Entre o Som da Risada e o Silêncio.

A noite caiu rapidamente sobre o bunker, trazendo com ela uma calmaria estranha. O cheiro de comida recém-preparada se misturava ao ar, e os três estavam sentados à mesa, mas, apesar da normalidade aparente, havia uma tensão sutil que Dean não conseguia ignorar. O comportamento de Castiel estava diferente. Ele estava mais quieto, mais atento, como se estivesse processando algo que nem ele mesmo compreendia.

Dean, por sua vez, tentava manter o ritmo usual, fazendo piadas e brincadeiras para esconder o turbilhão de pensamentos que não parava de martelar em sua cabeça. Ele olhou para Castiel, observando-o enquanto o anjo tocava a comida com uma curiosidade silenciosa, mas ainda assim distante, como se estivesse em outro lugar.

Sam estava ocupado comendo, mais alheio ao clima estranho entre os dois. Mas Dean sabia que, se houvesse alguém capaz de perceber o que estava acontecendo, seria Sam. Era ele quem sempre tinha o radar ligado para as pequenas coisas, para os detalhes que todo mundo mais ignoraria.

“Então, Cas,” Dean disse de forma casual, tentando quebrar o silêncio tenso, “você vai continuar com esse olhar de quem está resolvendo os mistérios do universo, ou vai nos dar um pouco de atenção?”

Castiel olhou para ele, mas o que havia em seu olhar não era de apatia ou de indiferença. Era uma mistura de perplexidade e… algo mais. Ele respirou fundo antes de falar, a voz calma, mas com uma leve hesitação.

“Dean,” ele começou, a palavra saindo como se fosse cuidadosamente escolhida, “eu não sei o que estou sentindo. Mas percebo que, de algum jeito, você está diferente também.”

Dean parou de comer. O som da faca e garfo batendo contra o prato ecoou pela sala. Ele olhou para Castiel, com o peito apertando, e, por um segundo, o tempo pareceu parar. Aquilo não era uma conversa qualquer. Não era apenas sobre pizza ou piadas de cozinha. Castiel havia tocado um ponto mais profundo, algo que ele não queria, mas precisava enfrentar.

Dean deu uma risada sem humor, tentando esconder o que realmente sentia. “Isso é uma piada, Cas? Eu estou sempre ‘diferente’. Mas a questão é… por que você está falando disso agora?”

Castiel não se afastou, seus olhos fixos em Dean com uma intensidade que fazia o coração de Dean bater mais rápido. "Porque você não parece ser o mesmo Dean. Eu sinto isso. Algo mudou."

Aquelas palavras caíram sobre Dean como um peso. Ele tentou rir de novo, mas não conseguiu. As palavras de Castiel estavam acertando um lugar que ele não queria tocar. Era mais fácil brincar e fazer piada do que encarar a realidade. Mas agora, não tinha como negar.

Ele olhou para Castiel, um silêncio denso entre os dois. A tensão era palpável, quase dolorosa. Dean se levantou da mesa, pegando uma cerveja na geladeira e abrindo a lata de forma um pouco brusca. O som da lata se abrindo foi um alívio temporário, mas não dissipou a sensação de desconforto que ele sentia.

Sam olhou de relance para eles, mas sabia que não era seu lugar interferir. Ele não era ingênuo o suficiente para não perceber o que estava acontecendo, mas também não queria ser o catalisador da confusão entre os dois. Eles precisavam resolver isso sozinhos.

Dean deu um gole na cerveja, tentando não olhar para Castiel, mas não conseguia evitar. A verdade era que ele estava com medo. Medo de admitir o que sentia. Medo de que as coisas entre eles mudassem para sempre. E, talvez, ele não estivesse pronto para isso.

“Você sabe, Cas,” Dean disse, quebrando o silêncio de forma abrupta, “você tem um jeito de complicar tudo, sabia? Eu só estava brincando, tentando salvar a pizza, e aí você vem e me faz pensar que estamos em um filme dramático, cheio de sentimentos.”

Castiel permaneceu em silêncio por um longo momento, os olhos focados em Dean. Ele não se intimidou com as palavras, com a tentativa de Dean de se afastar do assunto. Castiel não era tolo. Ele sabia o que estava acontecendo, e talvez, no fundo, fosse ele quem estivesse mais ciente daquilo tudo.

“Não é assim, Dean. Eu só quero entender o que está acontecendo entre nós,” Castiel disse, sua voz suave, mas cheia de sinceridade. Ele não estava tentando pressionar, mas as palavras pareciam pesar no ar, tornando tudo ainda mais real. “Eu não sei como lidar com isso. Mas posso ver que você está… lutando contra algo.”

Dean se sentou novamente, de costas para Castiel, tentando dar espaço para os próprios pensamentos se reorganizarem. Ele queria gritar. Queria dizer que estava tudo bem, que ele não estava com medo de nada, mas não conseguia mentir. A verdade estava ali, à flor da pele, mais clara do que nunca.

“Eu… não sei, Cas,” Dean falou finalmente, sua voz baixa, quase um sussurro. “Eu só sei que não quero perder isso. Perder você.”

As palavras saíram de sua boca antes que ele pudesse se controlar. E, ao dizer isso, Dean se sentiu vulnerável de uma forma que nunca imaginou. Ele olhou para baixo, sentindo a vergonha crescer, mas quando olhou para Castiel, os olhos do anjo estavam mais suaves, mais… humanos.

Castiel se levantou lentamente, caminhando até Dean com passos calmos. Quando estava perto o suficiente, ele colocou a mão em seu ombro, a pressão leve, mas reconfortante.

“Dean,” Castiel disse, e pela primeira vez, havia uma suavidade na sua voz, uma gentileza que Dean não esperava. “Eu não sou bom com isso. Eu não entendo completamente, mas posso tentar. Eu também não quero perder isso.”

E, naquele momento, algo dentro de Dean se quebrou. As palavras de Castiel foram como uma chave, destrancando um lugar dentro dele que ele não queria enfrentar. Mas, ao ouvir aquilo, ele sabia que, de alguma forma, tudo iria mudar. Para melhor ou pior, não importava. O que importava era que eles estavam prontos para começar a entender.

Dean olhou para Castiel, seus olhos mais sinceros do que nunca, e finalmente sorriu. Não era um sorriso debochado ou forçado. Era um sorriso genuíno, cheio de algo que ele não sabia como chamar. Mas estava ali, claro e presente.

“Então, vamos ver no que isso vai dar, né?”

Castiel apenas assentiu, e os dois se sentaram novamente à mesa, agora mais próximos do que nunca. O futuro era incerto, mas, por agora, estavam juntos. E isso parecia ser o suficiente para ambos.

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Comments

amo mangá

amo mangá

e o Sam só observando, parecendo aquele gato de gato de botas, que ficava tampando a boca, fazendo "hooo"

2024-12-09

2

Carla Santos

Carla Santos

O Sam o que faz no meio deles parecendo uma vela kkkkkkkkk sai daí observador

2024-12-13

0

amo mangá

amo mangá

aí, eu tô surtando, e mal começou a obra

2024-12-09

1

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