mas Lydia estava cega pela raiva. Sinval podia não estar atacando, mas sua mera presença parecia uma ameaça, e Lydia não confiava nele.
Emma, ao ouvir os sons da briga, correu em direção ao tumulto. Quando viu Lydia lutando com o lobo-guará, sua mente foi tomada por um instinto primitivo. Sem hesitar, Emma se transformou, sua forma de lobo cinzento surgindo com força e imponência.
Ela correu em direção à briga, os olhos fixos em Sinval, que estava encurralado.
Aruanã percebeu o que estava prestes a acontecer.
— Não! Ele não está atacando ninguém! — gritou, mas Emma já estava avançando.
Aruanã avançou com força, derrubando Emma antes que ela pudesse atacar Sinval. As duas rolavam pelo chão, mas, em um momento, Aruanã parou, percebendo algo. Seus olhos encontraram os de Emma, e o mundo ao redor pareceu desaparecer.
" É a Emma" pensou Aruanã
Emma reconheceu Aruanã e voltou na forma humana.
Aquela conexão inexplicável, intensa, que pulsava em seus olhares, a fazia sentir que não havia como continuar escondendo. Aruanã voltou à forma humana, lentamente, e ficou ali, ainda em cima de Emma, ambas ofegantes e confusas.
Emma, deitada no chão, encarava Aruanã com uma mistura de surpresa e fascínio. A forma humana de Aruanã estava tão próxima que Emma podia sentir sua respiração, e os olhos dela, cheios de emoção, prendiam os seus.
Elas ficaram assim, congeladas no momento, enquanto a briga se desenrolava, do outro lado.
Antes que qualquer uma pudesse falar, um ruído de passos chamou a atenção delas. Dimas apareceu primeiro, já em sua forma humana, seguido de perto por Ethan, que também retornava à forma humana.
— O que está acontecendo aqui? — perguntou Dimas, sério, enquanto olhava para a cena.
Aruanã, percebendo a situação, levantou-se rapidamente, ajeitando-se. Emma também se levantou, ainda olhando para Aruanã, mas esta evitava seu olhar.
Sinval, que já havia voltado à forma humana, limpava a poeira de si enquanto falava:
— Eu estava seguindo Aruanã. Queria falar com ela, e essa coisa me atacou. — disse Sinval.
Lydia o encarou rosnando e voltando a forma humana.
— Seguindo? Por quê? — perguntou Ethan, com a voz dura e desconfiada.
Sinval ergueu o queixo, como se quisesse reafirmar sua posição.
— Porque ela é minha noiva. Eu queria falar com ela.
A palavra "noiva" atingiu Emma como um golpe. Ela desviou o olhar para Sinval, sua expressão séria, antes de tentar olhar novamente para Aruanã. Mas Aruanã continuava evitando seus olhos, mantendo-se de cabeça baixa.
Dimas levantou a mão, interrompendo qualquer discussão.
— Chega. Isso já foi longe demais. Vocês, voltem para a casa. Agora.
Emma hesitou por um momento, claramente incomodada, mas acabou obedecendo. Ethan, Lydia e ela começaram a se afastar.
Sinval, no entanto, aproximou-se de Aruanã.
— Quero falar com você — disse ele, baixo o suficiente para que só ela ouvisse.
Aruanã olhou para ele, relutante, mas acabou assentindo.
Emma, que estava a alguns passos de distância, não pôde evitar olhar para trás. Ela viu Sinval falando com Aruanã, e algo dentro dela se remexeu. Não era apenas desconfiança; era algo mais profundo, que ela ainda não conseguia compreender totalmente.
Ethan percebeu o incômodo dela e colocou a mão em seu ombro, mas Emma apenas balançou a cabeça, caminhando para longe com o rosto fechado e a mente tumultuada.
Sinval e Aruanã ficaram para trás, enquanto Emma se afastava, tentando processar o que sentia.
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Atualizado até capítulo 26
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