A noite estava mais densa do que o normal, o ar pesado com a pressão que vinha de algo que não era visível, mas estava lá, à espreita, esperando para atacar. O bunker estava silencioso, mas o clima dentro dele não era de descanso. Dean e Castiel haviam acabado de enfrentar um inimigo do passado, mas sabiam que algo ainda estava em movimento, uma ameaça mais sombria que não podiam ignorar.
“Dean,” Castiel chamou, sua voz grave, mas com uma intensidade que fazia o coração de Dean acelerar. “Há algo errado. A energia que eu sinto não é apenas de um demônio. Algo está se aproximando… mais forte, mais antigo.”
Dean franziu a testa, seu olhar focado em Castiel. Eles estavam no centro do bunker, armados e prontos, mas a sensação de que estavam sendo observados era crescente. “E você acha que pode nos impedir de enfrentá-lo? Porque, Cas… não vamos esperar muito mais para agir.”
Castiel olhou para ele, seus olhos azuis brilhando com uma intensidade feroz. “Não estou dizendo que não podemos lidar com isso. Só que o que está vindo… não é algo simples.”
Antes que pudesse terminar de falar, uma explosão estremeceu o bunker. A pressão foi tão forte que o chão tremeu, e as lâmpadas começaram a piscar. O alarme disparou, e o som de metal se dobrando foi ensurdecedor. A ameaça que Castiel sentia estava agora na porta.
“Vamos, agora!” Dean gritou, correndo em direção à entrada do bunker. Castiel estava logo atrás dele, suas asas desdobradas e o ar ao redor deles se tornando mais pesado, como se o próprio espaço estivesse sendo alterado pela presença do anjo.
Eles chegaram à entrada, e uma onda de calor abrasador os atingiu. O que estava lá fora não era um demônio ou um espectro comum. Uma entidade antiga, uma força de pura destruição, estava se aproximando. Castiel foi o primeiro a atacar, suas mãos brilhando com uma luz celestial enquanto ele disparava um feixe de energia contra a criatura. Mas o monstro, uma sombra negra que parecia distorcer o próprio espaço ao seu redor, se esquivou com uma velocidade sobrenatural.
Dean avançou logo em seguida, empunhando sua arma e disparando tiros certeiros, mas a criatura parecia absorver os ataques com facilidade, sua forma mutável se tornando ainda mais impenetrável. Castiel bloqueou um ataque direto da sombra com um escudo de energia, mas ele sabia que não poderia mantê-lo por muito tempo.
“Essa coisa é diferente, Cas!” Dean gritou, desviando de uma explosão de energia que quase o atingiu. “Ela não é só física. O que está acontecendo com ela?”
Castiel não teve tempo para responder. A sombra avançou com uma força imensurável, sua massa escura engolindo tudo ao seu redor. Antes que Dean pudesse reagir, a criatura o agarrou, suas garras afiadas pressionando contra o peito de Dean. A dor foi imediata, mas o que realmente o fez sentir a tensão no ar foi a sensação de estar perdendo o controle. Ele podia sentir seu corpo sendo drenado.
Castiel agiu instintivamente, correndo para salvar Dean. Com um movimento ágil, ele cortou o ar com sua mão, criando uma lâmina de luz celestial que atravessou a sombra, fazendo-a recuar. Mas isso não foi o suficiente para derrubá-la.
“Dean!” Castiel gritou, indo até ele. “Fique comigo. Não deixe isso tomar conta de você.”
A sombra, enfurecida, foi para cima de Castiel, suas garras prontas para rasgá-lo. Mas Dean, em um impulso desesperado, se lançou para frente, empurrando Castiel para o lado e tomando o golpe da criatura em seu lugar. O impacto foi brutal, mas Dean não recuou. Ele sentiu a dor, mas não deixou que ela o impedisse.
“Não!” Castiel gritou, pegando Dean nos braços e o afastando da criatura, embora as garras da sombra tivessem deixado marcas profundas em seu peito.
“Fica tranquilo, Cas,” Dean disse, com um sorriso fraco, a dor não conseguindo apagar o brilho em seus olhos. “Isso é o que fazemos, certo? Salvar o mundo e dar umas boas porradas no caminho.”
Mas a tensão entre eles já estava mais do que evidente. Castiel olhou para ele, e naquele instante, o mundo parecia desaparecer. A única coisa que importava era Dean, a dor que ele estava sentindo, e a conexão silenciosa entre eles. Castiel não podia deixar que aquilo fosse em vão.
Com um movimento brusco, Castiel usou toda a sua energia celestial, criando uma barreira de luz que envolveu os dois, protegendo-os da criatura. A sombra tentou atravessar, mas a luz era forte demais.
“Não vou deixar você se machucar, Dean,” Castiel murmurou, os olhos fixos nos de Dean. “Não enquanto eu estiver aqui.”
Dean olhou para ele, a respiração pesada, mas com um sorriso teimoso no rosto. “Nunca me deixou antes, Cas.”
E, naquele momento, não havia mais palavras a serem ditas. A tensão que havia entre os dois agora era palpável, e quando Dean estendeu a mão para tocar a face de Castiel, a conexão entre eles se fez mais clara do que nunca. O calor dos corpos de ambos se misturava com o brilho da luz celestial ao redor deles, e tudo o que existia eram os dois, enfrentando o perigo juntos.
A sombra, percebendo que não poderia vencer, se dispersou, mas não antes de lançar um último ataque desesperado, tentando arrastar Castiel para o abismo. Dean, instintivamente, se atirou para frente, pegando Castiel pela cintura e puxando-o para trás. O impacto foi forte, mas a força do anjo, agora protegida pela barreira, manteve os dois seguros.
“O que você fez?” Castiel perguntou, sua voz rouca, mas com um olhar de profunda gratidão.
Dean, com o peito arfando pela dor, ainda com um sorriso torto, olhou para ele. “Eu faria isso de novo. Qualquer coisa para manter você seguro, Cas.”
Antes que Castiel pudesse responder, Dean o puxou para si, em um impulso de pura necessidade. O beijo foi urgente, quente e cheio de emoção reprimida, um reconhecimento do que existia entre eles. Sem mais palavras, sem mais medos. Apenas a necessidade de estar juntos, de se proteger.
Quando finalmente se separaram, ambos estavam ofegantes, mas com uma sensação de satisfação. Eles haviam vencido, mas o mais importante: agora estavam mais próximos do que nunca.
“Isso não acabou, Cas,” Dean disse, com uma risada rouca, ainda segurando o anjo. “Mas pelo menos agora sabemos que temos um ao outro.”
Castiel sorriu suavemente, com uma leveza no olhar que nunca teve antes. “Sim, Dean. Nós temos um ao outro.”
E, enquanto a escuridão ao redor deles se dissipava, uma nova luz começava a brilhar. Mais forte, mais intensa, e mais certa do que nunca.
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Atualizado até capítulo 22
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