No Limite do Desconhecido.

O sol já estava alto quando Dean se levantou da cama. O bunker estava silencioso, mas a quietude dessa manhã era diferente. Algo no ar parecia carregar uma expectativa que ele não sabia como lidar. O que ele sabia era que ele e Castiel estavam em um território desconhecido, e cada passo parecia levar-os mais fundo nesse lugar incerto.

Ele se espreguiçou, tentando afastar a sensação de que algo estava prestes a acontecer. O que, exatamente? Ele não sabia. Mas sabia que, em algum momento do dia, ele e Castiel precisariam enfrentar as coisas que estavam entre eles. E, mais do que isso, precisavam descobrir o que realmente significava aquele "tentar" que haviam prometido na noite anterior.

Sam ainda estava dormindo, provavelmente exausto depois de uma noite de caça. Dean não sabia ao certo quando a última vez que ele teve uma noite de descanso real, mas Sam tinha uma habilidade incomum de sempre ser o mais responsável, o mais centrado. Isso também significava que ele deixava os outros lidarem com o que fosse necessário. Como agora, por exemplo.

Quando Dean desceu para a cozinha, encontrou Castiel sentado à mesa, seus olhos fixos em uma pilha de livros antigos, a testa franzida enquanto ele tentava entender algo que, aparentemente, não fazia sentido para ele. O cenário era familiar, mas a tensão não podia ser ignorada. Castiel parecia tão alheio àquilo tudo, mas ao mesmo tempo, tão consciente.

Dean parou na entrada da cozinha, observando-o por um momento. Ele queria quebrar o silêncio, fazer alguma piada, mas sentia que, talvez, fosse a hora de ser sério. Ele não sabia o que mais dizer. Não sabia o que mais fazer.

"Você vai ficar aí, tentando entender os mistérios do universo?" Dean perguntou, com um sorriso forçado, mas que não conseguiu esconder a ansiedade que estava se formando em seu peito.

Castiel olhou para ele, sem surpresa, como se tivesse esperado essa interação. "Eu... não entendo muitas coisas, Dean. Isso é verdade. Mas algumas coisas parecem mais claras para mim agora."

O jeito como ele disse isso fez o coração de Dean acelerar. Castiel estava falando de algo mais. Ele sabia disso. E, pela primeira vez, Dean não tinha certeza se queria continuar a esconder o que estava sentindo.

“Você tá falando de ontem à noite, né?” Dean perguntou, caminhando até a mesa e se sentando ao lado de Castiel.

Castiel não respondeu imediatamente, mas seus olhos não se afastaram de Dean. Ele parecia procurar algo nos olhos do caçador, algo que fosse mais profundo que simples palavras.

"Sim. Eu estou falando disso. Eu sinto que estou começando a entender... que estou começando a perceber coisas que antes eu não via." Castiel pausou, as palavras saindo de sua boca com uma leve hesitação, como se estivesse dando forma a sentimentos que até então estavam confusos. "E você, Dean? O que você sente?"

Dean deu um pequeno suspiro, desviando o olhar. Ele sabia que estava sendo pressionado, mas a pressão vinha de um lugar inesperado. Castiel não estava sendo exigente. Ele não estava esperando uma resposta imediata. Mas Dean sabia que, se não desse uma resposta, as coisas só iriam piorar. Ele não sabia o que queria, mas sabia que não poderia continuar fugindo disso.

“Eu…” Dean hesitou, suas palavras presas na garganta. “Eu não sei o que estou fazendo, Cas. Eu não sei por que tudo isso parece tão difícil. Mas, quando estou com você, parece que as coisas… meio que se alinham. E isso me assusta.”

Castiel não parecia surpreso, mas o olhar em seus olhos suavizou um pouco. Ele estava ali, esperando, paciente. Castiel sabia que Dean estava lutando contra suas próprias emoções, e talvez fosse esse o problema. Dean nunca soubera lidar com sentimentos dessa intensidade, e agora, com Castiel, ele não podia simplesmente se afastar.

Dean levantou-se da mesa, mais uma vez tentando se afastar do que estava sentindo, mas Castiel se levantou rapidamente, colocando uma mão firme no ombro de Dean.

“Dean,” Castiel disse, sua voz baixa, mas cheia de algo que Dean não soubera reconhecer até agora. “Eu não sei o que você está com medo de perder, mas você não precisa carregar isso sozinho. Não tem nada de errado em se permitir sentir, em deixar o que está em seu coração ser visto.”

Aquelas palavras caíram sobre Dean como uma lâmina afiada, cortando qualquer resistência que ele ainda mantinha. Ele se virou para Castiel, seu peito apertado, a respiração mais pesada do que o normal. Ele queria dizer algo, mas as palavras não saíam. Só então, ele percebeu o que estava acontecendo: ele estava permitindo que alguém visse a parte mais vulnerável de si mesmo, e isso o aterrorizava.

"Eu... não sei como fazer isso, Cas," Dean confessou, sua voz quebrada. "Eu não sei como lidar com isso. Eu sou… complicado. Eu sou bagunçado. E eu tenho medo de perder tudo isso. Medo de perder você."

O silêncio se instalou entre os dois, e, por um momento, Dean pensou que Castiel fosse dar a ele a resposta que ele temia. Mas, em vez disso, Castiel simplesmente se aproximou, seus olhos fixos em Dean, e colocou uma mão gentilmente em seu peito.

“Você não vai perder nada, Dean,” Castiel disse, a voz mais suave do que Dean jamais ouvira. “Porque eu estou aqui. Eu não sou perfeito, e não entendo tudo, mas estou disposto a aprender. Juntos.”

Era tudo o que Dean precisava ouvir. Era tudo o que ele queria, mas nunca soubera como pedir. Ele fechou os olhos por um instante, deixando que aquelas palavras penetrassem em seu ser. Quando os abriu novamente, viu Castiel ali, à sua frente, tão verdadeiro quanto ele próprio.

“Eu não vou fugir, Dean. Não importa o que aconteça, não importa o que você tenha medo de perder. Eu vou estar aqui.”

E, naquele momento, tudo parecia ser mais claro. O medo não desapareceu, mas não importava mais. Porque, no final, o que importava era que eles estavam ali, juntos, prontos para enfrentar o desconhecido.

Dean deu um passo à frente, sem hesitação. Ele sabia o que precisava fazer, e, ao fazer isso, sentiu o peso da dúvida se dissipando. Ele olhou para Castiel, sorrindo com algo genuíno pela primeira vez em muito tempo.

"Então, vamos fazer isso juntos, Cas. Vamos descobrir onde isso vai dar."

Castiel assentiu, e o sorriso que apareceu em seu rosto foi algo que Dean jamais imaginou ver vindo de um anjo. Era real. Era humano. E, de repente, Dean sentiu que, talvez, o que ele mais temesse fosse a coisa mais importante que ele jamais poderia ter encontrado.

E assim, de mãos dadas com o desconhecido, eles deram o próximo passo. Juntos.

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