Entre o Calor e a Tensão.

O bunker parecia mais vivo do que nunca. Mesmo com a calmaria que geralmente reinava ali, havia uma energia palpável no ar, como se algo estivesse prestes a acontecer a qualquer momento. Dean e Castiel haviam se tornado uma presença constante um para o outro, e apesar de todos os momentos tensos e as discussões internas, havia algo inesperadamente reconfortante na proximidade deles.

Era uma tarde comum, ou pelo menos deveria ser. Sam estava no outro lado do bunker, tentando organizar algumas informações sobre o próximo caso, enquanto Dean e Castiel estavam na cozinha, cada um fazendo o que era costumeiramente esperado – ou talvez não.

Dean estava com a faca em mãos, cortando legumes de forma um tanto desajeitada, claramente tentando parecer ocupado, mas seu olhar constantemente se desviava para Castiel, que estava mais concentrado do que nunca em um livro antigo, como se estivesse completamente alheio ao mundo à sua volta. Era uma cena comum, mas, de alguma forma, naquele momento, parecia mais íntima do que qualquer outra vez.

Dean soltou uma risada abafada ao errar um corte e acertar o dedo. "Ai, droga!" Ele gemeu, colocando o dedo na boca de forma automática.

Castiel levantou os olhos, e por um momento, parecia que ele não sabia como reagir. Então, ele se levantou, sem uma palavra, e foi até Dean, pegando sua mão. O toque era leve, mas firme, e, por um momento, Dean ficou estático, sentindo o calor da mão de Castiel em sua. Era um gesto simples, mas inesperadamente doce.

"Você está bem?" Castiel perguntou, seus olhos azuis focados no dedo de Dean. Ele parecia genuinamente preocupado, como se fosse algo mais do que uma simples reação de ajuda.

Dean olhou para ele, desconcertado. "Eu só… me cortei, Cas. Não é o fim do mundo." Ele deu uma risada nervosa, tentando aliviar a tensão que começava a crescer entre eles. "Mas, obrigado. Eu ia cuidar disso sozinho, mas… é bom saber que você está por aqui."

Castiel não respondeu de imediato. Ele apenas manteve a mão de Dean por mais alguns segundos, antes de soltar devagar, como se não quisesse que o momento terminasse. A proximidade deles, a suavidade de um toque que antes parecia impensável, agora parecia natural. E isso assustava Dean de uma maneira que ele não sabia como lidar.

Ele rapidamente recuou, como se isso fosse apagar a sensação que estava crescendo entre eles. "Bem, melhor voltar a isso, né?" Dean disse, mais para si mesmo do que para Castiel, pegando novamente a faca com uma postura nervosa.

Castiel olhou para ele por mais um instante, mas logo voltou sua atenção para o livro. Havia algo na maneira como ele observava Dean, algo que o fazia perceber que Castiel não estava mais apenas observando-o como um amigo ou aliado. Ele estava mais presente, mais atento do que antes. E isso fazia o coração de Dean bater mais rápido.

---

No entanto, a calmaria não durou muito. Quando o jantar estava quase pronto, Sam apareceu na cozinha, interrompendo o momento, e imediatamente percebeu a leve tensão que pairava entre os dois.

“Uau, Cas,” Sam comentou, com um sorriso no rosto, “Você está realmente se dedicando à cozinha agora? Se você está tentando conquistar o Dean com comida, está indo bem.”

Dean deu uma risada nervosa. “Ah, claro, ele só está ajudando porque me cortou.” Ele jogou uma piada para desviar o foco, mas o sorriso nervoso não escapou dos seus lábios. Ele não sabia se deveria se sentir desconfortável ou aliviado por Sam interromper o momento estranho, mas sentia que Castiel estava em outro nível de envolvimento.

Castiel olhou para Sam, sem entender exatamente a piada. "Eu só queria garantir que Dean não se ferisse mais."

"Claro, claro." Sam balançou a cabeça, ainda com aquele sorriso travesso. "É isso, Cas. Só mais uma desculpa para ficar perto do Dean." Ele piscou para Castiel, um gesto rápido e brincalhão, antes de pegar o prato e sentar-se à mesa.

Dean sentiu a cor subir ao seu rosto, mas logo se recobriu com um olhar desafiador. "Você sabe que isso é ridículo, certo? Não há nada disso. Só estou cortando vegetais, como qualquer pessoa normal faria."

Mas, ao olhar para Castiel, ele percebeu que não estava mais apenas brincando. Castiel estava em silêncio, seus olhos fixos no prato, mas uma leve expressão de confusão passou por seu rosto. Como se estivesse tentando entender algo mais profundo do que apenas as palavras ditas.

“Eu não entendo, Dean,” Castiel disse de repente, e a seriedade em sua voz fez Dean parar de falar. "Eu não entendo o que você quer de mim."

O silêncio caiu novamente na cozinha, pesado e denso. Sam, que estava prestes a fazer mais uma piada, se calou ao perceber a seriedade da situação.

Dean abriu a boca, tentando encontrar as palavras certas, mas elas não vinham. Ele não sabia como explicar. Tudo o que ele sabia era que estava sentindo algo por Castiel que não sabia como lidar. Era confuso, desordenado, mas real.

"Eu…" Dean começou, mas não sabia como continuar. "Eu não sei o que eu quero, Cas. Eu só sei que você está aqui, e… e isso é diferente. E isso me assusta."

Castiel observou Dean por um longo momento, sem dizer uma palavra. O olhar de Dean se suavizou, e ele se aproximou, como se, de algum modo, fosse se desculpar por suas próprias emoções.

“Eu não entendo o que está acontecendo,” Dean continuou, com a voz mais baixa, “mas acho que… estou começando a entender. E é difícil."

Castiel deu um passo à frente, e, sem avisar, colocou a mão no ombro de Dean novamente. O toque foi suave, e, dessa vez, não houve palavras. Castiel não precisava dizer mais nada. Era como se eles finalmente tivessem encontrado uma maneira de se comunicar sem o peso das palavras.

Mas a tensão ainda estava ali, invisível e presente. Ambos sabiam que haviam dado um passo importante, mas que havia muito mais por vir. Era impossível negar o que sentiam, mas o que aconteceria a seguir ainda estava longe de ser claro.

Sam, por fim, se levantou da mesa, pegando um prato de comida e sorrindo discretamente para os dois. "Bem, já que a conversa está ficando interessante, acho que vou me retirar. Espero que se entendam melhor… vocês dois." Ele deu uma piscadela antes de sair da cozinha, deixando-os sozinhos com suas próprias emoções.

E assim, enquanto a noite caía sobre o bunker, Dean e Castiel estavam ali, juntos, mas separados por um abismo de sentimentos não ditos. O desconhecido ainda os rodeava, mas, de alguma forma, aquilo se tornava cada vez mais claro: eles estavam prontos para enfrentar o que fosse, juntos.

E, talvez, o que parecia mais assustador fosse o mais doce de todos os passos que eles estavam prestes a dar.

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Comments

amo mangá

amo mangá

cala boca Sam, olha a merda que você fez

2024-12-10

1

ღPastille 🍬

ღPastille 🍬

Vai cupido

2024-12-12

0

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