A manhã seguinte chegou sem alarde, como sempre, mas a tensão que pairava no ar desde a noite anterior ainda estava lá, invisível, mas palpável. O bunker estava mais silencioso do que o normal, com todos os cantos como se estivessem esperando por algo. Dean se levantou da cama com uma sensação estranha, aquela sensação que só aparece quando você sabe que algo grande está prestes a acontecer, mas não sabe exatamente o quê.
Sam já estava no sofá, com uma xícara de café em mãos, e, ao ver Dean entrar na sala, ele levantou o olhar, mas não disse nada. Sam sabia o que estava acontecendo, mas estava deixando seus dois amigos processarem as coisas no tempo deles. Ele não queria se meter mais do que o necessário, mas o peso das palavras trocadas entre Dean e Castiel naquela noite ainda pairava no ar.
Dean esfregou os olhos, tentando espantar o cansaço. A noite de sono não foi das melhores, com sua mente ainda processando o que ele havia falado. Ele não tinha a menor ideia de como Castiel havia conseguido fazer aquelas palavras saírem de sua boca, mas o que ele sabia era que elas tinham sido mais sinceras do que qualquer coisa que ele já disse antes.
Ele sentou-se ao lado de Sam, que o observava atentamente, mas em silêncio, como sempre fazia quando sabia que Dean estava tentando organizar os próprios pensamentos. Sam não precisava perguntar, ele sabia que Dean tinha questões a resolver, e ele estava disposto a esperar.
"Sam," Dean começou, a voz mais baixa do que o normal. Ele não sabia bem como iniciar a conversa, mas sabia que não podia continuar agindo como se nada tivesse mudado. "Eu… falei aquilo ontem. E não sei o que fazer com isso."
Sam olhou para ele por um instante, seus olhos cheios de compreensão. "Você não precisa fazer nada agora, Dean. Às vezes, as coisas acontecem, e a gente só precisa lidar com elas. Você já deu o primeiro passo ontem. Agora, é só dar o próximo."
Dean olhou para a mesa, tentando afastar a sensação de que tudo estava desmoronando ao seu redor. Mas, no fundo, ele sabia que Sam estava certo. Ele já tinha dado o primeiro passo, e aquele primeiro passo não era nada pequeno. Agora, ele precisava lidar com o resto. E a parte mais difícil ainda estava por vir.
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Enquanto isso, no outro canto do bunker, Castiel estava sozinho. Ele se sentia estranho, confuso, como se o mundo ao seu redor tivesse mudado de alguma forma que ele não conseguia compreender completamente. Quando ele pensou em Dean, seu peito apertava. Ele não sabia o que exatamente estava acontecendo entre eles, mas sabia que as coisas haviam mudado. Ele sentia algo por Dean, e isso o desconcertava.
Castiel nunca tinha sido alguém que entendia emoções humanas, nem sequer tinha realmente lidado com sentimentos da maneira que as pessoas comuns faziam. Mas Dean… Dean era diferente. Ele o desafiava de uma forma que Castiel não conseguia compreender. Havia uma intensidade, uma energia ao redor de Dean que fazia Castiel querer entender mais, querer se aproximar mais. Mas também havia medo. Medo do desconhecido.
A relação deles estava em um terreno incerto, e Castiel não sabia se estava pronto para isso. Ele sabia que, enquanto estivesse com Dean, as coisas não seriam fáceis. Mas, ao mesmo tempo, ele sentia que estava pronto para tentar. Para dar esse passo, mesmo que o fizesse hesitante.
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Dean se levantou e foi até a cozinha, determinado a começar o dia de uma maneira normal. Mas, quando entrou, se deparou com Castiel, que estava encostado na bancada, com os olhos fixos em um ponto distante. Algo na postura de Castiel parecia diferente, mais introspectivo do que o normal. Dean sentiu o coração apertar, mas não sabia o que dizer.
"Cas?" Dean perguntou, a voz suave, mas com uma curiosidade que ele não conseguiu esconder. "O que está acontecendo?"
Castiel virou-se lentamente, seus olhos fixos em Dean. A expressão em seu rosto era mais suave do que o usual, e, pela primeira vez, Dean viu uma vulnerabilidade ali, algo que ele não estava acostumado a ver no anjo. Algo que o fez sentir um calor se espalhar em seu peito.
"Eu estou… pensando," Castiel respondeu, sua voz baixa, quase inaudível. "Sobre ontem. Sobre o que você disse."
Dean deu um passo à frente, sentindo o peso do momento. Ele não sabia o que esperava de Castiel, mas uma parte dele sabia que precisava enfrentar isso. Não podia mais se esconder atrás de piadas e brincadeiras.
"Você... está preocupado com isso?" Dean perguntou, tentando manter o tom leve, mas falhando em esconder a seriedade que pairava sobre suas palavras.
Castiel balançou a cabeça lentamente, seus olhos nunca saindo dos de Dean. "Não, Dean. Eu não estou preocupado. Eu só… não sei como lidar com isso. Eu nunca senti algo assim antes."
Dean se sentiu desnorteado com as palavras de Castiel. Ele não sabia como reagir, mas a verdade era que ele também estava perdido. Ele queria dar um passo adiante, mas tudo parecia tão incerto, tão complicado.
"Eu também não sei, Cas," Dean falou finalmente, a voz suave, mas cheia de sinceridade. "Eu não sei o que estou fazendo. Só sei que não posso ignorar o que sinto. Eu não sei se isso faz sentido, mas… eu quero tentar."
Havia uma pausa, um silêncio denso entre os dois, antes que Castiel se aproximasse lentamente de Dean, seus olhos brilhando com algo que Dean não conseguiu identificar. Quando estavam a poucos centímetros de distância, Castiel falou, a voz mais suave do que nunca.
"Eu também quero tentar, Dean."
E, naquele momento, tudo pareceu se acalmar. O peso que ambos carregavam foi compartilhado, e o futuro, embora ainda nebuloso e incerto, se apresentou diante deles como uma possibilidade, algo que valia a pena explorar, mesmo que ambos soubessem que seria um caminho cheio de obstáculos.
Mas, por agora, isso era o suficiente. Eles estavam dispostos a seguir em frente, juntos, sem saber o que viria a seguir. E, pela primeira vez, Dean sentiu que, talvez, o desconhecido fosse o lugar onde ele realmente queria estar.
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Atualizado até capítulo 22
Comments
ღPastille 🍬
Só eu que leio com a voz deles mesmo da série?
2024-12-12
0
Carla Santos
Nossa como eles são confuso
2024-12-13
0