O bunker estava mais tenso do que nunca. Os últimos dias haviam sido uma montanha-russa emocional para Dean e Castiel, mas agora não havia mais tempo para pensamentos incertos ou emoções complicadas. O caso de caça que os irmãos Winchester estavam investigando havia tomado um rumo perigoso, e agora todos estavam focados no objetivo: capturar uma criatura que estava causando destruição na cidade próxima.
Dean estava na sala de armas, preparando suas coisas, quando ouviu o som familiar das botas de Castiel se aproximando. Ele não precisava olhar para saber que o anjo estava ali, mas olhou mesmo assim. Castiel estava com a expressão séria, mais imerso em seu papel de protetor do que qualquer outra coisa.
"Você tem certeza de que é seguro, Cas?" Dean perguntou, seus olhos fixos na faca em suas mãos. "Esse demônio não é normal. O que estamos enfrentando pode ser mais complicado do que pensávamos."
Castiel não respondeu de imediato. Em vez disso, ele se aproximou, os olhos azuis fixos em Dean. A tensão que havia entre eles nos últimos dias estava claramente presente, mas agora havia algo mais. Algo que estava acontecendo entre eles. Não podia ser ignorado.
"Eu não sei o que você está sentindo, Dean," Castiel disse, sua voz firme, mas com uma suavidade que Dean não esperava. "Mas sei o que você está tentando esconder. Você tem medo, e eu também tenho."
Dean não sabia o que responder. A última coisa que ele queria era que Castiel soubesse o que ele estava realmente sentindo. Mas as palavras de Castiel, ainda que duras, eram um alívio. Como se, finalmente, alguém entendesse.
“Isso não é sobre o que eu estou sentindo, Cas,” Dean disse com uma risada curta. “Eu só… quero garantir que todos saiam dessa vivos, você sabe?” Ele passou a mão pelos cabelos com impaciência, tentando se concentrar novamente.
Mas Castiel não se afastou. Ele se manteve firme, seus olhos ainda fixos em Dean, como se estivesse esperando algo. Algo que Dean não queria dar. Mas, ao mesmo tempo, precisava.
"Eu estarei com você, Dean. Não importa o que aconteça," Castiel disse, a sinceridade em sua voz deixando claro que ele não estava falando apenas como um aliado ou protetor, mas como algo mais. Algo que Dean não estava pronto para lidar.
Antes que Dean pudesse responder, Sam entrou na sala, interrompendo o momento. Ele não parecia nem um pouco surpreso com a tensão entre os dois, mas seus olhos se suavizaram ao ver o clima no ambiente.
“O que está acontecendo, pessoal?” Sam perguntou, uma sobrancelha levantada. “Acho que temos uma criatura para caçar, não um campo de batalha de sentimentos.”
Dean deu uma risada forçada, tentando aliviar a tensão que estava ficando difícil de ignorar. “É… o Cas está me atormentando com suas reflexões filosóficas. Nada demais.” Ele tentou dar de ombros, mas sabia que não funcionou.
Sam olhou para ele, como se soubesse exatamente o que estava acontecendo, mas não disse nada. “Vamos, vocês dois. Hora de focar no trabalho. O monstro não vai nos esperar.”
---
A caçada começou sem grandes complicações. Sam e Dean estavam à frente, investigando os sinais de atividade paranormal, enquanto Castiel os seguia, com seu radar angelical sempre ativo. O que parecia uma caça simples logo se revelou mais perigoso do que eles esperavam. A criatura que estavam caçando não era apenas um demônio qualquer; era algo muito mais antigo, mais inteligente, e muito mais mortal.
A missão se complicou rapidamente, quando a criatura os emboscou. Uma série de explosões fez os irmãos saltarem para o chão, mas Castiel se manteve firme, enfrentando a criatura de frente com sua presença imponente.
“Cuidado, Cas!” Dean gritou, correndo para ajudar. Ele não sabia o que estava fazendo, mas seu instinto o levou até o anjo. Mesmo com toda a sua complexidade emocional, ele sabia que, se algo acontecesse com Castiel, não seria apenas um simples caso de perda de aliado. Era mais do que isso. Muito mais.
A criatura rosnou, avançando para Castiel com uma força sobrenatural. Mas antes que ela pudesse atacar, Castiel levantou a mão, emanando uma onda de energia que lançou a criatura para trás. Dean assistiu, impressionado com a força de Castiel, mas também com o risco que ele estava correndo.
Dean se aproximou, lançando um olhar rápido para Castiel antes de atacar. “Vamos acabar com isso agora!” Dean gritou para Sam, que estava coordenando a próxima estratégia. Sam assentiu, já com a arma preparada.
No meio da batalha, uma explosão fez o chão tremer, e Castiel foi empurrado para trás com força. Dean viu o anjo cair no chão, e por um instante, o mundo de Dean pareceu congelar. Ele ignorou o perigo e correu em direção a Castiel.
“Cas! Cas, você está bem?” Dean se agachou ao lado de Castiel, levantando a cabeça do anjo com cuidado. Castiel estava ofegante, seus olhos ainda brilhando, mas havia um lampejo de vulnerabilidade que Dean nunca vira antes.
Castiel olhou para ele, um sorriso fraco nos lábios. "Estou… bem, Dean. Apenas… um pouco distraído."
Dean não conseguiu resistir e riu, mesmo no meio da situação. “Você sempre fica assim, Cas? Porque, honestamente, essa coisa de ‘ficar caído no chão’ não é muito eficiente para uma batalha.”
Castiel sorriu, embora o riso fosse mais dolorido do que qualquer outra coisa. “Eu não sou perfeito, Dean.”
Dean olhou para ele por um momento, e antes que pudesse perceber, sua mão já estava acariciando a face de Castiel, em um gesto que ele não soubera como começou. Castiel ficou parado, seus olhos focados nos de Dean, e a tensão, que antes era palpável, agora parecia ter se dissipado um pouco. Mas, naquele momento, Dean soubera: aquilo não era só uma amizade, nem era apenas um instinto de proteção.
Era algo mais. Algo que os dois estavam começando a entender, mas que ainda não podiam nomear.
“Estamos no meio de uma caçada, Dean,” Castiel disse, sua voz rouca, mas com uma leveza que não estava ali antes.
Dean soltou uma risada nervosa, tentando se afastar um pouco, mas não pôde deixar de perceber o quanto aquilo era natural. “Eu sei. Só… não queria perder você, Cas.”
A criatura, que ainda estava viva, se levantou para atacar novamente, interrompendo o momento, mas agora, ambos estavam em sintonia. Dean e Castiel não precisaram mais de palavras. Sabiam exatamente o que fazer. O combate foi rápido, feroz, mas quando a criatura foi finalmente derrotada, o silêncio que ficou entre eles foi pesado.
Quando tudo acabou, e os três se reuniram para voltar ao bunker, a tensão entre Dean e Castiel ainda estava lá, mas agora havia algo mais. Uma confiança. Algo que eles não sabiam que precisavam, mas que agora estavam prontos para enfrentar. Juntos.
Sam olhou para os dois, como se soubesse exatamente o que havia acontecido. “Eu estava certo, não estava?” ele disse, com um sorriso discreto. “É sempre a comida, no fim.”
Dean olhou para Castiel, e, apesar da bagunça em sua cabeça, ele não pôde evitar sorrir.
“É, Sam. Sempre a comida.”
***Faça o download do NovelToon para desfrutar de uma experiência de leitura melhor!***
Atualizado até capítulo 22
Comments