O silêncio do bunker era perturbador. Dean acordou de um sono inquieto, o som distante de vozes sussurradas ainda ecoando em sua mente. Ele estava acostumado com pesadelos, mas aquele era diferente: flashes da figura encapuzada, o rosto de Castiel desaparecendo em uma explosão de luz, e algo que parecia um portal se abrindo para um vazio infinito.
Ele respirou fundo e olhou para o relógio: 3h da manhã. Como de costume, o sono não durava. Dean se levantou, puxando uma jaqueta enquanto caminhava para a cozinha, onde encontrou Castiel.
O anjo estava sentado, os cotovelos apoiados na mesa, olhando fixamente para uma xícara de café que provavelmente já havia esfriado. Ele parecia perdido em pensamentos, a luz fraca do ambiente destacando os traços humanos que estavam cada vez mais pronunciados.
"Você nunca dorme, mas parece mais cansado do que eu," Dean comentou, puxando uma cadeira e se sentando de frente para Castiel.
Castiel desviou o olhar da xícara para Dean. "A batalha contra ele... desgastou minha graça de formas que não compreendo. Estou mais... humano do que nunca.
Dean bufou, mas não de forma rude. "Bem-vindo ao clube. Não é tão ruim assim, sabe. Humanos têm suas vantagens."
Castiel inclinou a cabeça, curioso. "Quais seriam?"
Dean deu um sorriso de lado. "Somos bons em improvisar. E... quando as coisas ficam difíceis, a gente encontra uma forma de seguir em frente. Não importa o que venha."
A resposta de Dean era típica, mas havia algo sincero em seu tom que fez Castiel relaxar, mesmo que apenas por um momento.
Antes que pudessem continuar, as luzes do bunker piscaram violentamente, seguidas por um som baixo e grave, como um trovão distante. Dean se levantou imediatamente, seus instintos de caçador assumindo o controle.
"Ah, ótimo. Mais uma merda pra resolver," ele resmungou, pegando a arma que sempre mantinha por perto.
Castiel também se levantou, sua postura mais firme agora. "Isso não é algo comum, Dean. Há uma presença aqui... familiar, mas distorcida."
Eles seguiram para a sala principal, onde as luzes continuavam a piscar. O ar parecia mais pesado, como se algo invisível estivesse pressionando contra eles. Então, uma figura surgiu no centro da sala.
Era Elias novamente, mas algo estava errado. Seu corpo estava parcialmente coberto por sombras, como se ele estivesse sendo consumido por alguma força externa.
"Elias?" Dean chamou, sua arma levantada. "Que diabos tá acontecendo com você?"
Elias levantou o olhar, seus olhos brilhando em um tom vermelho intenso. "Eu avisei vocês... mas agora é tarde demais. Ele está aqui. Ele está... dentro de mim."
Antes que Dean pudesse reagir, Elias avançou com uma velocidade sobre-humana, agarrando-o pelo pescoço e o lançando contra a parede. Dean caiu com um gemido, mas se levantou rapidamente, apesar da dor.
Castiel ergueu a mão, canalizando o que restava de sua graça. "Elias, você precisa lutar contra isso!"
"Não há mais Elias!" a voz sombria respondeu, ressoando como várias vozes sobrepostas. "Eu sou a manifestação da destruição. E vocês são apenas obstáculos insignificante.
Castiel lançou uma onda de energia contra Elias, que foi empurrado para trás, mas não derrotado. O ataque parecia apenas irritá-lo, e ele se lançou contra Castiel, os dois entrando em um confronto brutal.
Enquanto isso, Dean pegou sua lâmina e atacou Elias pelas costas, cortando profundamente, mas a ferida se fechou quase instantaneamente. Elias riu, o som distorcido ecoando pela sala.
"Vocês realmente acreditam que podem vencer?"
"Você vai descobrir," Dean respondeu, o rosto determinado, mesmo com o sangue escorrendo de um corte na testa.
Eles lutaram juntos, como sempre. Castiel usava seus últimos vestígios de poder para manter Elias ocupado, enquanto Dean buscava uma abertura. Apesar da desvantagem, a sincronia entre os dois era impecável, como se antecipassem os movimentos um do outro.
Mas Elias era implacável. Ele lançou um golpe poderoso que atingiu Castiel no peito, jogando-o contra o chão. O anjo tentou se levantar, mas sua energia estava quase esgotada.
Dean viu isso e algo dentro dele explodiu. Ele avançou com tudo, ignorando a dor, e golpeou Elias com toda a força que tinha, sua lâmina finalmente encontrando um ponto vulnerável. Elias gritou, sua forma começando a se desintegrar, mas não antes de lançar Dean contra a parede mais uma vez.
Quando a poeira baixou, Elias havia desaparecido, mas o dano estava feito. Dean estava caído, ofegante, enquanto Castiel rastejava até ele, ignorando sua própria exaustão.
"Dean," Castiel chamou, sua voz carregada de preocupação.
"Eu tô bem," Dean respondeu, tentando se sentar, mas gemendo de dor. "Só... mais um dia no escritório."
Castiel se aproximou, colocando uma mão sobre o ombro de Dean. "Você arriscou sua vida de novo por mim."
Dean olhou para ele, seus olhos verdes fixos nos azuis de Castiel. "Claro que sim. É isso que a gente faz, Cas. Eu protejo você, você me protege."
O momento foi interrompido por uma leve explosão de luz onde Elias havia desaparecido. Algo ficou para trás um símbolo no chão, brilhando em vermelho e ouro.
"Que diabos é isso?" Dean perguntou, se levantando com a ajuda de Castiel.
"É uma marca," Castiel respondeu, a voz grave. "Um sinal do próximo passo. Ele está nos guiando para algo maior."
Dean bufou, passando a mão pelo rosto. "Ótimo. Porque é exatamente disso que a gente precisa: mais enigmas."
Eles se encararam por um momento, a tensão entre eles ainda presente, mas também um entendimento mútuo. Eles estavam juntos nessa, e nada os faria recuar.
"Vamos descobrir o que isso significa," Dean disse, determinado.
"Juntos," Castiel completou, com um pequeno sorriso que fez Dean balançar a cabeça, mas também sorrir.
A batalha não tinha acabado, mas naquele momento, eles estavam prontos para o que viesse a seguir.
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Atualizado até capítulo 22
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