O silêncio que se seguiu à batalha era quase ensurdecedor. O bunker estava destruído em partes, com paredes rachadas e manchas de sangue, tanto humano quanto das criaturas que haviam enfrentado. Dean se apoiava em uma mesa, respirando fundo enquanto olhava para Castiel, que estava sentado no chão, os olhos perdidos em algum ponto distante.
"Bom, Cas," Dean começou, a voz rouca de cansaço, "parece que seu plano de nos manter vivos funcionou... mais ou menos."
Castiel levantou os olhos, exausto, mas ainda firme. "Não foi um plano. Foi sobrevivência."
Dean soltou uma risada curta, embora sem humor. "Chame do que quiser. Só sei que estamos fodidos. De novo."
Castiel não respondeu imediatamente, mas o silêncio dele carregava algo mais profundo, algo que Dean começou a reconhecer: culpa. Ele se aproximou, sentando-se ao lado de Castiel no chão, a distância entre eles menor do que o habitual.
"Ei, você não pode salvar todo mundo, sabe?" Dean disse, tentando quebrar a tensão.
Castiel virou a cabeça, seus olhos azuis carregados de um peso que parecia mais celestial do que humano. "Não é isso. É você."
Dean piscou, confuso. "Eu?"
"Eu te coloco em perigo, Dean," Castiel admitiu, a voz quase um sussurro. "Tudo que faço para te proteger parece atrair mais destruição. Talvez... talvez eu seja o problema."
As palavras de Castiel atingiram Dean como um soco. Ele balançou a cabeça, frustrado. "Isso é uma merda, Cas. Você é a razão de eu ainda estar respirando, então não vem com essa de 'sou o problema'. Porque, se for assim, eu sou pior."
Castiel levantou o olhar, como se não esperasse aquela reação. "Você realmente acredita nisso?"
Dean suspirou, passando as mãos pelo rosto. Ele não era bom com palavras — nunca foi —, mas havia algo em Castiel que o fazia querer tentar. "Olha, a gente faz coisas ruins às vezes. É o nosso trabalho. Mas você sempre tenta fazer o certo, mesmo quando dá errado. Isso é mais do que eu posso dizer sobre mim."
O anjo permaneceu em silêncio, mas algo nos olhos dele mudou.
Antes que a conversa pudesse ir mais longe, o som de um rangido ecoou pelo bunker. Ambos se levantaram rapidamente, instintivamente entrando em modo de combate. Dean pegou sua arma, enquanto Castiel levantava a mão, pronto para usar sua graça.
A porta da sala abriu lentamente, revelando uma figura encapuzada. O ar ao redor dela parecia mais frio, e a presença dela fazia os cabelos na nuca de Dean se arrepiarem.
"Finalmente nos encontramos, Winchester," a figura disse, a voz baixa e ameaçadora.
"Ah, ótimo, mais um filho da puta pra minha lista de problemas," Dean respondeu, apontando sua arma.
A figura riu, mas o som era vazio, sem humor. "Vocês sobreviveram às minhas criaturas. Impressionante. Mas isso não importa. Eu vim buscar o que é meu."
Castiel deu um passo à frente, protegendo Dean instintivamente. "Você não vai levar nada."
"Ah, Castiel," a figura murmurou, quase com desdém. "Sempre o guardião. Mas você sabe que não pode proteger Dean para sempre."
Dean apertou os punhos, a raiva fervendo nele. "Se você tem algo pra resolver, resolve comigo, desgraçado. Deixa o Cas fora disso."
A figura não respondeu. Em vez disso, estendeu a mão, e uma energia negra começou a se formar. Dean disparou sua arma, mas as balas pareciam atravessar o inimigo como se ele fosse feito de fumaça.
Em um piscar de olhos, a figura atacou. Castiel ergueu uma barreira de luz para proteger Dean, mas o impacto foi tão forte que os dois foram jogados para trás. Dean caiu com força, ofegante, enquanto Castiel lutava para se levantar, sua graça visivelmente enfraquecida.
"Dean, corra!" Castiel gritou, sua voz carregada de urgência.
"Não vou a lugar nenhum!" Dean retrucou, pegando sua lâmina. Ele se levantou, cambaleante, mas determinado. "Se alguém vai acabar com esse desgraçado, sou eu."
A luta que se seguiu foi intensa. Castiel e Dean trabalharam juntos, como uma máquina bem ajustada. Mas o inimigo era poderoso, e cada golpe que recebiam parecia drenar mais de suas forças.
Em um momento crítico, a figura conseguiu imobilizar Castiel, sua energia negra envolvendo o anjo como correntes. Dean viu o desespero nos olhos de Castiel e sentiu algo dentro dele quebrar.
"Solta ele!" Dean gritou, avançando com tudo o que tinha. Ele atacou a figura com sua lâmina, acertando um golpe que a fez recuar. Castiel caiu no chão, ofegante, mas livre.
Dean se ajoelhou ao lado dele, colocando uma mão em seu ombro. "Cas, você tá bem?"
Castiel assentiu, mas antes que pudesse responder, a figura se levantou novamente, mais furiosa do que antes.
"Vocês dois são tão previsíveis," ela disse, levantando as mãos para atacar novamente.
Foi então que Castiel fez algo que Dean não esperava. Ele se colocou entre Dean e a figura, sua luz celestial brilhando intensamente. "Você não vai tocá-lo."
A explosão de luz que seguiu foi tão intensa que Dean precisou cobrir os olhos. Quando ele os abriu novamente, a figura havia desaparecido. Mas Castiel estava no chão, imóvel.
"Cas!" Dean gritou, se ajoelhando ao lado do anjo. Ele o sacudiu, sua voz quebrando com o desespero. "Você não pode fazer isso comigo, cara. Não agora. Não assim."
Castiel abriu os olhos lentamente, um pequeno sorriso nos lábios. "Eu disse que sempre estaria aqui. E eu estarei."
Dean soltou um suspiro aliviado, a mão ainda segurando Castiel com firmeza. "Você é um maldito teimoso, sabia disso?"
"Aprendi com você," Castiel respondeu, sua voz fraca, mas com um toque de humor.
Dean riu, apesar da situação. Ele ajudou Castiel a se sentar, o alívio em seus olhos claro como o dia. "Vamos descansar, Cas. A gente ainda tem muito trabalho pela frente."
Enquanto o bunker mergulhava no silêncio mais uma vez, Dean percebeu que, apesar de tudo, ele não estava sozinho. E isso era o suficiente. Por agora.
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Atualizado até capítulo 22
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